O maior receio de um político não é a derrota eleitoral. Que essa faz parte do jogo!
O seu maior medo é que o poder, a gestão da coisa pública, deixe de ser feito por políticos e passe para as ruas. Que passe a ser feito e gerido pelo povo, do mais anónimo ao mais ilustre.
Que, nessa mudança de organização da sociedade, se constata da utilidade (ou o seu oposto) daqueles que constituem a chamada “classe política”.
E não há nada pior para o amor-próprio de um político que a demonstração da sua inutilidade!
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quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Uma questão de identidade
Foi há trinta e tal anos que, fruto de um conflito politico-laboral, passei a ser conhecido por JC Duarte, em vez de “primeiro-nome” Duarte como desde a escola primária e como quase toda a gente.
E se na altura a coisa foi complicada, chegando a implicar o formalizar junto da entidade patronal este “nome artístico” ou “nome de guerra” ou “pseudónimo”, acabei por o assumir como nome próprio e profissional em tudo quanto é lado ao constatar que já havia alguém com o meu primeiro e último nome na campo da fotografia em Portugal.
Ficou o JC Duarte, p’ro melhor e p’ro pior, aceite em tudo quanto é lado excepto no arquivo de identificação e nos bancos, que não gostam desta coisa de apenas consoantes sem vogais.
Aliás, a maior parte das pessoas não gosta disto, deitando-se a adivinhar o que significarão o J e o C, não lhes passando pela cabeça que, ao fim de tantos anos não são um J e um C, duas letras, mas sim um JC, um vocábulo, tal como “Pedro” é um nome composto por cinco letras e não cinco iniciais.
Não será muito comum que alguém tenha por nome próprio um pequeno conjunto de duas letras. Sem vogais, ainda por cima.
Mas também não será muito comum que seja o próprio a escolher o seu nome, mesmo que sem formalidades e documentos oficiais.
A esmagadora maioria das pessoas vive com o nome que pais ou padrinhos lhes impuseram, sem serem ouvidos ou achados sobre os seus gostos ou preferências. No meu caso, mesmo que começando por ser casual, acabei por mandar às urtigas essa tirania e decidi como quero ser tratado: JC.
Apenas um círculo de gente muito restrito, muito restrito mesmo, me trata pelo primeiro nome que consta do meu registo de nascimento.
E sou tão rigoroso nessa exclusividade que já interpelei gente com altos cargos, perguntando-lhes se lhes tinha dado confiança suficiente para me tratarem de outra forma que não fosse como JC ou como Duarte. Abanaram, tentaram responder, mas ficaram-se pelo silêncio.
Creio que toda a gente, mais cedo ou mais tarde, uma ou mais vezes, se terá questionado com “Quem sou eu?”.
Cedo na minha idade adulta decidi que nas relações interpessoais sou o JC.
Quanto ao resto, ainda estou à procura de respostas.
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segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Tampas e cronologia
Este projecto acaba por me levar bem mais fundo do que eu
esperaria, mesmo tratando-se de fotografar tampas de acesso ao subsolo.
Acaba por ter graça prestar atenção às variantes dos
relevos, mesmo da mesma empresa.
E se algumas tampas exibem orgulhosamente a fundição que as
fabricou, outras são particularmente discretas, ou mesmo omissas, sobre tal.
Se algumas incluem o ano de fabrico, pista interessante para
algum estudioso, outras primam por nada dizer sobre tal.
Mesmo a indicação do dono da peça, a empresa que gere o que
lhe está por baixo, varia com o tempo, não apenas com o seu nome como com o
logotipo.
No caso presente, o logotipo está em fase de transição,
possuindo em evidência aquele que seria o novo na altura mas mantendo o
anterior em tamanho reduzido.
Fica-me uma dúvida entre várias, a esclarecer se e quando
tiver oportunidade e energia para pesquisar: Quando terá sido decidido que as
tampas de acesso ao subsolo deveriam ter códigos indicativos das características
técnicas do material e respectiva capacidade se suportar carga.
By me
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
Fotografia e barricadas
Calhou, num outro local virtual que não este, falar de barricadas e dos que estão de um lado e de outro.
E, a esse respeito, relembrei-me desta fotografia, já por mim exibida, e da história que a ela está associada, que também já aqui contei.
Mas sendo que certos alertas nunca são demais fazer, aqui fica o que aconteceu a um dos lados de uma barricada:
Saiba-se que essa coisa de as autoridades usarem imagens para procurar e deter manifestantes nada tem de novo.
Em 1871, aquando da Comuna de Paris, muitos foram os cidadãos que se deixaram fotografar nas barricadas. O orgulho na acção e a novidade da fotografia assim induziam. E os fotógrafos de então faziam uma das primeiras intervenções de foto-reportagem em situações de conflito, desta feita sem ser às ordens de nenhum jornal.
