Foi já há uns vinte anos, decorria o meu projecto “Old
Fashion” no Jardim da Estrela e fui abordado por duas senhoras catequistas já
não sei de que confissão religiosa.
Não costumo ser rude para com estas pessoas. A sua conversa
não me interessa por demais e tento afasta-las com a urbanidade que posso e
sei. Por vezes recorrendo a estratagemas pouco ortodoxos, mas não rudes.
Desta feita esgotei os que tinha sem sucesso. Eu estava ali
“amarrado” à minha câmara montada e elas tinham-me como “vítima” garantida.
A conversa terminou, com vitória para mim, quando lhes
apresentei um argumento adequado ao que ali fazia:
“As senhoras prometem a felicidade numa eventual vida após a
morte. Da qual não há testemunhos que não a fé. Eu propicio a felicidade, aqui
e agora, ao entregar, de borla, fotografias a quem mas pede e provocando
sorrisos. Quem, de nós, tem mais sucesso?”
Engoliram em seco, disseram mais uma ou duas coisas e
zarparam. Devem ter-me identificado como Belezu encarnado.
Mas o certo é que essa é a minha abordagem.
Podemos e devemos trabalhar para a felicidade futura. Sejam
quais forem os conceitos de felicidade e os prazos considerados.
Mas não devemos descurar a felicidade no momento em que
vivemos. Não apenas fazendo por ela mas encontrando-a no que somos e temos.
E, principalmente, fazendo com que ela se espalhe, qual
epidemia, em redor. Mesmo que em pequenas coisas e por uns instantes.
Como? Depende das circunstâncias, dos envolvidos e das suas
capacidades.
Se a vida fosse uma fórmula resolvida…
Pentax K100D, Sigma 70-300
By me


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