Pentax K7, Super Multi- Coated Takumar 35 1:3,5
By me
Recentemente veio parar-me às mãos este aparelho.
Já tens uns anitos (1968) mas, segundo o actual dono,
pertencia ao sogro e este cuidava do equipamento como ninguém.
Isto não me espanta se olhar para os estado de conservação,
que bastava ter a caixa de origem para ser fácil imaginar que tinha saído da loja
o ano passado.
Não tinha com ele o manual de utilização. Mas também não me
atrapalhou, que há páginas na net que estão bem apetrechadas de manuais e
demais informação relevante. Mas fazia-me falta, já que tinha alguma dificuldade
em perceber no todo o seu funcionamento. Está funcional em pleno, mas pode ser
confuso.
Mas o melhor de tudo está num pequeno parágrafo que quase
passa despercebido:
“It should
be mentioned at this stage that the Polysix-electronic cannot think for you. In
the same way that a computer is helpless without the skilled interpretation of
a programmer, so the Polysix-electronic will provide more precise exposure
information the more skillfully you use it.”
Eu acrescentaria aqui dois elementos: a objectiva e a
câmara. Não adianta ter a mais rápida e mais versátil objectiva nem a câmara mais
sensível e com mais menús, se não soubermos tirar partido do que temos nas
mãos.
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
By me
"Tal como uma pedra fosforescente que emite brilho
quando colocada na escuridão e ao ser exposta à luz do dia perde todo o seu
fascínio de joia preciosa, também o belo perde a sua existência se lhe
suprimirmos os efeitos da sombra."
in "O elogio da sombra", by Junichiro Tanizaki
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
O conceito de liberdade é tão relativo que fiquei sem
palavras quando, em ’82 e em Málaga, perguntei a um jovem licenciado em
medicina se o seu país, Argentina, era um país livre e ele me disse:
“Sim, claro. Podemos sair à rua à noite e tudo.”
Nunca mais encarei a liberdade da mesma forma.
Pentax K7, smc Pentax-M 50 1:1,7
By me
Se fosse de dia, se fosse uma lamparina e se não tivesse
óculos, poderia dizer-se que estaria a fazer uma imitação de Diógenes, que
assim procurava um homem honesto.
Não sendo nada disso, até porque é uma busca que já desisti
de fazer, é apenas uma fotografia de noite, o estado luminoso em que se
encontrava a rua na altura em que consegui terminar a reparação de uma coitada
câmara que me foi pedido para fazer.
E se filosofia é, etimologicamente, a procura ou o amor ao
conhecimento, então talvez eu seja um praticante, mas só talvez, que dá mesmo
muito trabalho.
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Não, isto não é uma imagem da frente e verso de um mesmo
aparelho de medição de luz.
São dois fotómetros quase identicos: o mesmo fabricante, o
mesmo sistema interior, o mesmo aspecto exterior, o mesmo nome. A única diferença
está na parte de trás do aparelho.
Nela consta o que aqui se vê e a que o fabricante, Gossen,
deu o nome de color finder.
Nos anos ’60, bem antes do digital, haveria que ter bem em
conta qual a temperatura de cor existente no local. E se os profissionais, com
mais poder de compra, tinham o caríssimos termocolorímetros, os amadores tinham
este sistema engenhoso que, não sendo rigoroso, dava uma ideia aproximada.
Em olhando para as duas barras coloridas, uma continua, a
outra dividida em pequenos quadrados, e colocando tudo isto sob a luz do
assunto, um dos quadrados seria mais parecido visualmente com a outra barra. E
a escala lida nos diria, mais ou menos, a temperatura de cor existente. Simples,
pouco rigoroso mas bastante facilitador do trabalho.
Os sitemas electrónicos e os automatismos ou ajustes manuais
de hoje não dão a mais pálida ideia do que era fotografar em côr há 60 anos.
