terça-feira, 4 de julho de 2017

39 anos



Já lá vão vinte e nove anos e quatro dias que tive direito a usar este pin. Ou alfinete de gravata.
O orgulho de então continua intacto.
Infelizmente, somos cada vez menos a ter esse orgulho e cada vez mais a ter a tratar “isto” como se de lixo ou item fora de prazo fosse.
A estes, uma recomendação: sejam honestos naquilo que fazem, desempenhando as suas funções com a mesma diligência com que querem que seja pago o respectivo salário.

Cuspir no prato onde comem não é, pela certa, coisa boa.

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Calor



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segunda-feira, 3 de julho de 2017

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Roubado por aí


“Sabes que vives no paraíso quando um paiol é menos vigiado que um centro comercial.”
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Na versão electrónica de um jornal, duas notícias na secção “País”. Seguidas.
Uma tem o título “Acidente: Uma pessoa morreu em colisão de veículos na Maia”. A outra é titulada “Óbito: Morreu o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora”.
Na segunda faz-se uma resenha da vida do defunto, académica, profissional e política, e é-nos dito que morreu de doença prolongada.
Na primeira dizem-nos que além do morto houve mais um ferido mas que a fonte informativa não soube informar género ou idade do falecido.
O anonimato de um e a publicidade de outro torna uma das mortes menos trágica que a outra? A morte prevista, porque de doença prolongada, é mais pungente que a outra, súbita e imprevista? A vida de um, porque pública e notória, é mais importante que a do outro, ignoto e anónimo? Perguntem aos familiares e amigos de um e de outro.
Óbito e acidente. Assim se tratam, ao mesmo tempo, políticos e Zé Povinho.


Por vezes tenho vergonha do meu ofício.

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domingo, 2 de julho de 2017

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Vejo alguém que, em mostrando a fotografia de um cachorrinho, diz: “A nova aquisição”.
Suponho que diria o mesmo se fosse um carro, um televisor ou um relógio.

Pobre cachorrinho.
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Chhhhhhh



Há quem defenda que tudo aquilo que fazemos na vida regressa. O de bom e o de mau. De um modo ou do outro.
Deve haver algo de errado nas minhas contas do deve-e-haver. Ou sou eu que não as sei fazer, ou o registo está errado.
Que não creio merecer o que agora recebo.

Obrigado vida.

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

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Há normas, regras, técnicas, que temos por certas. Perfeitas.
Sabemo-lo dos livros, sabemo-lo dos trabalhos que vemos. Sabemo-lo dos trabalhos que fazemos.
E quando nos confrontamos com o seu quebrar ou distorcer, arrepiamo-nos. Porque sai das regras, porque nos incomoda na nossa procura do equilíbrio, do perfeito.
Uma dessas regras, e falando de cinema ou vídeo, é o racord.
Para quem não sabe, racord pode ser definido como continuidade, como coerência na sucessão do que é mostrado.
Pode ser na lógica da história, pode ser na lógica das imagens.
Um exemplo clássico será o vermos alguém com um objecto na mão direita e, na imagem seguinte, tê-lo na mão esquerda. Sem que nada se quebre na sucessão do tempo nem nos ter sido mostrado a mudança. E quem diz um objecto na mão, diz a direcção do caminhar ou olhar, uma peça de roupa, um penteado, a origem da luz…
A falha de racord é algo que os profissionais evitam, como o diabo a cruz.
Claro está que não há regras que não possam ser quebradas ou distorcidas. Sabendo-o e fazendo-o de propósito. Com o propósito explícito de provocar algum tipo de reacção ou emoção em quem o vê. Os mestres, os grandes mestres, usam-no. Para alterar ou condicionar a atitude passiva do espectador. Ou mostrar subtis alterações nas personagens.
Apercebermo-nos disso é um deleite.

O problema põe-se que esta quebra de regras não é segredo. Apenas implica mestria no seu uso, ou o resultado estará apenas um degrau assim de porcaria total.
Os não-mestres tentam imitá-los. As mais das vezes sem sucesso. No cinema, na televisão, nos vídeos on-line, na informação.
Afirmam que é uma técnica superior, que é admissível, que faz parte da nova linguagem do audiovisual.
Infelizmente, estes argumentos apenas servem para encobrir ou disfarçar a sua incapacidade de lidar com o racord e a sua falha. E dizem ser “arte” aquilo que é, na verdade, incompetência.
Ver um raro momento de arte é um prazer.
Ver tanta incompetência disfarçada é um tormento.


