Caroline, algures num café/bar em
Lisboa.
Por vezes apetece-me passar pelo
P&B.
Tal como por vezes também passo pelo
vertical.
Pentax K1 mkII, Pentax-M 135mm 1:3,5
By me
Caroline, algures num café/bar em
Lisboa.
Por vezes apetece-me passar pelo
P&B.
Tal como por vezes também passo pelo
vertical.
Pentax K1 mkII, Pentax-M 135mm 1:3,5
By me
É interessante como não nos incomodamos em ver um cão,
cavalo, peixe, canário ou gafanhoto como são, sem enfeites ou disfarces e
entendemos por pecaminoso um humano total ou parcialmente desnudo. E toma foros
de pecado mortal, com direito a punições legais se, nesse desnudo público, a
genitália for visível.
Recordo dois episódios que de tão tristes se tornam
caricatos:
Há uns anos, numa feira de livro no norte de Portugal, foram
apreendidos livros de arte que na capa exibiam o quadro “A origem do mundo”, de
Gustave Coubert. E, ainda não há dez anos, foram cobertas estátuas de nús num
museus italiano para não ofender um presidente de um país Islâmico que visitava
a Itália.
A mente humana é preversa em muitos aspectos, incluindo
aquilo que é tão natural como o bocejar, coisa que também não se deve fazer em
público.
Vem isto a propósito de um livro que comprei recentemente.
Chama-se “Harvested”, publicado em 2016 e é da autoria de
Ilan Manouach.
O único texto que contém está escrito na lombada, o que já
de si é incomum:
.
“Uma antologia sob a curadoria de microworkers
Haversted é baseado em conteúdos encontrados, uma seleção
arbitrária de filmes de adultos. Foi inteiramente criado por um conjunto
orquestrado de rotinas planeadas, scripts da web e tarefas baseadas na
inteligência de exame. O material deste livro foi reunido por um grupo
descentralizado de parceiros e filtrado por uma população anónima de
microworkers. Mais de dois mil filmes de adultos foram colhidos de sítios em
linha p2p directamente para um servidor. Seguindo dois scripts diferentes, os
primeiros dez minutos dos vídeos foram despedaçados em milhares de imagens de
baixa resolução no formato jpg á espera de serem filtrados. Este lote de
imagens foi submetido a serviços de crowdsoucing. Um grupo selecionado de
microworkers foram recrutados para filtrarem estes milhares de imagens de
acordo com uma instrução conscientemente vaga: se nelas se apresentava ou não “arte
contemporânea”.
.
A fotografia da capa do livro está muito naturalmente censurada por
mim, só por causa das tosses facebookianas ou outras.
By me
Foi há mais de um quartel, talvez.
Seguia com metade da turma para o Largo do Camões, ao fundo
à direita, para uns exercícios com câmara de vídeo. Se bem recordo, iriamos
praticar panorâmicas a velocidades diferentes jogar com velocidades angulares.
Em chegando a esta esquina, o “bando de pardais” ignorou o
semáforo, como este fulano aqui, e atravessou para o outro lado. Em lá
chegando, e dando pela minha falta, olharam para trás e chamaram-me.
Fiz orelhas moucas e esperei pelo verde. Só que, ao
contrário do que estavam à espera, quando ele surgiu no lugar de eu atravessar
chamei-os.
Vieram, meio sem saber o que se passava, e eu nada. Nos
entretantos o sinal voltou a ficar vermelho e eu nada.
Quando ficou de novo verde para os peões aí sim, falei: “Agora
que está verde, podemos todos passar em segurança.”
Riram-se do insólito da situação, devem ter pensado “Mais
uma do stor JC!”, e lá fomos como e ao que íamos: um bando de gente a querer
fazer e aprender aquilo de que gostam.
Passados todos estes anos, eu com a cabeça toda branca, eles
e elas a começarem a ficar, mesmo que disfarcem, ainda há um ou dois que se
recordam do episódio. Fico todo babado com isso.
