sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sem ver



Já pensaram na quantidade de coisas que são capazes de fazer sem para ela olharem?

Por exemplo, coçar a curva do joelho. Ou atarem um avental à frente das costas.

By me 

Azares



Coisas e pessoas são o que são!
Há quem se preocupe, séria e afincadamente, com a chamada “Qualidade fotográfica”. Nitidez, cor, gamas e contrastes, composição…
Nunca ouviram falar de Adams, Newton, Kertesz, Weston ou outros.
Há outros para quem essa questão não é um fim. Mais não é que um meio, e nunca o único, para se atingir um dos objectivos da fotografia: exprimir sentimentos.


Azar o meu, estou convencido que pertenço ao segundo grupo.

By me 

Fim da linha anunciado



Ou, se preferirem p’la positiva, o início de uma viagem.
Mas o melhor de tudo nunca é nem o seu início nem o seu fim: é o viajarmos.

Que para estarmos parados, estagnados, agarrados a um ponto ou pensamento, teremos toda a eternidade.  

By me

A melhor de todas



Esta é, estou em crer, a mais bela e completa fotografia que fiz ou farei!
Seguindo as tendências da moda contemporânea, trata-se de uma “street photography” no mais puro estilo “minimalista”.
Nela pode-se ver no formato desejado por vós (número de lados e respectivas proporções) a rua de que mais gostam, com a luz que lhe é mais favorável e as personagens mais típicos.
Note-se que a gestão de espaço segue as estéticas mais divergentes na sua convergência máxima, tanto no classicismo das linhas geométricas implícitas como na total ausência de equilíbrios, tão ao gosto dos anti-convenções.


Características técnicas: Nikon Coolpix 7000; ISO - automático; abertura -  automático; tempo de exposição – automático; foco - automático. Nenhum tratamento posterior, excepto o reduzir o seu tamanho para um conveniente para a net.

By me 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013


Há alguns motivos que me fazem cortar as relações com outrem, ficando estas restritas ao indispensável, profissionalmente também, se for esse o caso.
Um desses motivos é essa pessoa recorrer ao aumento de volume, grito mesmo, quando lhe faltam outros argumentos no decorrer de uma troca de opiniões mais acesa ou renhida.
Outro é quando alguém, confrontado com conversas que lhe desagradam e o colocam em causa, abandonar o local sem mais explicações, deixando-me “a falar sozinho”.
Tanto uma situação como a outra me deixam capaz de dizer palavrões. Ou me retiram a capacidade de entabular qualquer outro tipo de conversa que não seja a estritamente necessária às tarefas em curso.


Nota extra: se estas linhas, em forma de desabafo, formarem algum barrete que sirva nalguma cabecinha, terei ganho o dia!
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Pecadilhos



Estas são as cancelas de acesso aos cais de embarque da CP. Pelo menos na linha onde moro. E, neste caso, vistas depois de as transpormos.
Estas cancelas, ou canais como eles lhes chamam, impedem que se suba aos cais e aos comboios quem não tiver bilhete válido e obliterado nos sistemas que possuem. As cancelas da esquerda são as comuns, a da direita é chamada de “canal especial”, por onde devem e podem passar quem se fizer deslocar em cadeira de rodas, com crianças pequenas ou volumes grandes, passíveis de ficarem presos nas outras, mais estreitas e rápidas. O seu funcionamento é a três tempos: carrega-se num botão para que se abra a primeira porta, entramos e apresentamos o bilhete no validador, fecha-se a de trás e abre-se a da frente.
Mas muitos são os que, aproveitando o tempo de abertura para que um passageiro passe, empurram e passam também, na esperança de no comboio não encontrarem revisor. Tal como muitos são que usam o canal especial para passarem três ou quatro com um único bilhete.
E muitos são também os que, em dias de greve ou de avarias, em que as cancelas estão abertas, as transpõem sem obliterar.
Claro que cada um fará como entender, tal como eu mesmo. E o meu código de conduta leva-me a que, de cada vez que nelas passo faça a validação do bilhete. Uma questão de princípio, que em nada se prende com fiscalizações mas antes como conceito de “se uso, pago-o”. Simples.

