sexta-feira, 17 de julho de 2009

Just a botle


Just an empty bottle.
In a near past it had some soft and fresh lemonade. And was left over on a seat of a train.
It was a really hot day!
But the smile on the lady’s face, next seat, while I keep shooting this, make it cooler.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Fachadas


E o que tem este prédio de especial?
Praticamente nada!
Não conheço ninguém que lá resida ou tenha vivido; não foi objecto de nenhum prémio ou distinção especial; está localizado na Av. Casal Ribeiro, ali às avenidas novas, em Lisboa, e está condenado a uma demolição próxima. Terá uns cinquenta anos de idade e um desenho típico dessa época.
O que faz, então, com que seja digno de nota? Precisamente o seu desenho!
Prestando um pouco de atenção a esta fachada condenada, constatar-se-á que cada um dos andares é diferente dos demais.
Diferenças notórias, como sejam o número de varandas ou janela singelas, ou diferenças subtis, como o remate superior das janelas ou uma decorativa falsa sustentação das varandas. Cada andar tem o seu desenho próprio, a sua identidade única, quase que uma personalidade.
Se se prestar um pouquinho mais de atenção, reparar-se-á que estas diferenças não são tão importantes que acarretem acréscimos de custo significativos. As madeiras são iguais em todas as janelas, o ferro forjado das janelas e varandas igualmente. As diferenças estão mesmo na pedra, material nobre cada vez menos usado em detrimento dos sintéticos, alumínios e plásticos.
Ao olhar para este prédio em fim de vida, construído para ser habitação de famílias, sabe-se que cada família teve uma vida diferente. O próprio espaço construído o permitiu, usando um desenho estrutural uniforme, por motivos de custo, a individualidade de cada uma. À chegada a casa, cada residente olharia para a fachada e, sem grande esforço, identificaria o seu próprio “ninho”, ainda que edificado nas fragas de alvenaria.
A esta facilidade, definida pelo arquitecto, acrescentaria-se, certamente, os materiais e cores das cortinas ou reposteiros e algum eventual vaso de sardinheiras, típico da capital lusa.
O espaço de residência ficaria assim bem definido, criando uma empatia entre ele e os moradores. “Eu vivo ali e gosto disso, é a minha casa!”
Nos tempos que correm, os arquitectos e as directrizes municipais quase parecem impedir esta satisfação. Cria-se o desenho exterior de um dos andares e depois é só reproduzi-lo tantas vezes na vertical quanto a volumetria do local e o investimento do construtor permitem. O anonimato dos bairros, das ruas, dos prédios é cada vez maior. Viver numa cidade actual ou numa povoação ou bairro suburbano tornou-se, por via desta descaracterização do espaço, apenas a satisfação da necessidade básica de abrigo. Grandes ou pequenos, os prédios actuais são o reflexo exterior do factor número que a sociedade cada vez mais impõe aos seus elementos.
Personalidades, aspectos, gostos, vivências, preferências, tudo isto fica, a cada dia que passa, mais normalizado, standardizado, padronizado.
A própria arquitectura, uma das belas artes, está corrompida por esta filosofia de anular o indivíduo ou o grupo básico, negando-lhe o direito à diferença, à afirmação de si mesmo como elemento autónomo.
E os exemplos do passado, onde cada um era um e não apenas mais um, vão caindo no esquecimento, demolidos porque velhos ou incómodos.
Se passardes na Av. Casal Ribeiro, em Lisboa, ou em qualquer outra rua, olhai para os prédios velhotes, alguns já entaipados. E honrai o esforço de alguns arquitectos na criação do espaço individual, em luta com a normalização. E, se prestardes um pouco de atenção ao que as paredes vos contarem, talvez consigais imaginar nesta janela o fazer de um bebé, naquela o ler de um livro, um pouco mais acima a reunião em torno do repasto familiar, na outra o…
E tentai fazer o mesmo num edifício moderno!

