De algum modo todos nós acompanhamos a tempestade que
atravessou o país. Quer fosse porque se a viveu, quer fosse porque a
comunicação dela falou.
Casas destelhadas, gente que morreu, negócios, indústrias,
colheitas, áreas inundadas, falência de serviços e bens básicos... de quase
tudo se falou e mostrou.
O que ficou de fora das pantalhas e letras, gordas ou
magras, foi o que aconteceu aos vivem nos cartões ou frageis tendas.
Esses, os invisíveis que mais não são que os incómodos porque
nos abordam à porta do supermercado ou nas esplanadas, a quem se vira a cara e
que nem uma negação de ajuda têm direito porque lhes damos as costas, de quem
nos desviamos porque o seu aspecto incomoda o nosso sentido de ordem
pequeno-burguês, esses invisíveis não eleitores, não cidadãos, não pessoas, sem
rosto nem voz, não tiveram nem cinco segundos ou duas linhas na comunicação
social.
Que mais grave é o voar do telhado da indústria que a frágil
tenda; que mal falam para as câmaras, que vergonha têm de terem perdido os
cartões ou de terem os finos cobertores encharcados. E que sabem que as
moedinhas à porta do supermercado vão rarear até os telhados se refazerem e as
luzes voltarem a iluminar o sofá onde se acede às redes sociais.
Dos fracos não reza a histórias. Nem os noticiários.
Pentax K7, Sigma 70-300
y me


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