sexta-feira, 9 de agosto de 2019

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

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Natal



É natal quando um Homem encontra outro Homem e o trata como irmão

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Nietzsche




Nietzsche tem uma série de afirmações que, sendo meio radicais, são sérias e verdadeiras. Tristemente verdadeiras.
Hoje, e uma vez mais, lembrei-me de uma, que ouvi muitas vezes de um mestra, amigo e colega. Infelizmente ele, tal como eu, tinha motivos para a usar.
Não! Não a vou referir aqui.
Não quero criar mais crispações onde elas deveriam esmorecer.
E espero não ter mais motivos para nela pensar, ainda que não acredite nisso.
Mas que o raio do homem tinha razão, lá isso tinha!



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Linhas da vida



A vida tem destes fenómenos interessantes: Faz cruzar linhas, vindas aparentemente de lado algum, para formar um padrão novo. Umas vezes evolutivo, outras quebrando com tudo o resto.

Há uns dias, numa conversa no trabalho, estava eu a tentar que um novato percebesse a diferença entre regras e fórmulas por um lado e equilíbrio e centros de interesse por outro, e dou comigo a repetir uma frase que há muito não dizia mas que já me cansei de a dizer:
“Se eu souber porquê, sei como”.
Dias depois tropeço num velho mestre, numa daquelas coincidência que a vida tem e as tecnologias ajudam a concretizar. E, nunca nos esqueçamos, um mestre é sempre um mestre, independentemente das voltas que a terra possa dar, merecedor sempre do respeito devido a quem sabe e nos fez o favor de o partilhar connosco.
E, nas poucas palavras que trocámos, atira-me ele uma citação alicerçada num ponto do espaço-tempo bem recuado e esconso:
“Ainda não sei fazer, mas já sei como se faz.”
Hoje mesmo, em fazendo uma consulta em livros que por aqui tenho há mais de um quarto de século, os meus olhos deram com um apontamento feito a lápis numa margem, coisa que muito raramente faço. Mas devo ter achado de tal forma importante que tratei de a registar para que nunca me esquecesse. Não era preciso, que está aqui marcada a fogo entre dois neurónios:
“A teoria sem a prática é estúpida, a prática sem a teoria é cega”.


Desde hoje, de manhãzinha, que estou a tentar perceber se, na confusão do que sou, sou-o porque acreditei nelas ou se evolui até concordar com elas.

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domingo, 4 de agosto de 2019

Um retrato ocasional - Sofia




“Desculpe, mas… dá-me um cigarro?”
Parei, rodei e olhei para ela. Não lhe via os olhos, que o espelhado dos óculos não o permitiam, mas não resisti.
“Troco!”
“Desculpe?”
“Troco. Um cigarro por uma fotografia sua.”
“Mas… Porquê?”
“Porque lhe acho graça ao rosto e gosto disso que tem posto no nariz.”
“Ah. Está bem.”
Fizemos o negócio, dando-lhe o que me pedira e pedindo-lhe eu de seguida para tirar os óculos. Claro que não disse que queria ver os olhos, mas pareceu-me óbvio.
No final, perguntou-me o que faria com a foto e respondi-lhe que, se me autorizasse, a publicaria no Facebook. E quis saber como a encontraria, pedindo-me o contacto que anotou.
Em troca, perguntei-lhe:
“E qual a sua graça?”
Franziu o nariz, nem sei em que pensando, e emendei de imediato: “Quer dizer, qual o seu nome?”
Sorriu e disse-mo.
A asneira foi minha: nunca usar termos mais arcaicos com uma jovem nascida na época das intermetes.

Nota adicional: a objectiva que vou usando por estes tempos, uma 50mm f/1,2, não é a ideal para estas coisas, mas lá me vou ajeitando como posso.



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A melhor?




Conheço a estória de há muito:
Um foto reporter queixava-se junto do patrão da falta de actualidade do seu equipamento.
Que os outros, da concorrência, tinham “aquela” objectiva, “aquele” tripé, “aquela” câmara. Que assim, não seria possível melhorar a qualidade do jornal.
O patrão, tirando do bolso uma caneta Montblanc com aparo de ouro, respondeu-lhe:
“Acha que é da qualidade da ferramenta? Tome: vá escrever um prémio Nobel.”
Isto a propósito de vir um montão de gente às redes sociais e aos fóruns perguntar qual é a melhor câmara, a que os profissionais usam. Presumo que tenham dinheiro para desperdiçar, mas não tenham cérebro para usar.
Que aquilo que o olho não vir e o cérebro não analisar, não será a câmara que fará.
Ele é a perspectiva, ele é a luz, ele é o momento decisivo, ele é a estória que é contada e as emoções transmitidas…
Se olharmos para a história da fotografia, veremos que algumas das mais belas fotografias, algumas das que mais nos emocionam, algumas das mais impactantes, foram feitas com câmaras e objectivas que hoje são obsoletas: pesam “toneladas”, objectivas fixas, pouco luminosas, com resoluções que hoje desdenhamos, com muito grão…
O salto qualitativo, em termos de equipamento, pode e deve acontecer quando aquele que possuímos ou usamos não é capaz de fazer o que queremos. O contrário é deitar dinheiro à rua, pese embora os fabricantes e vendedores ficarem muito agradecidos.
E, já agora, não adianta ter “aquela” câmara, se a objectiva for um “fundo de garrafa”. A menos que seja isso que se procure.


