sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sobre aprender fotografia



As actuais estruturas de ensino são, na sua essência, desonestas!
Violenta a afirmação? Eu explico:

Diz-se que o aluno (estudante, aprendiz) deverá sair da escola com um conjunto de saberes e competências bem definidos. Durante todo o percurso escolar, é o aluno (estudante, aprendiz) submetido a avaliações sobre essas aquisições, onde lhe vai ser dito se se ficou pelos mínimos, se aquém ou além deles. Se passou, se ficou num dos lugares cimeiros ou se chumbou.
Mas o papel do professor não é ensinar. Não é, do alto da sua cátedra, despejar o conhecimento, usando para isso técnicas standard, e esperar que tudo isso tenha ficado na cabeça dos alunos (estudantes, aprendizes).
O standard, o padrão, as medidas e técnicas universais são funcionais quando falamos de parafusos ou barris de petróleo. Ao entrarmos no campo do ser humano, existem tantas medidas e padrões quantos os indivíduos considerados. E a capacidade de aprender de cada um é tão diversa quanto uma estrela de outra.
Daí que, e para que os alunos (estudantes, aprendizes) obtenham os saberes e competências previstos, há que trabalhar com cada um deles enquanto individuo e não com cada um deles enquanto elemento de uma turma ou sistema de ensino padrão.
É assim que o professor não deve ensinar mas antes ajudar a aprender. Usar do tempo e esforço necessários e suficientes para que cada aluno (estudante, aprendiz) não se fique pelos mínimos mas antes atinja o pleno. Porque é para tal que lá estão e é isso que esperam. Aprendiz (aluno, estudante) e professor.

A avaliação, enquanto elemento do processo de aprendizagem, é importante, mas perigosa.
Nos moldes actuais, mede as competências adquiridas pelos estudantes (alunos, aprendizes) dentro dos valores padrão, colocando-os nos pelotões da frente, do meio ou de trás. E fica o assunto resolvido.
Nos aprendizes (alunos, estudantes) em que os resultados são medianos ou abaixo deles, fica a sensação de frustração, a quebra da auto-estima, a rebeldia contra o sistema que não reconhece o seu esforço em aprender, por comparação com outros. Que com facilidade atingem a excelência.
E, com isto, estamos a preparar cidadãos plenos, ex-alunos (ex-estudantes, ex-aprendizes) que se auto-nivelam pela mediania ou por baixo, orientados e classificados que foram assim durante 15 ou 20 anos da sua vida.

A avaliação (testes, trabalhos, orais) avalia de igual forma o trabalho de quem aprende e de quem ajuda a aprender. Porque um professor não deve ensinar mas antes ajudar a prender.
Se os objectivos deste trabalho de conjunto falham ou ficam-se pela mediocridade, se o mais novo dos dois se fica pelos mínimos ou aquém deles, pelo menos metade do trabalho, o do mais velho, foi deficiente.
Não usou do tempo e trabalho suficientes para que a equipe terminasse com satisfação.

Uma avaliação escolar bem concebida deverá ser construída não em função da mediania dos alunos (estudantes, aprendizes) mas antes em função do binómio aluno/professor. E se, num teste ou prova de avaliação escolar, cada aluno é avaliado uma vez por um professor, cada professor é avaliado por cada um dos alunos (estudantes, aprendizes). E se o resultado de uma turma se fica pelos mínimos ou lá perto, o professor é apenas sofrível no seu trabalho de ajudar a aprender.

No actual sistema de educação (e como este termo educação é odioso!), tenta-se combater o insucesso escolar. Não através do incremento dos métodos de aprendizagem e do investimento do sistema em cada aluno enquanto individuo, mas através da descida dos níveis mínimos e da satisfação da sociedade quando eles são atingidos. A diminuição dos chumbos ou reprovações.

Acrescente-se que avaliações mal concebidas, analisadas ou baseadas num mau trabalho de um professor podem condicionar negativamente o futuro daqueles que estão a ser avaliados. É demasiadamente importante para ser feito de ânimo leve!

É por isso que afirmo que o actual sistema de educação ou ensino é desonesto!
Os estudantes (alunos, aprendizes) não passam por ele aprendendo a fazer perguntas e a ter dúvidas mas antes a serem formatados por métodos e programas padrão, moldados pela sociedade e não adaptados a cada um deles. Os alunos são considerados como matéria-prima, como se fossem farinha numa padaria.
Não são consideradas as características individuais e o percurso de cada um. Nem são satisfeitas as expectativas de sucesso que cada um tem!