Texto e imagem: by me

quarta-feira, 15 de julho de 2009

6:00 am


Waking up at 3:30 am and start working at 6:00 am has its advantages:
We can say “Hello!” to sunrise!

terça-feira, 14 de julho de 2009

É triste


A notícia era assim:

“Advogado de Bibi suspenso por três anos
A Ordem dos Advogados condenou José Maria Martins por violar os estatutos da profissão. O advogado já recorreu
José Maria Martins, advogado de Carlos Silvino (Bibi), o principal arguido do processo Casa Pia, foi condenado pelo Conselho de Deontologia de Lisboa da Ordem dos Advogados (OA) a uma pena de três anos de suspensão. Na origem do processo estará a violação de vários artigos do estatuto da Ordem. José Maria Martins é acusado de ignorar situações de conflito de interesses, de falta de honestidade e violação da confiança de colegas e clientes, entre outros
…/…”
in: ionline.pt

Soube dela porque além ma referiu, dizendo em tom bem jocoso que ela em nada espanta, já que se trata de um advogado.
A piada nada tem de novo, até porque a opinião generalizada sobre os advogados não é a melhor.
Mas fiquei triste quando a li, mais tarde, em versão de papel e em versão electrónica.
É que a pessoa aqui referida, José Maria Martins, quase que se dilui perante o nome tristemente sonante de um seu representado, Bibi. É este referido no título e no primeiro parágrafo quase tantas vezes quantas o nome da pessoa noticiada. E isto é triste.
Não que porque a pessoa em causa tenha sido alvo de tal sanção por parte dos seus pares, na ordem dos advogados. Por aquilo que sei da pessoa em causa, nos media e do que tive oportunidade dele conhecer no decurso da minha actividade profissional, não é pessoa que me inspire simpatia ou confiança. Nada de mal me fez, directamente, mas é uma questão de empatia quase animal. No caso, negativa.
Mas é triste que alguém que, de uma forma notória, procurou a publicidade nos media, com entrevistas e declarações pouco convencionais, para mais não adjectivar, seja identificada por ser advogado de alguém e não tanto por si mesma.
Até mesmo a imagem dessa pessoa publicada no jornal não é uma fotografia mas tão somente um desenho. Quase que como se não valesse a pena usar uma imagem real da pessoa em questão.
É triste ser-se advogado e ficar-se conhecido por um cliente famoso e um desenho. Acaba por ser uma notoriedade emprestada e imaginada.
É triste!


Texto: by me
Imagem: in ionline.pt

segunda-feira, 13 de julho de 2009

domingo, 12 de julho de 2009

A menina dos cigarros


A menina dos cigarros estava ali para vender cigarros.
Venderia igualmente fósforos, não fossem os fósforos já terem uma menina nas histórias.
Mas a menina dos cigarros também poderia vender automóveis, alfaces, apartamentos ou bilhetes de cinema.
Acontece que de menina pouco já teria. Um pouco mais alta que eu, o seu sorriso, a fatiota, o recheio da fatiota e como o recheio usava a fatiota denotavam não ser novata nestas coisas do marketing, cigarros ou o que quer que seja.
Tentou convencer-me a experimentar uma nova variedade de uma conhecida marca de cigarros. Sendo que sou consumidor, faz muitos anos, de uma outra marca que até nem é americana, não me convenceu. Ainda lhe perguntei o que esta nova teria de diferente das já existentes, mas mais não disse que lhe tinha agradado quando provou, que as leis do tabaco não permitem a adjectivação nestes produtos.
E ficámos assim, sorriso para cá, sorriso para lá, a menina dos cigarros ali especada a abordar os clientes (à distancia bem que reparei que só os homens), o excêntrico das barbas indo tomar o cafezinho da ordem e entrando no recinto das compras, que tudo isto se passou no super cá do bairro.
Agora o que me convenceu, de facto, foram os olhos da menina dos cigarros. Um pouco sub dimensionados para com o resto do corpo, mas talvez por estar ali de pé, sabe-se lá há quanto tempo, estrategicamente colocada para vender cigarros novos junto com a sua imagem. E esta muitos seriam os que quereriam comprar, que menina dos cigarros era de encher o olho.
A tal ponto que eu mesmo não resisti. Com o saco de compras na mão, que poucas e leves eram, abordei-a e propus-lhe um negócio desonesto:
Compraria eu um desses novos maços de cigarros e, em troca ou como brinde, levaria comigo também uma fotografia dos seus olhos.
E nem houve que fazer grandes conversas: a menina dos cigarros deu-me logo um sim de caras. Ou porque seria uma quebra na rotina de vendedora, ou porque achou graça à abordagem, ou porque mais uma menos uma fotografia tanto se lhe dava. Que a menina dos cigarros muitas fotografias haveria já de ter feito.
Depois de quatro disparos, que o vento não ajudava com os cabelos, mostrei-lhas e ainda me soube perguntar se quereria tentar de novo. Confesso que foi este “tentar de novo” que estragou o ramalhete, que o tom era de quem estava mais que habituada a estar em frente a objectivas e que o aspecto do fotógrafo não lhe inspirava confiança.
Os cigarros estão ali, já guardados para uma situação de falta de previsão tabágica da minha parte. A fotografia está aqui, como prova factual da estória. E dela não fiquei com nome, apenas “a menina dos cigarros”.


