terça-feira, 7 de abril de 2020

Máscaras




Gostaria de chamar a vossa atenção que a função de uma máscara, nos tempos e nas circunstâncias que agora vivemos, é protegermo-nos, e aos outros, de vírus.
Impedir que saiam, pela boca ou pelo nariz, mantendo-se a flutuar no ar durante algum tempo. Tal como impedir que eles, inseridos que estão em partículas de humidade, entrem pela boca ou nariz.
Idealmente, deveríamos também usar óculos protectores, para evitar que essas mesmas partículas entrem em contacto com os nossos olhos.
Usada desta forma, com esta ou qualquer outra cor, apenas impede que palavras saiam pela boca.
O que pode ser útil, durante ou fora da pandemia, mas que em nada se relaciona com o tal de corona vírus.

Informação adicional, quiçá inútil:
Pentax K7, ISO 100, Sigma 70/300, 1/160”, f/20, dois flashs, maio 2011.



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Hoje, da minha janela.




Dela não vejo a Lua a subir no horizonte, pelo que tenho que me contentar com os telhados que tenho pelo caminho.
Para a maioria pouco importará, mas sempre acrescento:
Pentax K7, Novoflex 600mm, 1/15”, f/22, TTL, -1ev (este foi a olhómetro, que os equipamentos são exactos, mas a experiência também conta).


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domingo, 5 de abril de 2020

Uma por dia




As molas de roupa são particularmente uteis, e não apenas para ajudar a segurar a roupa a secar.
Neste caso, uma de plástico para segurar o cigarro, sem o vincar ou estragar. Com a vantagem de o material plástico ser sensível ao calor, o que permite fazer um orifício com um prego quente (ou semelhante) para que possa ser fixado algures. Parafuso com duas porcas, uma de cada lado, fizeram a festa para que fosse fixado num tripé. Mas poderia ter sido um prego no topo de um pau de vassoira, ou qualquer outro sistema que se invente.
Por fundo uma cortina que, para ter a opacidade requeria, suporta um pano preto. Novamente molas de roupa.
O único “truque”, que aqui não se vê, foi o uso da minha mão. Para evitar que a luz vinda da janela, na altura aberta para maior rendimento luminosa, incidisse na frente da objectiva e “velasse” a imagem (o termo técnico é “criar um flare”). É para evitar essas luzes parasitas que o pára-sol é importante, se bem que em situações limite não seja suficientemente comprido.
E nunca me digam que em casa, durante um confinamento forçado, não se pode criar imagens.

Fotografem e sejam felizes


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O silêncio




Na varanda, a fumar um cigarro. Domingo de manhã.
Em casa tudo tranquilo, cada um a fazer o que mais gosta ou tem que fazer, em silêncio e recolhimento. Até o cão, naquele instinto que nós, humanos, quase perdemos, está a dormitar no sofá.
Aqui fora, e para além de mim, poucos sinais de vida: o fumo que sobe na vertical da ponta do meu cigarro, o verde pálido e deslavado que entrevejo entre prédios. Nem aves lá em cima. Volteando ou pousadas nas chaminés ou antenas. Sim, que aqui onde moro ainda há antenas.
De súbito um sinal de vida. Sonoro. A 750 metros em linha recta, os bombeiros anunciam o meio-dia. Naquele som de lamento, triste, a que atribuímos ainda mais tristeza por estes dias.
Depois… Depois mais nada.
De lá de dentro nem um som ou sinal, de lá de fora nem um gesto ou aragem, e nem o cão se manifestou.
Regressei ao interior. Talvez que uma série policial, banal e repetida reponha alguma acção numa manhã quase morta na cidade.
E não deveria ter usado o termo “morta”, mas não se me sobe à cabeça nenhum outro.



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sábado, 4 de abril de 2020

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Ter medo nos tempos que correm é natural.
Difícil mesmo é saber geri-lo: aparentar tranquilidade quando necessário, nervo quando faz falta e dormir quando o corpo o pede.
E é nestas ocasiões mais difíceis que a religião é o suporte anímico para muitos, atribuindo à sua divindade a responsabilidade do que acontece e depositando nos deuses as soluções e alívios.
Já os que não têm um sobrenatural protector têm um pouco mais de dificuldade, já que tanto culpas como soluções atribuem-se aos próprios, ao destino ou a uma eventual teoria da conspiração.
Sobram desesperos por um lado, emergem ódios de estimação e oportunidades para os menos escrupulosos.
E no meio de tudo isto, uma certeza: O dia nasce amanhã de novo.

