As coisas são o que são e há hábitos que ficam, queiramo-lo
ou não.
Se as minhas contam me não enganam, há uns dez anos que
deixei de temperar o café com açúcar. Quer se trate de café expresso ou café de
saco.
Foi um acto deliberado e, durante os primeiros tempos,
talvez duas semanas, o paladar do café assim “amargo” era coisa difícil de
suportar.
Mas a boca e o cérebro acabaram por aceitar a beberagem e
assim me tenho mantido. E quando me entregam a tradicional bica, servida em
chávena fria, há três coisas que faço mecanicamente: afastar o pacotinho de
açúcar, rodar o conjunto para que a asa da chávena fique do meu lado direito e
mexer o café para ajudar a arrefecer, já que não gosto dele quente. Hábitos ou
manias.
Hoje, encostado no balcão da pastelaria, entabulei conversa
séria sobre fotografia com quem estava do outro lado. E se me querem ver
alheado do mundo em redor é embrenharem-me neste tema.
Pois quando fui, finalmente, beber o café, entretanto
arrefecido com a colher, achei-o intragável. Quase a ponto de o cuspir, coisa
que consegui evitar.
É que, e sem me aperceber do que quer que fosse, tinha
vertido todo o conteúdo do maldito pacote de açúcar para dentro do líquido
escuro. E ajudado a dissolver com a colher.
Juro que foi das piores coisas que coloquei na boca, bem
pior que os primeiros tempos de café sem açúcar ou que aquele outro café com
manteiga que uma vez me serviram.
Gestos maquinais que, uma dezena de anos depois, ainda aqui
estão gravados algures num neurónio que estava adormecido.
Espero que os neurónios referentes aos outros seis pecados
mortais não acordem quando eu estiver distraído.


Sem comentários:
Enviar um comentário