Durante o tempo que estive ligado a escolas profissionais, a minha maior satisfação foi ver o brilho nos olhos daqueles com quem estava a trabalhar provocado por um “já percebi” e logo seguido de dúvidas e perguntas sobre a continuidade do trabalho que vínhamos fazendo.
E um orgulho tremendo de, querendo ir sempre mais e mais longe com eles, nunca ter reprovado um só que fosse.

A todos eles, o meu obrigado por esta satisfação.

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Conversa de fumadores



“Tem isqueiro?”, perguntou-me ela.
“Tenho.”, respondi nas calmas.
“……….”
“……….”
“E pode dar-me lume?”
“Ah, bem. Pensei que queria só saber se tinha isqueiro. Claro que sim. Mas olhe que tenho também fósforos.”
“Não se preocupe. Pode ser mesmo isqueiro.”
”Ok! E quer de gasolina ou de gás?”, perguntei, mostrando os dois.
“Oh Pah! Quero mesmo é lume p’ro cigarro!”, rindo-se.
A conversa continuou, divertida, e eu atirei-lhe mais uma ou duas larachas, que havia tempo antes do comboio. Até que cheguei onde queria: uma fotografia dos seus olhos.
Não adiantou atirar-lhe com charme, lisonja ou mesmo com a “excentricidade do artista”. A resposta foi sempre não, entre sorrisos coquetes e divertidos.

Quando saí do comboio em que embarcámos juntos, duas estações depois, o paleio continuava. Agora a fotografia… isso é que ‘tá de chuva, apesar do calor.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

LX na rua



E lá ao fundo, bem lá ao fundo, encostado àquelas árvores, um palco.
Nele, a orquestra Angrajazz animou toda esta gente, assim espalhada ao longe, bem mais compacta de perto.
E, estando eu lá ao fundo, entre o ouvir a boa música e o ver o mau desempenho de uma equipa de vídeo, vinda não sei de onde mas bem equipada, oiço a meu lado:
“Pensava que só fotografava política.”
Algumas palavras trocadas depois, encontrei e dei-lhe a resposta certa:
“Por a música na rua é política. Que a cultura é também política.”


Finalmente vi o Jardim do Arco Cego bem composto e apetecível de ver e fotografar. Mas a música que inaugurou o “Lisboa na rua” quase que se sobrepôs ao uso da câmara.

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Espelhos



“A fotografia, desde os seus primórdios, tem sido encarada como um espelho do mundo.
Só que um espelho com memória.”

A afirmação é de Arlindo Machado.
A minha pobre contribuição é simples:

A fotografia espelha e memoriza o mundo. Só que, e com a mesma intensidade, espelha o que lhe está à frente e o que lhe está atrás.

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A tirania das redes e dos media



Leio num jornal diário nacional que Fulano de Tal foi localizado.
De acordo com a notícia, a companheira de Fulano, ao constatar que ele não regressara, deu o alerta na polícia e criou-se um grupo no Facebook para o encontrar.
A notícia refere o nome e a profissão de Fulano, a sua zona de residência bem como onde foi encontrado e publica uma fotografia de Fulano.
A notícia não diz, porém, em que circunstâncias foi encontrado: se falecido, de doente, se raptado ou se tudo bem.
Não nos diz se o seu desaparecimento foi acidental ou propositado.
Mas diz-nos muito de Fulano, incluindo uma identificação fotográfica.

Partamos do princípio, e como mero exercício, que Fulano desapareceu do meio em que vivia (companheira, amigos, conhecidos, trabalho, redes sociais) por vontade própria.
Trata-se de um adulto, que não tem que dar justificações a ninguém sobre o seu paradeiro. Não está sob investigação judicial nem sobre ele existe um qualquer mandato de detenção.
Qual é, então, o direito de desconhecidos lançarem um alerta público e bem difundido nas redes sociais sobre o paradeiro de alguém que não esteve em situação de perigo? Qual é, então, o direito de um jornal em vir contar a público que Fulano deixou de ser sabido nos meios que frequentava e que acabou por ser encontrado?
Pode-se assim violar a privacidade de uma pessoa? Pode-se assim atirar para o mundo a vida de um qualquer cidadão? Pode-se assim, pela exposição pública, forçar alguém a regressar a casa?