Terminada a Comuna com a vitória das forças do poder, os arquivos dos fotógrafos foram vasculhados pelas polícias. Os retratados foram assim identificados, tendo o seu fim visível na imagem aqui exibida: fuzilados!
Há 142 anos.
Imagem: by Désideri
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Democracias
Tenho vindo a afirmar o meu repúdio pela exclusividade partidária no acesso a lugares no parlamento.
A minha tese não tem colhido grande apreço junto de quem dela toma conhecimento. Ou nem contestam, ou fazem um sorriso irónico ou, aqueles que se dão ao trabalho de responder fazem-no com um “Pois, mas são os partidos que garantem a pluralidade de opiniões” ou “São eles o garante da democracia” e coisas semelhantes.
Mas continuo com a mesma opinião.
Não há leis ou vontades eternas, nem circunstâncias que se não alterem. E se, aquando da redacção da actual constituição, fazia sentido essa exclusividade, hoje não o faz.
Na época, 1975, os portugueses estavam ainda a aprender o que era viver em democracia, depois de mais de uma geração sem ela. A taxa de analfabetismo era gigantesca. O acesso à informação era diminuto e mesmo condicionado pelas lutas de poder e manipulação de conteúdos. Fazia sentido juntar em torno de organizações as tendências para que as escolhas no acto eleitoral fossem mais fáceis ou óbvias.
Hoje não é assim!
Ainda que existam analfabetos, a taxa é quase menos que residual. A democracia tem mais de quarenta anos. A informação está ao alcance de todos e de variadíssimas formas. A ausência de conhecimento sobre propostas e percursos dos candidatos só acontece se e só se os cidadãos as quiserem ignorar. Estejam os candidatos agrupados em torno de partidos ou não.
Por outro lado, o limitar o acesso ao parlamento à exclusividade de partidos impede que outras sensibilidades aí se façam ouvir. Limita a responsabilização dos actos dos deputados perante os eleitores. Facilita a disciplina partidária em desfavor da relação deputado-eleitor.
Mas eu explico um pouco melhor:
Um partido político, mesmo tendo por objectivo o estar ao serviço do país, é uma entidade privada. Só a ele acede quem pelos seus membros for aceite, tem que cumprir os estatutos previamente definidos, tem que respeitar a disciplina interna e a obediência às estruturas dirigentes. Por outras palavras (e de novo) um deputado eleito por um partido tem responsabilidades e fidelização ao partido bem antes e mais importantes que as que terá para com os eleitores.
Mais ainda: aquando de eleições as opções propostas aos eleitores são as de listas de pessoas pertencentes a partidos ou nelas aceites com o estatuto de independentes. Mas essas listas não são disponibilizadas aos cidadãos de uma forma clara e aberta. Quem as quiser saber terá que se dirigir algures a um local que não as assembleias de voto. O que impede, por exemplo, o recusar eleger alguém sobre quem se tem uma opinião negativa, já que nem se sabe que consta na lista daquele partido.
Da mesma forma, a substituição de deputados no parlamento acontece com um mínimo de publicidade. Uns saem, outros avançam e os eleitores nem se apercebem do facto. Excepto se forem muito atentos às notícias ou se se tratar de alguma figura proeminente no panorama político.
Indo mais longe na questão da disciplina partidária acima do respeito pelo eleitor, temos alguns casos relativamente recentes que bem o evidenciam.
Um deputado que foi punido pelo seu partido por, no parlamento, ter votado à revelia da disciplina partidária o orçamento de estado do ano em curso;
A ameaça de expulsão de militantes que se candidataram ou apoiaram outras candidaturas que não as do seu partido aquando de eleições autárquicas;
O ser notícia de primeira página haver deputados que se propõem votar contra o orçamento de estado de um dado ano, ainda que apresentado pelo seu partido.
Ou seja: os membros de um partido devem obediência, antes de mais, ao seu próprio partido. E só depois podem agir em prol dos seus eleitores, tal como se comprometeram.
Ora eu tenho como dogma que um eleito representa os interesses dos eleitores antes de mais. E isso não é possível se ele tiver outros interesses mais relevantes.
Defendo, assim, que o acesso ao parlamento, onde são feitas as leis que regem o país e as relações entre cidadãos, deve ser aberto a todos os cidadãos, inscritos ou não em organizações privadas. E que respondam, antes de mais, aos eleitores que os elegem.
Que isto de ter entidades privadas a gerir a coisa pública a que chamamos de País só se encaixa na democracia à luz das opiniões dos partidos que têm estado a governar e cujo objectivo é, claramente, destruir o estado em favor de privados.
A democracia não é privada!
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Hábitos
Há uns anitos, em resultado de um incidente na rua, rua
fiquei com uma mão partida. Nada de muito grave: gesso e cinco semanas de
imobilidade, vulgo “braço ao peito”. Hoje não tenho resquícios, pelo menos não
os sinto fisicamente.
