domingo, 31 de maio de 2009

Viva quem faz!


Era uma festinha!
Com bonecos feitos com balões, castelo insuflável, prendas e lanche. Abrilhantado pelo “Sr. Lino”, que cantou Kuduro e Kizomba com letra adequada aos presentes. Talvez deva dizer, em rigor da palavra e do género, das presentes.
Que a festa era promovida pela organização “Ajuda de mãe”, entidade particular de apoio a jovens adolescentes, e adultas como me foi explicitado, mães solteiras. Com fortes dificuldades económicas ou sociais.
E o público era em consonância: mulheres de todas as idades e cores, algumas absurdamente novas, todas com crianças de colo ou pela mão. Alguns dos pequenotes com pouco mais que uns dias de vida. Aliás, e como comentou uma decana Caboverdiana com quem conversei, tão pequenos e novinhos que havia de que ter cuidado em não os pisar, espalhados que estavam pelas poucas cadeiras de plástico e pelo relvado contíguo.
Soube do que se passava porque o perguntei, abelhudo que sou. E quando, um pouco depois, um dos sócios do quiosque de gelados foi até lá, também movido pela curiosidade, lá lhe expliquei, acrescentando que era uma causa meritória.
Passada que foi uma meia hora, mais coisa, menos coisa, eis que vejo dirigir-se àquelas que pareciam ser as organizadoras a sócia do quiosque. Com um caixote de tamanho médio que segurava com ambas as mãos.
Falou o que tinha a falar, deixou o caixote e afastou-se. Com um sorriso para mim e a afirmação, a uns bons dez metros de distância: “A minha boa acção do dia!”
Não sei se tinha gelados (talvez não que o calor era muito e pouco durariam), se qualquer outra guloseima. Mas valeu a pena ver e saber que aconteceu. No Jardim da Estrela.
Viva quem faz e que possui estes olhos!


Texto e imagem: by me

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Think!


Para proteger a democracia?????


Eu sei que na lapela do meu colete anda este emblema.
E que ele é, na sua raiz, antagónico com o conceito de eleições ou mesmo de democracia.
Mas, tenho que admitir, uma coisa é o conceito de sociedade que gostaríamos de ter e pelo qual nos batemos, outra é aquilo que podemos conseguir em tempo útil de vida. E não creio que os meus netos, ou mesmo os seus netos, alguma vez possam chegar onde eu mesmo gostaria de chegar.
Donde, há que co-existir com a democracia e com as semi-liberdades que ela nos permite. Mas nunca permitir que ela, a democracia, regrida ou que as liberdades diminuam. Ou que as proibições e obrigações, por via de lei, cresçam e nos limitem na nossa condição de cidadãos.
Leio, na versão on-line do Público, o artigo que a seguir se transcreve. E assusto-me com o seu conteúdo, com a possibilidade de, uma vez mais, darmos uns valentes passos atrás no sentido das liberdades de consciência.
Quando a liberdade e a democracia passam a impostas e obrigatórias, deixam de o ser!


Para "proteger" a democracia
Carlos César defende voto obrigatório em Portugal
O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, defendeu hoje o voto obrigatório nas eleições em Portugal como forma de “proteger” a democracia e aumentar a responsabilidade dos políticos.
“Defendo o voto obrigatório porque, se a democracia não se proteger, quando precisarmos de autoridade democrática, ela será precária e, quando precisarmos de decidir, duvidaremos sempre da legitimidade das decisões”, afirmou Carlos César, num jantar realizado na Casa dos Açores em Winnipeg, no Canadá.
Para o presidente do executivo açoriano, também dirigente nacional do PS, esta questão “tem que ser resolvida de uma vez por todas”, defendendo que é necessário “ter a coragem de, democraticamente, defender a nossa democracia”.
No discurso que proferiu perante mais de 500 pessoas que se reuniram na Casa dos Açores nesta cidade canadiana, Carlos César considerou que “deve ser criado um movimento no país para que a obrigatoriedade do voto vigore, tenha protecção constitucional e legal”.
Para Carlos César, que também é membro do Conselho de Estado, desta forma “a democracia será revigorada, transmitindo transparência à vontade do povo português e maior responsabilização à acção dos políticos”.
No mesmo sentido, destacou a importância dos emigrantes açorianos participarem de forma cada vez mais activa na vida política dos seus países de residência. “Um açoriano, se for cidadão canadiano, não é menos cidadão açoriano. Até é mais. Não só é açoriano, como é canadiano, e isso é bom para os Açores, é bom para o Canadá e é bom para todos os cidadãos”, afirmou.
Carlos César tem hoje contactos com as autoridades políticas canadianas em Winnipeg, antes de viajar para Toronto, onde decorrem domingo as comemorações do Dia dos Açores.