Suponho que os aparelhos que possuiam o Color Finder seriam
um pouco mais caros que os seus iguais sem tal acréscimo. E que menos se
venderiam então. Por isso o não ser muito fácil de os encontrar à venda no mercado
de usados, pelo menos por cá. E fazia
tempo que procurava um exemplar. Veio este agora.
O que acaba por ser interessante é que boa parte de quem
vende fotómetros e que não é comerciante, é um aficionado pela fotografia ou um
profissional. Indo mais longe, tenho três aparelhos que me foram vendidos por
directores de fotografia que, por este ou aquele motivo decidiram “despachar”
as velharias das gavetas. E, na sua maioria, ficaram mais que satisfeitos por
fazer negócio com alguém que estima este tipo de equipamento, conhece o ofício
e com quem pôde estar uns bons minutos de conversa sobre a actividade.
O prazer de uma coleção não está apenas na posse do que a
constitui. Esse será um aspecto com menos de metade do peso. A satisfação está
na caça e no encontrar das peças que se procuram e na aprendizagem que se pode
obter conversando e ouvindo quem as vende. Essa é a verdadeira riqueza e não há
dinheiro que a pague.
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
By me
Acredito que muitos dos que usam a câmara fotográfica não
entendam este prazer:
Estarem confrontados com uma situação a registar e fazê-lo
com o ângulo de visão que têm disponível. Ajustando as diversas vertentes do
acto fotográfico a essa objectiva. Ou, em alternativa, decidirem que querem
esta ou aquela objectiva porque é a que tem as características que se desejam e
colocá-la na câmara. A satisfação advém, neste caso, da decisão se verificar acertada.
Últimamente tenho andado com uma 85mm 1:1,9, numa câmara
APS-C. É um ângulo de visão que se aproxima do meu natural, sendo quase uma
extensão natural do meu olhar. Hoje, ao sair de casa, acrescentei ao saco, nem
sei porquê, uma 35mm 1:3,5. Bingo!
Sentado na esplanada, retemperando forças da tarde longa que
as minhas pernas já não são o que eram, ia contemplando a avenida, o seu
movomento, as suas luzes.
Eis que fui surpreendido por uma mocinha (esta) que se sentou
a uma mesa de distância mas que me surpreendeu: sentou-se de costas para a
avenida e de frente para mim. Poderia ser lisonjeiro para com a minha pessoa,
mas não era o caso.
E ficámos ali, eu de volta do meu bolo de chocalate, ela de
volta do seu croissant, tentado cada um lidar com os pombos atrevidos que
vinham pelas migalhas.
Já ela se afastava e acabámos por estar à conversa, agora
partilhando mesa, sobre arte, críticos de arte, filósofos da imagem contemporânos
e trocando sugestões literárias sobre os temas. Entenda-se que ela é estudante
de artes nas vertentes teóricas, pelo que estes assuntos não lhe serão
estranhos.
Mas não se foi embora sem me satisfazer a minha curiosidade:
porque se havia sentado de costas para avenida, ao contrário de todos os demais
que ali estavam. Queria ela isolar-se para poder pensar muito a sério. Não lhe
perguntei sobre o quê.
Antes de levantar, o meu pedido sacramental: “Posso
fazer-lhe uma fotografia?”, que anuiu.
Abençoei o momento, uns minutos antes, em que havia trocado
a 85 pela 35. O trocar de objectiva é sempre um quebrar o momento do acordo tácito
ou explícito com um desconhecido. Foi o que me saiu!
E para aqueles que defendem que a 35mm não serve para
retrato, eis uma demonstração do seu contrário, pese embora a perspectiva
próxima.
E eis também a demonstração que uma objectiva com mais de
meio século completamente manual faz corar de vergonha algumas das modernas,
com todos os seus automatismos e etc.
Pentax K7,
Super Multi Coated Takumar 35 1:3,5
By me
Do ponto A ao ponto B na minha cidade natal, usando uma
objectiva de 1967.
Praça de toiros do Campo Pequeno, ao cair da noite.