Texto e imagem: by me

As pernas


Poderia ter usado qualquer outra fotografia de quaisquer outras pernas. Afinal, toda a gente tem duas pernas, a menos que se sofra de uma qualquer diminuição.
Mas o caso passou-se com estas mesmas pernas e fiz questão de usar as protagonistas para o contar.
Suportam elas, nos seus breves e recentes vinte anos, a ingrata tarefa de percorrerem diariamente o trajecto casa/trabalho e retorno. E é ingrata porque, pela certa, lhes apetece bem mais a diversão que a obrigação. Mas a obrigação que é o trabalho não implica teias de aranha cranianas ou formalismos castrantes.
Vai daí, estas pernas ajustam-se em termos de roupagens pelas vontades próprias da idade e da estação. Sem mais regras ou convenções que não sejam o conforto e o clima.
Acontece que esta atitude destas pernas não é a mais comum em ambientes laborais, em regra mais timidamente escondidas por vestidos engomadinhos, saias bem mais avantajadas ou calças que, não apenas podem ser práticas como são bem mais convencionais.
Mas, direi eu, que cada par de pernas se expõe ou esconde de acordo com as suas próprias vontades e que isso é problema delas, das pernas.
Mas assim não pensa a outra metade da humanidade, aquela que tem menos por onde escolher, por convenção, e que, na esmagadora maioria dos dias do ano, usa calças. Mais fato, mais treino ou mais ganga, mas calças.
E, quando as pernas sempre escondidas vêem umas que nem tanto, mais para mais recém-chegadas a um mundo onde as calças imperam, ficam cheias de inveja. E ficam elas, as pernas, e o que as encima, mais os olhos que possuem.
E é vê-los, aos donos das pernas nas calças, com eles, os olhos, esbugalhados e fixos nas pernas novas de idade e no local.
E se é verdade que as pernas não têm ouvidos, felizmente que a cabeça que encima estas que aqui vêem também não os tem, para não ouvirem o que se diz ou disse à passagem e presença delas, das pernas.
Porque aquilo que foi dito e pensado por aquilo que encima as pernas sempre tapadas sobre as pernas por vezes desnudas, nem sempre foi bonito, agradável ou mesmo cordato e educado.
Espero que estas pernas continuem a taparem-se ou destaparem-se a seu belo prazer e não em função de convenções, comentários, invejas e cobiças!

Texto e imagem: by me

sábado, 11 de julho de 2009

Looking down on a railway station


By me

Looking up on a railway station


By me

Cabelos


Bem, esta não é uma regra universal, supondo que elas existem.
Mas por cá, e suponho que não só, tem fortes probabilidades de estar certa em grande parte da população.
Mulher que seja senhora (casada, com filhos, etc) tem o cabelo mais curto e de penteado mais simplificado que as que não o são.
Esta é uma referência útil para aqueles machos que andam por aí a lançar a fateixa, dentro e fora dos ambientes de trabalho, a ver o que lhes sai na rifa.
Motivo?
Simples: A actividade profissional, mais o ser mãe, mais o ser dona de casa, - por esta ordem ou a inversa - deixa-lhe pouco tempo disponível para cuidar do cabelo longo. Lavar, secar, pentear, etc um cabelo longo é uma tarefa morosa que, para que ele tenha aspecto bonito, ocupa parte do tempo que os demais afazeres não permitem.
A solução é cortá-lo e usá-lo em modos simples e práticos.
Entenda-se, no entanto, que há mulheres que, tendo uma vida familiar, doméstica e profissional muito preenchida, ainda encontram tempo e disposição para o cuidado capilar.
E há mulheres que, não tendo nenhum desses afazeres, não têm paciência para estes “embelezamentos” e usam-nos curtos e práticos.
Cuidem-se os "chicos espertos"!
Mas, regra geral e por cá, esta teoria está certa.

Texto e imagem: by me