Imagem e comentário: by me

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre gaffitis


Pessoas há que abominam os graffitis. Por mim, até lhes acho graça!
Por um lado, o acto de os fazer é um puro acto de rebeldia, de inconformismo. O fazer o proibido, às escondidas de quem fiscaliza ou se pode queixar, tem algo de romântico que me atrai, ainda que não os faça.
Por outro lado, uma cidade limpinha, sempre em consonância com o que os arquitectos desenharam e conceberam é demasiado certinha para o meu gosto. O escrever coisas nas paredes, ou nelas afixar coisas, faz da cidade um espaço vivido, com pulsação, em que os seus habitantes tratam de a moldar a seu gosto, que até pode ser discutível, mas que não tem que ser em exclusivo o que saiu das pranchetas e que tem o carimbo de “aprovado” do município.
Por outro lado ainda, prefiro que a questão da definição de territorialidade seja afirmada por escritos nas paredes, com tinta, a que seja com sangue, no empedrado da calçada durante uma rixa.
Por fim, os graffitis servem para pôr à prova a nossa imaginação de várias formas. Quer seja para tentar ler o que consta ali, quer seja para tentar descortinar quem e com que aspecto o fez. E, enquanto o fazemos, o tempo vai passando, sendo menos penoso o esperar pelo comboio, autocarro ou a hora do encontro.
Claro que mais pode ser dito em prol dos graffitis, nomeadamente o sentido de liberdade que os seus autores possuem ao ficarem indiferentes com o espaço disponível e usarem tão só aquele que querem. Esquecendo por completo os limites da superfície. Mal comparado, ou talvez não, talvez que só sejam compatíveis com os autores de graffitis os autores das pinturas e gravuras rupestres dos nossos antepassados pré-históricos.
Poluição visual urbana? Nem de perto nem de longe!


Texto e imagem: by me

Crise


A crise está de tal forma que já nem horas se dão: cada um que se organize!

By me


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma não notícia


A coisa aconteceu lá do outro lado do mundo. Tão lá do outro lado que os relógios diferem onze horas. Longe p’ra chuchu!
Pois lá desse lado, onde impera o Oceano Pacífico que de pacífico nada tem, a Terra sismou.
De magnitude 6,1, aconteceu a 270 Km a sul das ilhas Kermadec, a uma profundidade de 12000 metros, mais coisa, menos coisa. E 6,1 é obra!
É o suficiente para provocar bastantes danos numa cidade, com um número considerável de vítimas mortais. Para já não falar nos que ficam sem casa. Acontecimento digno de mobilizar os media do mundo inteiro, de pôr em marcha planos de ajuda humanitária bem como discursos de condolências dos altos dignitários.
Mas nada disso aconteceu! Aliás, não fora uma pequena notícia no Sapo on-line, que refere a agência Lusa, que cita uma agência sismológica Norte Americana, nem de tal teríamos conhecimento. De um sismo de grau 6,1!
E não vale a pena ficar-se de boca aberta perante esta omissão ou ausência de informação.
Este arquipélago é tão pequeno, mas tão pequeno mesmo, que é desabitado, excepção feita a uma das ilhas, onde existe uma estação de observação sísmica.
Não há mortos, não há feridos, não há danos materiais. Nem ajudas humanitárias ou políticos em movimento.
Logo, não há notícia. Simples!


Texto: by me
Imagem: edit from Google Earth

sábado, 23 de maio de 2009

Cenário


Volta e meia pergunto-me se o mais apaixonante no “Oldfashion” será quem fica à frente da objectiva se o cenário.


Texto e imagem: by me

Cidadão indignado


Estava eu, descansadinho da Silva com o meu artefacto no Jardim da Estrela, quando os vejo aproximar. Ela com vinte e poucos e com o microfone na mão, ele na casa dos trinta e com a câmara na mão.
Fui olhando com atenção, tentando, em vão, perceber para que empresa ou estação trabalhariam. Acabei por o saber, após lhes perguntar: Um canal de TV on-line, recente, com pouco mais de um mês de existência. E aproveitaram eles para me pedir se poderia responder as umas perguntas sobre os jardins de Lisboa. Claro!
Aliás, achei tal graça à situação, que acabei por puxar dos galões e falar-lhes do meu próprio ofício. De mestre para mestre, pensava eu, que a forma como manusearam as ferramentas me demonstrou bem o contrário. Mas, sendo que ninguém nasce ensinado, acabei, por no final, ainda lhes dar uma ou duas dicas que, penso eu, lhes terá facilitado e melhorado a função.
Em chegando a casa lá fui ver o tal canal on-line. Não tanto por mim, mas antes para perceber o que vai acontecendo neste suporte em língua portuguesa. E foi aí que fiquei incomodado. Muito incomodado mesmo!
Trata-se de um canal temático. Mas o seu tema é o apoio à candidatura à câmara de Lisboa de Pedro Santana Lopes. E nada me disseram sobre tal questão, quando me abordaram!
Não bastava a recente bronca com o PS e o “Magalhães”, há mais quem o faça e, pelo que vi na web, até nem será novidade: falar com os cidadãos e não lhes dizer que as suas palavras serão usadas em prol deste ou daquele projecto político. Concorde-se ou não com ele.
A grande vantagem da Internet é, sendo quase completamente acrata, não possuir limites aos seus conteúdos e utilizações. O problema são mesmo os abusos, neste e noutros sentidos. E um canal de vídeo on-line que só discretamente se identifica com uma campanha política não é, em meu entender, uma forma lisa, clara e honesta de o fazer. Eu diria que é bem o seu oposto.
Não creio que a CNE (Comissão Nacional de Eleições) ou a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação) concordem com estes métodos sub-reptícios e nada transparentes. Estou mesmo em crer que este canal on-line e a forma como recolhe depoimentos fere alguma ou algumas das demasiadas regras, normas ou leis que existem em Portugal.
Não sou munícipe de Lisboa. Mas, se o fosse trataria de dar voz bem alta a este caso junto dos eleitores, para que saibam os métodos por um dos candidatos empregue!


