segunda-feira, 29 de setembro de 2025

OPS!




As coisas são o que são e há hábitos que ficam, queiramo-lo ou não.

Se as minhas contam me não enganam, há uns dez anos que deixei de temperar o café com açúcar. Quer se trate de café expresso ou café de saco.

Foi um acto deliberado e, durante os primeiros tempos, talvez duas semanas, o paladar do café assim “amargo” era coisa difícil de suportar.

Mas a boca e o cérebro acabaram por aceitar a beberagem e assim me tenho mantido. E quando me entregam a tradicional bica, servida em chávena fria, há três coisas que faço mecanicamente: afastar o pacotinho de açúcar, rodar o conjunto para que a asa da chávena fique do meu lado direito e mexer o café para ajudar a arrefecer, já que não gosto dele quente. Hábitos ou manias.

Hoje, encostado no balcão da pastelaria, entabulei conversa séria sobre fotografia com quem estava do outro lado. E se me querem ver alheado do mundo em redor é embrenharem-me neste tema.

Pois quando fui, finalmente, beber o café, entretanto arrefecido com a colher, achei-o intragável. Quase a ponto de o cuspir, coisa que consegui evitar.

É que, e sem me aperceber do que quer que fosse, tinha vertido todo o conteúdo do maldito pacote de açúcar para dentro do líquido escuro. E ajudado a dissolver com a colher.

Juro que foi das piores coisas que coloquei na boca, bem pior que os primeiros tempos de café sem açúcar ou que aquele outro café com manteiga que uma vez me serviram.

Gestos maquinais que, uma dezena de anos depois, ainda aqui estão gravados algures num neurónio que estava adormecido.

Espero que os neurónios referentes aos outros seis pecados mortais não acordem quando eu estiver distraído.

 

 By me

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