Hoje cometi uma infracção. Assumida, deliberada e provocada por mim.
Junto às cancelas vejo uma senhora, com ar modesto e uma gravidez já avançada, a tentar passar “à boleia” com outro passageiro. E a não conseguir, que a agilidade já era pouca mas o volume muito.
Uma vez, duas vezes, três vezes. Uma delas ia mesmo ficando entalada, naturalmente que na barriga. “Saltou-me a tampa”!
Aproximei-me dela e atirei-lhe um “Venha comigo”, dirigindo-me para o canal especial. E ela veio. Abri-o, entrei e esperei que ela entrasse também. Claro está que dois outros aproveitaram a “boleia”, empurrando-a como não deveriam fazer.
E lá coloquei o meu próprio bilhete onde deveria, as portas fecharam-se e abriram-se pela ordem correcta, e passámos todos.
Não sou responsável p’los actos dos demais mas tão só p’los meus. Mas não me estava a apetecer que aquela futura criança, que de comboios ainda só conhece a trepidação e o som, fosse já apanhada p’las imposições e proibições que hoje temos que viver. Terá muito tempo p’ra isso, espero eu, ao mesmo tempo que saberá o que é o ar fresco de uma estação subterrânea em dia de muito calor.
Dou de barato a ilegalidade cometida p’lo bem-estar da criança.

O interessante no meio de tudo isto foi a conversa dela, enquanto subíamos as escadas e esperávamos p’lo comboio.
Entrecortada por vários agradecimentos, sempre me contou que morava a meia distância entre esta e a estação seguinte, mas que o caminho a partir da outra é mais fácil, com menos subidas beras de fazer. E que, noutras circunstâncias teria ido a pé. Mas que estando assim…

Espero que não tenha encontrado um revisor e que, na estação seguinte, alguém lhe tenha facilitado a passagem.

By me 

O título da notícia é “Bale pode rumar a Madrid por 120 milhões”.
Enquanto isso, não é notícia quantos rumam daqui p’ra fora por menos de mil euros.


As notícias do desporto estão, cada vez mais, obscenas!

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Atitudes



Não sou conhecido por ter bom feitio. Nada faço propositadamente para tal, mas também nada faço para o evitar.
Enquanto consumidor continuo a ser merecedor de tal fama.
Há uma cadeia de supermercados que não frequento. Não se prende com preços ou práticas laborais. Ao que consta, terá preços concorrenciais.
Acontece que muitos produtos que vende são importados da União Europeia. Também nada tenho contra isso. Se tivesse, seria adversário à União, que não é o caso.
Aquilo que de facto acontece é que alguns desses produtos referem apenas terem sido fabricados na EU, excluindo o país onde tal aconteceu. E é aqui que a porca torce o rabo. Que, excepção feita ao que não posso evitar, recuso consumir produtos oriundos da França.
Ainda não esqueci que, antes de assinar um tratado de não proliferação de armas nucleares, e à revelia de tudo quanto era opinião p’lo mundo fora, tratou de testar as suas próprias armas em atóis no Oceano Pacífico. Deixando por lá, nos “quintais” dos que lá residem, os resquícios de tais testes. Se o tivessem feito em solo pátrio, arcando os franceses com tais resíduos, admitiria. Agora levando outros povos a ter que conviver com isso… Não lhes perdoo!
De igual modo não consumo produtos da marca Parmalat. Não está em causa a sua qualidade. Dela não posso aferir, que há muito que os não provo. O que me deixou mesmo incomodado, para não usar um termo bem mais agressivo, foi a forma como esta marca se implantou em Portugal.
Monopolizou produtores e distribuidores, concorrência de preços aos pequenos comerciantes com regras de exclusividade absurdas, com o enorme capital investido de origem levou à falência outros produtores, transformadores e produtores… entrou à bruta, sem olhar a meios para atingir os fins. Impiedosamente.
Não lhes perdoo as falências e desempregos que então provocou entre os concorrentes e nas empresas que comprou para de seguida encerrar.
A lista de países ou marcas que me desagrada é bem longa e não se restringe a estes dois. E se levasse ao pé da letra os desagrados que tenho pelas má práticas económicas ou políticas, talvez que só me restasse refugiar-me numa qualquer ilha, bem isolada e longe de tudo e todos. Mas não o posso fazer.
Assim, mantenho alguns, e apenas alguns, desagrados de estimação, fazendo-lhes um boicote constante e respectiva divulgação.
Uns acabam por cair no olvido, outros sobem na lista e atingem lugares de topo. Outros ainda redimem-se, como foi o caso da Republica da Africa do Sul, cujos produtos passei a aceitar e consumir quando terminou com o regime de Aparthaid.