Pentax K7, Pentax Super Takumar 85 1:1,9
By me
Quando, no decurso de uma viagem, encontramos indicação de
desvio que nos força a tal, interpretamo-la como um incidente de percurso e
continuamos, presumindo que se trata de algo inevitável mas temporário.
Mas se, na continuação dessa mesma viagem, constatamos que
as placas de desvio se sucedem, erráticas e sem nexo aparente, começamos a
colocar questões.
Será que embarquei na viagem certa?
Será que estou no veículo certo?
Será que chegarei a bom porto?
Será que chegarei a algum porto?
Será melhor sair nalguma escala?
Será que haverá alguma escala?
Adianta continuar numa viagem repleta de desvios e sem que
saibamos que rumo temos ou mesmo se haverá rumo?
Por vezes, em viagens atribuladas e quase sem sentido, faz
sentido arrear as velas, largar ancora, tomar a altura do sol, consultar o
quadrante e pensar seriamente na jornada feita e naquilo que, eventualmente,
teremos ainda p’la frente.
Nikon Coolpix P7000
By me
Rígida, não caminha nem nunca caminhou. Mais ainda, apesar
de amachucada, nunca foi calçada. E isto porque o seu interior, no lugar de
vazio e pronto a receber um pé, é maciço, feito de loiça.
Como aliás toda ela.
Explicado num português com forte sotaque francófono, o seu
vendedor da mesma cor da bota sempre me explicou que serviria, se o
quiséssemos, como cinzeiro. E, como que para mo demonstrar, lá me mostrou a
ranhura no calcanhar para segurar um cigarro a arder.
E, ao fim de tanto tempo com um olhar desperto para sapatos
(botas, chinelos, pantufas e afins) abandonados na rua, não pude deixar de
reparar que esta bota estava sozinha na banca de uma “feira” de ocasião, numa
estação de caminho de ferro.
Não resisti e, não a podendo fotografar ali mesmo,
comprei-a. Esta poderia não ter o par, mas não ficaria ali abandonada, no meio
de tanta outra quinquilharia e artesanato senegalês.
Para minha tristeza e talvez porque sou ingénuo, mal me
tinha afastado e outra ocupava o mesmo lugar.
Mas não pude deixar de dar uma gargalhada, ao constatar que
também esta era do pé direito. Suponho que, por baixo da bancada, haveria um
caixote cheio de botas de loiça, todas do pé direito.
E as do pé esquerdo? Onde estarão?
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Estava de férias em Lagos.
A família regularmente alugava a mesma casinha nos limites
rurais da cidade e íamo-nos espraiar de manhã e à tarde para a meia praia.
Uma ocasião vi um glorioso carro dos anos 50 estacionado na
avenida marginal. Impecável, parecia acabadinho de sair da fábrica. A seu lado,
uma pequena palmeira no passeio. Mais ao fundo, a muralha de pedra do porto e o
céu azul.
Este conjunto sugeriu-me uma imagem a fazer, desde que com a
luz no ângulo certo. Feitas as contas e olhada a bússola, seria pelo meio-dia.
Uns dias depois, tendo o céu a limpidez adequada, parti
descendo a colina, carregado com a câmara, as ópticas, os filtros, o tripé…
toda a parafernália. Havia que chegar ao local a tempo de apanhar o sol na
posição certa.
A meio caminho sou interpelado por um casal de velhotes que
caminhava em sentido inverso:
“- Olá, como está?
- Desculpem mas… conheço-vos?
- Não se lembra de nós?
- Confesso que não. Querem ajudar-me?
- Em Coimbra, junto à Sé velha, há uns anos… Aquela
fotografia que nos tirou…”
Recordei-me então e ficámos um niquinho à conversa.
Reformados que estavam, aproveitavam quando estava bom tempo
para passear e conhecer o país como não tinham podido quando jovens.
E, à medida que iam viajando, iam fotografando o que viam,
enquadrando-se ora um ora outro na imagem. Tinham uma única fotografia de ambos
desses passeios: Aquela em que eu me tinha oferecido para fazer com a câmara
deles, em Coimbra, aquando de uma das minhas peregrinações ao Encontros de
Fotografia.