Texto: by me
Imagem: edit by me

sexta-feira, 22 de maio de 2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Da ignorância ao crime


A coisa aconteceu pelo pôr-do-sol, como não podia deixar de ser.
Na estação fluvial do Cais-do-Sodré, em Lisboa, vejo um vigilante da empresa Securitas com um escadote debaixo do braço. E fiquei curioso até porque, ao que sei, não fazem eles trabalhos de manutenção nas instalações que vigiam. Deixei-me ficar por ali.
E constato que, afinal, o escadote era para poder aceder aos pontos de amarração das guias das bandeiras que drapejavam nos três mastros. As amarrações estão bem altas, tão altas que só mesmo de escadote ou equivalente se lhes chega. Suponho que por via de brincadeiras ou vandalismos.
Põe-se o homem, diligentemente, a arrear a primeira, da União Europeia. No final, depois de solta e arremessada ao chão como se de um trapo velho se tratasse, enrolou as guias e amarrou-as de volta onde estavam. E tratou de encostar o escadote ao segundo poste, onde alteava a bandeira Nacional.
Há que dizer, neste ponto, que não dou nenhuma importância a essas coisas dos códigos e símbolos nacionais. Nem a esse disparate que é a existência de fronteiras e a posse de terra. Como se o Homem pudesse reclamar a posse de tal se, ainda ele era menos que amiba e ela já por cá andava. E ele não será mais que fosseis antigos e ela continuará a por cá estar.
No entanto, e apesar desta minha posição, se os códigos devem ser cumpridos, então que o sejam no todo e não apenas em parte, dependendo da vontade arbitrária de cada um ou consoante as circunstâncias e o grau de humor.
Assim, e no que toca a bandeiras, há duas regras absolutas e, suponho, universais: A bandeira Nacional não pode estar hasteada às escuras (daí o ser arreada ao pôr-do-sol) nem pode estar mais baixa ou ser descida, no seu próprio território, antes de qualquer outra hasteada no local. O Símbolo Nacional não pode ser menosprezado!
Assim, ao ver o vigilante preparar-se para arreara a bandeira Nacional antes da terceira, por sinal a da empresa de transportes fluviais, achei que deveria intervir pedagogicamente, falando com ele e explicando-lhe como as coisas se passam de acordo com a lei.
Ignorou-me por completo e continuou a tarefa. Insisti, lembrando-lhe mesmo que o que estava a fazer poderia ser considerado crime contra a pátria e, como tal, punível por lei.
Foi desabrido na resposta e continuou o que estava a fazer!
Aqui fiquei incomodado! Uma coisa é ignorar a lei, outra é deliberadamente infringi-la. E, tirando do saco o bloco de apontamentos e do bolso a caneta, pedi-lhe os dados de identificação constantes no cartão que, regulamentarmente, tinha pendurado no peito. Recusou-mos liminarmente e, perante a minha insistência, acrescentou que só os daria a um agente da autoridade.
Sei, de fonte segura e da prática, que já por cá ando há muitos anos, que não é assim. Mas como em nada adiantava discutir com ele, que o seu humor assemelhava-se ao de uma tarântula com crise hepática, afastei-me.
Dirigi-me ao interior da estação e pedi a um seu colega para falar com o chefe do terminal, ou com quem que o representasse. Meio a custo, lá consegui chegar-lhe à fala e explicar-lhe o sucedido.
Acto continuo e pelo rádio deles, perguntou ao vigilante em causa o que eu queria saber. Não o confirmei visualmente, mas não creio que me tenham mentido. Tal como não acredito que o nome e posto do meu interlocutor tenha sido inventado quando mo disse a pedido.
Tenho esses dados, e mais alguns complementares, anotados no meu bloco. E ainda não sei que destino lhes dar. Se os fazer chegar à empresa onde o vigilante trabalha e às forças de segurança ou se me fico com o susto que ele apanhou com a conversa que o chefe do terminal teve com ele à medida que me afastava.
Porque, ou bem que as regras são para serem cumpridas ou, em as sabendo, assuma-se a responsabilidade da sua infracção.


Texto e imagem: by me