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Equilibrios




Há um montão de gente indignada com a possibilidade de, por causa do estado de emergência, serem libertadas pessoas que estão a cumprir pena.
Entendo-as.
Então eles cometeram crimes e por causa disso foram condenados e agora voltam para o exterior antes de terminarem o seu tempo? Eles são criminosos e o seu lugar é na cadeia e terá que ser todo o tempo a que foram condenados. Estão lá porque não os queremos cá fora no meio de nós, gente honesta e cumpridora das regras da sociedade.
Entendo quem assim argumenta.
Mas também entendo que ao condenara a pena de prisão a sociedade tem o dever de dar a essas pessoas as condições de saúde que qualquer outro cidadão tem. E esta pandemia não se compadece com leis, grades ou condenações. Em havendo casos dentro de uma prisão, seria uma mortandade geral. E eles foram condenados a penas de prisão e não a pena de morte.
Serão de equilíbrio difícil estas duas posições.
Mas haverá que as ponderar, e bem, antes de decidir se temos por cá a pena de morte de novo.



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Linhas




Quando vejo países a actuar como salteadores, confiscando material médico e de protecção em trânsito pelo seu território com destino a país terceiro, e já pago, pergunto-me quando passarão a ser indivíduos a fazer equivalente.
E qual a moral da justiça desses países, seja ela qualquer for, para os censurar ou punir nesses roubos.
França, Turquia, Republica Checa, Estados unidos da América…
Creio que as medidas agora aprovadas para libertar condenados das prisões se destinam, com uma antecipação espantosa, a criar espaço para os novos traficantes.
Até as linhas vão parecer baratas e acessíveis!



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sexta-feira, 3 de abril de 2020




Não há nada mais eficaz para o sequestro do livre pensamento que tornar o medo uma pandemia.



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quinta-feira, 2 de abril de 2020

Andorinhas




Mostraram-me o rebentar de umas sementinhas recém-plantadas.
Digam o que disserem, é bom auguro, que se a natureza segue o seu curso normal, nós os humanos, que também somos natureza mesmo que nos entendamos como o centro do universo, poderemos seguir o curso habitual e renascer com a primavera. Ou um pouco mais tarde, este ano.
Comentei que assim parecia, que a primavera já teria chegado, apesar de ainda não ter visto andorinhas.
Passados poucos minutos, à janela e usufruindo da bela luz do fim de dia, vi algumas nos seus volteios característicos, em busca de alimento, suponho.
De facto, a primavera já chegou!

Quanto à imagem, não corresponde a nenhuma que tenha visto pela janela.
Comprada há uns anos e agora arrumada numa caixa na arrecadação, faz parte de um projecto fotográfico que talvez um dia termine. Ou não.


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terça-feira, 31 de março de 2020

Pensando



Fotografamos os espaços, a luz, os sorrisos, os objectos, porque não os podemos possuir, não os podemos levar para casa. Cabem, certamente, na alma ou coração de cada um, mas não na parede ou numa gaveta.
Nós, os fotógrafos, somos uns invejosos e cobiçadores! Entre outras coisas.

E se tiverem dúvidas sobre tamanha afirmação, consultem os vossos arquivos bem como os trabalhos de fotógrafos conceituados.
Irão constatar, sem surpresas, que poucos são os que fotografam ou exibem fotografias das pessoas que lhes são afectivamente próximas.
Não precisam!
Aquilo de que realmente gostam ou amam está ali, permanentemente, ao alcance de um olhar ou na superfície da memória.
Ou, talvez, sejam os fotógrafos uns seres muito egoístas. E queiram guardar só para si, para a sua intimidade, os tesoiros que têm. Sem artifícios ou tecnologias.

Grandes pensadores se debruçaram sobre o acto de fotografar e os motivos que estão por detrás disso.
Interessante mesmo é verificar que raríssimos são os que afirmam tal coisa.

Ou bem que estou completamente enganado ou então tiveram eles medo de serem apedrejados na praça pública.

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