Apenas uma, de milhares que tinham. Apenas uma que os
mostrava aos dois. Partilhando os Outonos amenos da vida e de Coimbra.
A minha oferta, tão natural quanto um copo de água, marcou-os
indelevelmente. Aquela fotografia não é uma fotografia para eles:
É “A” fotografia.
Confesso que na altura já nem me recordava do facto. E, não
fora eles, nem nunca mais o recordaria, de entre muitas situações semelhantes
vividas.
E esta fotografia, que nunca vi, é uma daquelas que consta
do meu álbum de recordações. Não como um ponto de viragem, mas mais como um
parágrafo no livro que vamos escrevendo e a que chamamos vida.
Quanto à foto do carro? Bem, a hora de verão está atrasada
em relação à solar, pelo que cheguei demasiadamente tarde nesse dia. Voltei lá
mais tarde, mas não consegui dar-lhe aquele ar retro-californiano que queria.
Não adianta imitar. Há que ser espontâneo e generoso na
fotografia, tal como na vida.
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Estava numa feira de velharias e artesanato. O sol ainda não
tinha aquecido a sério e prometia vir a estar bravo. Por isso, eu estava mais
ou menos com pressa, a tentar fechar
negócio sobre um fotómetro Sverdlovsk 4 que ali estava à venda.
Mas não deixava de estar alerta com os demais visitantes.
Nunca se sabe o que aparece. E apareceu!
Entre as pessoas que se aproximavam, duas mocinhas. Uma
delas com duas câmaras penduradas no ombro esquerdo. Estranhei e esperei que se
aproximassem para melhor perceber. Uma era esta e saí-lhe ao caminho.
Turistas, não sei de onde, acabámos por estar à conversa
sobre a bela da Pentax. Herança do avô, tudo funcional excepto o fotómetro,
mesmo com pilha. Mostrou-ma e não era de todo a correcta.
Lá estive a explicar-lhe que pilha deveria usar e onde
comprar, mesmo que sem garantias de o fotómetro estar funcional.
Mas disse-me que usava a regra do f/16 e que, quando tinha
dúvidas, usava a digital para medir a luz. Esperta, a mocinha.
Elas lá foram no seu passeio turístico, mesmo que
escaldante. E eu fiquei com o registo de uma Pentax em uso na cidade de Lisboa,
coisa cada vez mais rara.
Pentax K1 mkII, smc Pentax-FA 28-200
By me
Eu tinha 17 anos.
Pôs-se a possibilidade de ir em viagem de finalistas a
Londres. A família não era abastada, longe disso, e não havia dinheiro para
tais aventuras, mas com boas-vontades daqui e dali a coisa compôs-se. Incluindo
a ajuda da família da minha namorada, que queria que eu fosse com ela.
O que não havia era como fazer o “para mais tarde recordar”.
Eu tinha uma câmara desde os doze anos, mas fazer fotografia era caro e estava
parada havia muito tempo. E era muito fracota. É muito fracota, que ainda a
possuo.
Um parente decidiu chegar-se à frente e emprestar-me a sua.
Recordo que era uma SLR mas não a marca. E possuía uma 50mm, mais que
suficiente para os registos, digam hoje o que disserem sobre zooms e edições
posteriores.
No dia em que me foi entregue (recordo o local exacto, a
luz, a sombra da frondosa árvore, a mesa e os bancos de pedra) foi-me dada uma
recomendação, entre outras, que não esqueci até hoje:
“Toma cuidado que ela só faz fotografias a cores!”
Quem ma emprestou já morreu, que o episódio é velho. As
fotografias que fiz foram a cores e estão algures no arquivo, numa caixa que
não sei qual. Já não olho para elas há anos e tenho a vaga memória de estarem
rosadas, naquele tom de fotografias coloridas e mal processadas, em que a luz e
a humidade são carrascos impiedosos.