Nas redes sociais é frequente aparecerem pedidos de ajuda para que se encontre esta ou aquela pessoa, com este ou aquele motivo. E os frequentadores das redes, na sua ânsia de fazerem algo de positivo, metem o nariz onde não são chamados, divulgam para todo o sempre que alguém esteve desaparecido. Melhor: que algumas pessoas não sabiam do paradeiro daquele sobre o qual lançaram o alerta. A maioria dos que assim procedem nem sequer conhecem a pessoa ou os seus amigos, limitando-se a replicar uma página sem sequer investigar um pouco da sua veracidade ou circunstâncias. Ficam assim uns milhares de pessoas a saber sobre a vida privada de alguém que, por este ou aquele motivo, terá decidido fazer tábua rasa da sua vida até então ou mesmo ter uma escapadinha seja lá pelo que for.

As redes sociais, com esta situação e outras, violam sistematicamente a privacidade dos indivíduos. Os jornais, na procura sempre insatisfeita, de aumentar as tiragens e os lucros, não olham a meios para tal.
Pense duas vezes, muito seriamente, antes de divulgar uma notícia ou página sobre o desaparecimento de alguém.
Talvez que esteja a fazer bem mais mal que bem.


A fotografia? Bem, é a publicada no jornal em causa, mas com o acréscimo de as feições terem sido por mim anuladas.

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Aviso à navegação

É p’ro menino e p’ra menina!
É um aviso geral!

Tanto a bela princesa, com os seus cabelos longos e vestido de folhos, como o garboso príncipe, com o seu alazão branco e punhal no cinto, são de sangue azul.
Nobres pelo nascimento, estão muito provavelmente na linha directa da sucessão ao trono e a decidirem dos desígnios do seu país.
No entanto, gostaria de vos lembrar que não vivemos numa monarquia mas antes numa república.

Poderá ser das bananas, mas é uma república.
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Agora que terminou o dia mundial da fotografia, gostava de aqui deixar um desabafo.
Tenho para mim que a pior coisa que se pode fazer a alguém, ao fotografá-lo, é não o respeitar. Quer se trate de alguém que acedeu ao nosso pedido ou que nos pediu para o fazer.
E uma das formas mais eficazes de não respeitar alguém numa fotografia é não respeitar o que é dele: o espaço.
O espaço para respirar, o espaço para se movimentar, o espaço para existir.
Não há regras para isto. Há bom-senso, há respeito e há a interpretação daquilo para onde temos a objectiva apontada.


Exemplos do que digo? Não vale a pena fazer um. Basta dar uma voltinha, nem sequer muito aprofundada, pelas redes sociais e ver o que por lá é posto.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Arrisque



Hoje é o dia mundial da fotografia. E eu não gosto dos dias mundiais de, já que parece que apenas nesses dias o assunto interessa.
Mas como é moda o dia mundial de, aqui fica uma sugestão:

Neste dia parta a loiça!
Neste dia esqueça as convenções, esqueça tudo o que aprendeu nos manuais e guias práticos e arrisque a fazer diferente!
Não fazer diferente para que seja diferente. O mundo está cheio disso e vamos vendo os resultados.
Faça diferente porque é o que lhe vai na alma. Faça diferente, fazendo com que o seu espírito veja antes dos seus olhos e estes antes da câmara. Faça diferente porque é isso que lhe apetece e não porque alguém lho diz para fazer, mesmo que seja eu. Faça diferente para que saiba que o que está a fazer é seu e não mera cópia do que já foi feito, mesmo que o não saiba que é. Faça diferente porque lhe deu na telha e acabou-se.
Oiça o que vê, veja o que cheira, saboreie o que palpa e, como que por acaso, fotografe.
As regras, os cânones, os códigos, o “bonitinho”, o “como os outros todos”, guarde para os restantes 364 dias do ano.
Hoje liberte o fotógrafo que há em si e tenha um prazer insuspeito: o de saber que apesar da idade e da globalização da imagem, ainda consegue ser rebelde.

Parta a loiça toda, ao menos hoje!

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Sabedoria



Falta referir, naturalmente, o Tempo de Sonho aborígene e os amigos de Odin.
Em dois dias, ficaria completo o curso e a sabedoria profunda.

Mas não façam fila, que o prazo de inscrição já terminou.

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Dizem que hoje é o dia mundial de



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