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Sobre graffitis



Pessoas há que abominam os graffitis. Por mim, até lhes acho graça!
Por um lado, o acto de os fazer é um puro acto de rebeldia, de inconformismo. O fazer o proibido, às escondidas de quem fiscaliza ou se pode queixar, tem algo de romântico que me atrai, ainda que não os faça.
Por outro lado, uma cidade limpinha, sempre em consonância com o que os arquitectos desenharam e conceberam é demasiado certinha para o meu gosto. O escrever coisas nas paredes, ou nelas afixar coisas, faz da cidade um espaço vivido, com pulsação, em que os seus habitantes tratam de a moldar a seu gosto, que até pode ser discutível, mas que não tem que ser em exclusivo o que saiu das pranchetas e que tem o carimbo de “aprovado” do município.
Por outro lado ainda, prefiro que a questão da definição de territorialidade seja afirmada por escritos nas paredes, com tinta, a que seja com sangue, no empedrado da calçada durante uma rixa.
Por fim, os graffitis também servem para pôr à prova a nossa imaginação de várias formas. Quer seja para tentar ler o que consta ali, quer seja para tentar descortinar quem e com que aspecto o fez. E, enquanto o fazemos, o tempo vai passando, sendo menos penoso o esperar pelo comboio, autocarro ou a hora do encontro.
Claro que mais pode ser dito em prol dos graffitis, nomeadamente o sentido de liberdade que os seus autores possuem ao ficarem indiferentes com o espaço disponível e usarem tão só aquele que querem. Esquecendo por completo os limites da superfície. Mal comparado, ou talvez não, talvez que só sejam compatíveis com os autores de graffitis os autores das pinturas e gravuras rupestres dos nossos antepassados pré-históricos.
Poluição visual urbana? Nem de perto nem de longe! Verdadeira poluição visual são as publicidades, comerciais ou políticas, que nos tentam impingir um produto, escondendo os seus defeitos, com o fim único de fazer lucrar à nossa custa os seus promotores.

Em última análise, os “grafiteiros” juvenis na sua rebeldia mostram-se bem mais honestos e criativos que os publicitários ou directores de campanha. E muito mais inofensivos.

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Chamem-me o que quiserem



Uma das questões que mais atrapalha e comanda os comportamentos é o estar-se ou não integrado numa dada sociedade ou grupo.
E, com isso, controlar os seus comportamentos pelos comportamentos medianos, por aquilo que a “sociedade” define como correcto e não criticável.
Nada de mais errado, absurdo, contraproducente e castrante!

Esta atitude não permite o desenvolvimento e a felicidade do indivíduo, com todas as suas características e potencialidades!
Apenas o transforma em mais um número, ajustando-se à mediania, com receio de ser diferente, notado, apontado a dedo, marginalizado em última análise.
E o erro, a meu ver e ainda ninguém argumentou e me convenceu em contrário, está na definição de “pertencer à sociedade”!
O que de facto acontece, e que poucos são os que o reconhecem ou afirmam e menos ainda os que agem em conformidade, é que no lugar de se pertencer, é-se a sociedade.
A sociedade é o conjunto de todos, com todas as vantagens do grupo e de cada um dos indivíduos. Não se integra a sociedade mas antes molda-se a sociedade à medida de cada um. E a soma de todos os “uns” forma o conjunto!
A contribuição que cada um faz nela, o empurrão que cada um dá no seu trajecto é que define o seu rumo, as suas regras, as suas leis e os comportamentos do todo.
Estas não são definidas por uma qualquer entidade obscura, mítica e autocrática, mas antes pela vivência e vontade de cada um dos seus componentes.
Andar nu, de fraque ou com nariz vermelho e grande é igualmente legítimo!
Ter este ou aquele comportamento apenas porque o grupo o define e não porque o queremos, é integrar um grande rebanho onde os pastores, filósofos, gestores ou políticos nos conduzem pela certa através de um pasto verdejante até ao matadouro ou altar onde nos sacrificam aos seus interesses privados ou entidades divinas.

Pela parte que me toca, tenho comportamentos que estão de acordo ou em desacordo com os que me cercam, não porque eles o querem ou o censuram mas antes porque eu o quero e eu sou a sociedade.

Sem todos os eus, a sociedade não existia!  

By me

Café matinal



Sinto-me particularmente frustrado.
Abro os jornais e as redes sociais a meio da manhã, para que haja tempo de as notícias do dia se espalhem e ganhem volume, e não vejo referências bombásticas a flatulências, vítimas ou futebol.
Estes temas passaram para segundos e terceiros planos como se fossem coisas de um passado distante e inconsequente.

Estou desejoso de saber o que vai agitar jornalistas e internautas até ao fim do dia.

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