Claro que foram cinco semanas a tentar sobreviver só com uma
mão activa, com o auxílio de três dedos da outra. A quantidade de coisas que
não conseguimos fazer só com uma mão é incrível. Desde o apertar o cinto das
calças até lavar a cabeça ou as costas, passando por cortar um bife ou abrir um
frasco de conserva dos teimosos. Ou fotografar!
Inventei algumas estratégias, que é isso apanágio do ser
humano, e sobrevivi como seria de esperar. Com neuras descomunais, mas
sobrevivi. Com duas aprendizagens enormes, de assuntos que, sem isso, nunca
teriam o mesmo valor.
Por um lado, e muitíssimo superficialmente, aquilo por que
passam os deficientes, limitados que estão na sua mobilidade. E eu tinha as
duas pernas sãs! Não damos o devido valor às suas dificuldades.
Por outro, o como fazer coisas simples só com uma mão.
Por absurdo que pareça, ficou-me de então o hábito de fazer
muitas coisas só com a mão direita. Inconscientemente. Dou comigo a abrir um
maço de cigarros, ou a preparar café, ou a calçar-me, apenas com a mão direita,
mantendo a mão esquerda pendente e inactiva. Nada me impede de a usar, mas o
meu cérebro a tal me obriga.
Cinco semanas apenas. Um episódio efémero que moldou muito
do meu comportamento.
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terça-feira, 3 de setembro de 2019
Coimas e beatas
Entra em vigor amanhã a penalização para quem atirar pontas
de cigarro – beatas – para o chão. As coimas podem ir de 25 a 250 euros.
Já os estabelecimentos comerciais, que devem disponibilizar cinzeiros,
podem ser coimados entre 250 a 2500 euros. Incluem-se os estabelecimentos,
comerciais, de restauração e os edifícios que proíbam o consumo de tabaco no
seu interior.
Mas os apoios a tal implementação chegam apenas em 180 dias.
Até estarão isentos de coimas.
Por outras palavras, não podem os fumadores atirar beatas
para o chão mas não haverá, durante meio ano, onde as colocar.
Sim, porque as papeleiras escasseiam, são em plástico e, na
sua grande maioria, não têm onde se possa apagar o cigarro em segurança.
Cheira-me a que, mais que querer implementar uma medida de
higiene e ecológica, se prepara uma caça à multa aos viciados.
By me
Penalizações
Leio por aí, algures, uma pergunta aos leitores: “deverão as
multas de trânsito serem mais pesadas?”
Estou em crer que não.
Em muitos casos, as penas para certas infracções de trânsito
deveriam ser mesmo pena de prisão, sem apelo nem agravo.
Eis um exemplo: estacionar em cima dos passeios, obrigando
os peões a caminharem nas faixas de rodagem não é um acidente, não é um
descuido. É um acto deliberado, consciente, que pode provocar um acidente grave
a terceiros.
Indo mais longe, as consequências de tal acto acontecem, as
mais das vezes, na ausência do condutor, já que este estaciona e vai à sua
vida.
As penas em dinheiro são, para muitos, algo a não
considerar. Ou porque estão sempre à espera que prescrevam face ao volume de
coimas a processar, ou porque o infractor não se preocupa muito com o pagar:
trata disso e pronto.
Não acredito que quem passe uma ou duas semanas numa prisão,
com o que isso implica de privação de liberdade e perca de rendimentos porque
não ganha a vida trabalhando, tenha a veleidade de repetir a façanha.
E as penalizações legais são para isso mesmo: para que não
se repita o crime.
By me
Geometrias
É para estas ocasiões, em tendo comigo um tripé, que gostava
de ter uma objectiva “shift”. Claro que não carrego comigo a todo o instante um
tripé.
Mas são estes detalhes de perspectiva, estas geometrias trapezoidais,
que me incomodam. As coisas são o que são e ou bem que são, ou bem que não são.
O faz de conta, o “ninguém repara”, o “pode ser que escape”, que me chateia.
Também poderia ter corrigido no editor de imagem. Claro que
poderia.
Um toque aqui, outro ali, uma grelha para ajudar, e ficaria
quase perfeito.
Mas não era a mesma coisa!
Mesmo sendo a fotografia aquilo que se exibe depois de todo
o tratamento que lhe é dado, pouco importando os químicos ou os editores
usados, a verdade é que gosto de obter na tomada de vista aquilo que imagino.
Umas vezes sabendo de antemão que terei que alterar, ou presumindo que após a
obturação, está pronta.
Neste caso não tinha certezas, ainda que calculasse que
estaria pronta, pese embora alguns ajustes de contraste.
Mas se corrigisse a perspectiva, se as linhas verticais e
horizontais o fossem realmente aqui, não teria o que escrever sobre ela.
Falhei ao fazer esta imagem!
Mas também mostro imagens falhadas, que diabo.
By me
domingo, 1 de setembro de 2019
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