quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Limite de liberdade




Liberdade é aquela coisa que desde sempre foi defendida por todos, individual ou colectivamente, mas sempre condicionada.
“A minha liberdade termina onde começa a liberdade dos outros” ou “Liberdade para todos menos para os inimigos da liberdade” são dois dos mais comuns conceitos que limitam a liberdade.
E a sociedade baliza a liberdade com normas e regras, numa tentativa vã de garantir a sua existência, sem se aperceber que na verdade a está a cercear.
O grupo e os seus líderes abominam aqueles que são ou procuram mesmo a verdadeira liberdade individual, não permitindo com leis que a encontre.
Uma das liberdades mais limitadas, se existente, a que versa a morte. A morte do próprio.
Porque é algo não reversível, porque é um escapar aos ditames sociais, porque é um gritar pela individualidade acima do colectivo.
O suicídio tem sido (e estou em crer que continuará a ser) censurado, condenado, proibido em quase todas as sociedades e culturas. Excepto quando a “honra” está em causa e mesmo essa é um obedecer às normas sociais.
E é tão condenado que se impõe aos próximos do suicida um manto de vergonha ou de consequências, que ficará para sempre, dure o que durar o “sempre”. Para que esse “peso” das consequências pese na mente de quem no suicídio pense e o não faça. Já que outro castigo não será possível.
A eutanásia ou suicídio assistido, de que agora se fala, tal como o suicídio solitário e autónomo, põe em causa o poder da sociedade sobre o individuo. Poder civil ou religioso, que é outra forma de exercer o poder sobre o individuo.
E tudo farão, aqueles que detêm esse poder, mesmo que disfarçando de liberdade, para continuar a impedir que alguém queira decidir sobre si e o seu futuro à margem das regras e do poder instituído.
Sou apologista que as causas que podem levar ao suicídio devem ser mitigadas ou anuladas. O sofrimento físico ou mental deve ser reduzido até ao valor zero.
Mas, e se apesar disso, a vontade de morrer se mantiver para além de qualquer dúvida, não deve ser contrariada. Nem directamente ao individuo nem rotulando e “punindo” os que lhe são próximos.
A quantificação da liberdade é a sua negação óbvia!



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