Pentax K1 mkII, Pentax-M 28mm 1:2,8
By me
Quanto tempo usa para ver uma fotografia exposta numa
galeria? Quanto tempo usa para ver a mesma fotografia se publicada num livro ou
revista? Ou quanto tempo usa para ver a mesma fotografia se divulgada num site
da web?
Teremos que convir que são tempos diferentes. Na web serão
alguns, muito poucos, segundos. Impressa em revista ou livro, com sorte, talvez
uns 30 segundos. Já numa galeria ou museu pode ultrapassar o minuto.
Estas variações, importantes que são e que dependem da
atitude do público, estão a moldar a forma generalizada de fazer fotografia.
Se o digital, no último quartel, veio “democratizar” a
fotografia, deixando ela de ser algo reservado a alguma elite face aos
respectivos custos de equipamento e suporte, veio também “abastardar” a
qualidade ou as estéticas envolvidas.
Vejamos:
Sendo a fotografia também uma forma de comunicar, a reação
do público ao que é exposto é importante para a esmagadora maioria dos
fotógrafos. Quer seja pelo que vende, pelo número de visitantes ou pelos “gosto”
que recebe.
Acontece que pouco mais que um segundo, quiçá três segundos,
se usa para desfrutar de fotografias on-line. Há muitas outras, de muitas
outras origens, para serem vistas e o “tempo” é curto. Donde, se para se
desfrutar de todo o conteúdo de uma fotografia é necessário tempo de
observação, se ele for complexo dificilmente será apercebido. Ou, se se preferir,
não será apreciado. Muitos elementos, contrastes elevados ou muito baixos,
linhas complexas ou multiplos planos, diversos centros de interesse, mesmo que
interligados, tornam difícil uma “leitura” rápida. Pouco apelativa no on-line.
E se é pouco apelativa não tem reacção por parte do público.
E os fotógrafos, profissionais ou não, querem reacção do público.
Tudo isto por junto tem vindo a modificar a forma de
fotografar. Tanto a nível de conteúdo como de forma.
Procuram-se imagens simples, de leitura rápida. Minimizam-se
os centros de interesse, reduzem-se as linhas, limitam-se os altos e baixos contrastes.
Simplifica-se o que se mostra para facilitar a leitura.
Pergunto, sem ironias: quem hoje usa mais que dois ou três
segundos para usufruir no on-line os trabalhos de Rejlander, Adams, Capa ou
Salgado?
O digital, na captação e no consumo, veio alterar a estética
fotográfica. E isto não é nem bom nem mau. É, apenas, uma realidade.
Este seria um tema que gostaria que tivesse sido abordado na
conversa de ontem, entre Fernando Ricardo e Ana Brigida na Casa da Imprensa, em
Lisboa. Duas gerações e duas épocas de fotojornalismo, o antes e o depois da
fotografia digital.
Mas hora e meia de conversa, viva e apetitosa, não pode “cobrir”
todas as vertentes.
Para quem não esteve resta a consolação de a exposição ainda
ficar durante uns tempos. Recomenda-se.
By me
Celebramos um montão de coisas ao longo da vida. Aquilo que
menos celebramos é a vida por si mesma. O meu contributo.
Pentax K100D, Sigma 400, 1:56 + extensor
By me
Brincando com uma 35mm.
Sugestão: Veja-se o filme “Yi-Yi”, de Edward Yang, feito em
2000 e objecto de prémio de melhor realizador no Festival de Cannes 2000.
Entre outros aspectos, observe-se como ele faz enquadramentos
de acção verticais num suporte horizontal convencional. Brilhante e sugestivo.
Pentax K1 mkII, Pentax-M 35mm 1:2
By me
Aquelo dispositivo de dois depósitos ligados que, ao ser
invertido, a areia cai de um para outro, servindo de contador de tempo.
Por comparação pessoas há que, ao inverte-las, nem areia
cai.
By me