Não serei conhecido por ter bom feitio. Mas certamente que ninguém me poderá acusar de não tentar ser coerente nos princípios e nas práticas. Mesmo que, volta e meia, me esqueça ou faça de esquecido.

By me

Pão com manteiga



Quando ontem entrei, p’ra comprar o meu pão casqueiro, apanhei a conversa por metade. Dizia quem estava atrás do balcão p’ra quem estava à porta, já de saída:
“Não dá! Saio às duas, vou arranjar as unhas e depois… avião.”
A interlocutora disse qualquer coisa como “Ah, é pena!” e seguiu. E eu fiquei a olhar p’ra minha conhecida, sempre portadora de um sorriso de orelha a orelha. Atirei-lhe, meio cusco:
“Vai de férias?”
“Vou, vou à minha terra ver a família. Tenho lá uma sobrinha que ainda não conheço… E já lá não vou há três anos.”
Saiba-se que por “minha terra” se deve ler “Ucrânia”.
Desejei-lhe boa viagem e saí com o casqueiro no saco, acabado de fazer, p’ro almoço e p’ros dias seguintes.
Fiquei a pensar na conversa, que nada tem de especial.
Foram já várias as senhoras oriundas destas e de outras terras distantes que ali trabalharam e que regressaram p’las férias. Uma delas em definitivo, se bem recordo. Tal como nada tem de especial o passarem anos antes de o poderem fazer. Afinal, sempre são muito quilómetros, de avião ou por terra, não sendo barata a viagem. E os motivos porque cá estão prendem-se com dinheiro, não sendo o salário que auferem dos mais gordos. Bem p’lo contrário.
O que realmente me prendeu a atenção foi o detalhe do que haveria p’ra fazer, mesmo antes de embarcar: o arranjar das unhas. Preocupação bem feminina, por certo. Mas igualmente indicadora da relação desta senhora, e seus familiares, com os seus conterrâneos. Que não quererão mostrar por lá, p’lo aspecto que exibirem, as agruras que por cá passam. Que, nalguns casos, nada têm de pequenas.

No momento em que escrevo estas linhas e como mais um pedaço do último pão que me vendeu, já ela lá estará e, por via dos fusos horários, já terá pequeno-almoçado. Que p’la certa é diferente deste meu casqueiro e que terá sido, talvez, feito por um vizinho ou familiar.
Boas férias!


 By me

Votando



Nesta questão da lei eleitoral e dos impedimentos, as coisas foram feitas só por meio. Como aliás sempre que se relaciona com a ascendência ao poder, que sempre se deixa uma aberta para quem dela conheça e saiba tirar partido. Em regra, quem fez a lei.
A discussão está em torno da possibilidade, ou não, de um autarca ultrapassar o tempo limite nas funções, noutra autarquia.
Uns dizem que sim, que é legal, outros juram que não, que ilegal e à margem do espírito da lei… há opiniões para todos os gostos.
Acontece que, para simplificar as coisas, eu teria acrescentado uma coisinha pequena que acabava comas interpretações subjectivas:
Ninguém se poderia candidatar a uma autarquia se não tivesse estado inscrito nela como eleitor na eleição anterior. E teria que residir na autarquia por onde foi eleito durante todo o mandato. Simples.
Desta forma, evitava-se que um autarca (municipal ou freguês) fosse eleito numa zona que não conhece. Não faz sentido, e vimo-lo com o exemplo de Pedro Santana Lopes, sair um presidente de câmara da Figueira da Foz para Lisboa. Ou o contrário. Que poderia ele saber de um município onde não reside? Onde não conhece os munícipes? De onde não sabe as suas aspirações e vontades?
A menos que se pretendam, à frente dos municípios e freguesias, meros tecnocratas políticos, cumpridores de estratégias partidárias mas pouco ligando às populações.
Esta medida, para além de enraizar os autarcas à autarquia, evitava as discussões que agora têm acontecido.

E deixava tudo muito mais transparente, acrescente-se.

By me