Vamos andando entretidos com as diatribes que nos aparecem
lá do outro lado do Atlântico. E com as lutas presidenciais por cá. E as
guerras a oriente, europeias ou mediterrânicas. E as horas de espera nos
hospitais. E as depressões e tempestades, que mandam fechar estradas e
suspender aulas. E os conflitos laborais, públicos ou privados.
E, no meio de tudo isto e o mais que venda jornais ou
aberturas de noticiários, outras questões há que, na sombra de todas aquelas, vão
sendo noticiadas mas quase que por engano.
Questões que não são urgentes mas que marcarão o futuro quotidiano
de muitos milhares de portugueses. Em permanência.
Questões que não são de urgência ou de solvência mas tão só
porque apetece à elite dirigente. Questões ideológicas, e à revelia dos
programas eleitorais, que vão moldando aos poucos a sociedade sem que esta se
possa pronunciar sobre o assunto.
No caso concreto, a eventual mas anunciada privatização das
linhas urbanas da CP.
Aquelas linhas que transportam muitos milhares de cidadãos
de e para o trabalho, gente que não tem alternativa nesse serviço público e
imprescindível.
Porque, e não nos enganemos, a palavra chave desta classe
dirigente é “privatizar”. Ideologicamente. Colocar os que menos têm a pagar
para os que mais têm, através de serviços que são de todos e que querem só de
alguns.
E vão-no fazendo com a discrição que conseguem, entre uma
tempestade e uma sala de espera, à sombra de uma qualquer chacina lá longe. Com
a cumplicidade dos media. Privados ou não.
Citando Saramago: “... e, já agora, privatize-se também a
puta que os pariu a todos.”
Nikon Coolpix P7000


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