E nunca virei a saber se esse meu primo, bem mais velho que
eu, estaria a falar a sério se na brincadeira. Segui as suas indicações mas, na
minha enorme ignorância sobre fotografia, aquela recomendação nunca me
convenceu por aí além.
Anos mais tarde, já a fotografia fazia parte integrante da
minha vida, disse-me uma senhora numa loja de fotógrafo em Castelo Branco que
os rolos em Preto e Branco já não se fabricavam. E que não tinham. E eu, que
tinha esgotado os que havia trazido de casa naquelas férias vadiando pelo país,
acabei por ir comprar num dos outros poucos fotógrafos que a cidade tinha,
ainda que tivesse penado para o encontrar.
Talvez que tivessem andado juntos na escola, aquela senhora
e aquele meu primo, ainda que a geografia não o indicasse.
Vadiei pelo Preto e Branco durante anos. Porque o
laboratório era meu, porque bem mais barato, porque o Ansel Adams era (e é) um
mestre a tentar imitar.
Mas percebi, a dado passo, que o suporte e a técnica têm que
ser usados em função daquilo que queremos transmitir e não podem ser
limitadores do que queremos fazer.
Tenho para mim que a vida é a cores, que reagimos a elas
como os cães aos cheiros, e é isso e dessa forma que quero mostrar.
O monocromatismo é apenas uma dessas formas.
Pentax K7,
Tamron SP Adaptall2 90 1:2,5
By me
Quem achar que as temperaturas estão muito elevadas e quiser
algo mais fresquinho, sugiro um passeio até à Guarda.
De acordo com fontes oficiais enquanto que em Lisboa e pelas
oito da manhã se já registavam vinte e oito graus e uns trocos, à mesma hora na
Guarda os termómetros marcavam 14,6º.
É só uma dica.
Nicon Coolpix P7000
By me
Quando pego numa câmara ou
objectiva gosto de sentir uma de duas coisas: ou que é absolutamente nova (ou
quase) ou que tem história.
Algumas das que possuo vieram
para a minha mão novas. Ou quase novas. Retiradas da caixa por mim, ainda com o
“cheiro da fábrica”, ou da mãos de alguém adquiriu mas pouco uso lhe deu, tendo-a guardado com
cuidado ou carinho.
Muitas outras entraram em minha
casa depois de terem tido vários donos, uns mais cuidadosos que outros, algumas
com muito uso, amador ou profissional. Na medida em que consigo, tento saber essas
histórias, coisa que só é possível se for uma venda particular. Em lojas ou
feiras de rua, não sabem ou não querem contar qual o passado da câmara ou
objectiva.
Se aparentar ter um passado
vivido, tento conservar a aparência que possui. E tento tanto mais quanto mais
antiga é a peça. Tenho apenas o cuidado de a manter em condições de
funcionamento e evitar que se suje com pó ou semelhante. A chamada “patine” faz
parte do passado e da história.
Este é um detalhe de uma Pentax
S1A, fabricada entre 1962 e 1968. Absolutamente mecânica, haveria que usar um
fotómetro de mão ou um adicional à câmara para calcular a exposição. E esperar
não ter errado no calculo.
Da sua história pouco sei. Foi
comprada no meu mecânico de fotografia, e depois de muita insistência. O único
detalhe que consegui obter é o ter estado ali há muitos anos, na sequência da
desistência de um cliente.
Quando pego nela para lhe tirar
o pó ou para lhe apreciar algum detalhe, tento imaginar o seu passado.
Provavelmente nas mãos de um amador entusiasta, guardada no estojo de coiro de
origem, que entretanto se estragou, e usada para férias ou festas especiais.
Hoje tem marcas do tempo. Marcas
que não tentarei disfarçar e que tentarei não aumentar. Porque se não consigo
ver o que esteve à frente dela, essas marcas de algum modo contam sobre que
esteve atrás dela.
Quem quer que tenha sido,
obrigado por a ter conservado.
Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4