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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Ser livre



Seja qual forma como tentemos abordar o tema, a verdade é que estamos sempre e eternamente presos.
Confinados a uma cela ou na superfície do planeta, com horários, cartões identificativos e códigos de conduta.
A qualidade da prisão é que varia. Alguns vêem no abrir da fechadura a sua liberdade, outros no vencer a atracção terrestre. Uma chave uns, asas outros. Há quem vá mais longe e não possua relógio ou recuse o bilhete de identidade.
Mas depois de cada fronteira, depois de cada quebrar de grilhetas, apenas constatamos que continuamos presos. Por outras grades, por outros conceitos, por outras obrigações.
Quando, há uns anos largos, conversava com um Argentino, logo a seguir à guerra das Malvinas ou Faulkland, dizia-me ele: “Nós? Somos livres! Podemos sair à noite e tudo!”
Ou ainda aquele outro jovem que dizia: “Esta semana estou livre. Os meus pais vão de férias para fora.”
Mas a liberdade não é um estado legal ou material. É um estado de espírito!
O exercício da liberdade começa, antes de mais, dentro de nós. Por aceitarmos ou não por limite o que nos impõem. O deixarmos ou não a nossa mente vogar e decidir o que fazemos. O termos ou não uma verdadeira consciência de nós mesmos e do que nos cerca.
A nossa verdadeira prisão somos nós próprios, na nossa condição de seres humanos de carne, osso e sangue. Pensantes e conscientes.
Quando formos capazes de saber e não apenas dizer, “eu posso”, com toda a plenitude do que isso significa, então seremos realmente livres.
Até lá, enquanto nos sentimos limitados por um planeta, regulamentos ou grades, mais não seremos que sempre prisioneiros daquilo que os nossos sentidos nos transmitem.
E tanto assim é que somos obrigados a comunicar codificando e descodificando estas letras e imagens, presos que estamos a estas convenções.

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quarta-feira, 31 de julho de 2019

À cunha


Parece que a líder o CDS-PP quer que os alunos que não tiverem vaga no ensino superior público, mas que possam pagar, entrem pagando.
Numa economia de mercado, selvagem, parece fazer sentido.
O que não entendo é: se não há vagas, por este ou aquele motivo, o facto de pagarem faz com passe a haver vagas? Contratam-se mais professores doutores ou assistentes? Aumentam-se os lugares nas salas e anfiteatros? Os laboratórios têm mais bancadas?
Ou querem transformar o ensino superior público em autocarros em hora de ponta?


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Sobre o caso das golas anti-fumo inflamaveis




Eis o que nos conta o Diário de Notícias:
“O relatório preliminar feito pelo Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais concluiu que as golas antifumo distribuídas à população no âmbito do programa Aldeia Segura, Pessoas Seguras, não se inflamam quando expostas ao fogo.
Citado pela RTP, o documento refere que as 28 golas testadas "não se inflamaram - isto é não entraram em combustão com chama - mesmo quando sujeitas a um fluxo de calor de muito elevada intensidade, produzido por chamas cuja altura variou entre um e quatro metros, mesmo quando colocadas a uma distância inferior a 50 centímetros das chamas, durante mais de um minuto".
De acordo com o relatório coordenado por Xavier Viegas, "verificou-se que as partículas incandescentes perfuravam a gola, mas esta não se inflamava, isto é a combustão com chama não era sustentada".
Ao entrar em contacto com uma chama viva, houve "uma perfuração de maior ou menor diâmetro, mas em geral a combustão não se sustentava com chama viva". Esta situação de combustão com chama, lê-se no documento, "apenas ocorreu em determinadas situações de ignição com uma chama permanente e com o tecido da amostra situado praticamente na vertical".
Testadas a 20 centímetros das chamas, as golas ficaram muito perfuradas, mas não se inflamaram.”

Sobre o relatado, pergunto:
Quem é que se mantém a uma distância de 20cm, ou mesmo de 50cm, de um fogo de mato com quatro metros de altura? Acredito que mesmo os bombeiros, equipados com fatos anti-fogo e capacetes e em situação limite, evitarão tal situação. E que dizer a quem estiver nestas situações, com roupas normais, quiçá com o cabelo ou barba a descoberto?
Portanto: será que estas protecções entregues são mesmo um risco? Será quem quem o divulgou estará mesmo a considerar a segurança das populações que as receberam? Ou será que quem disto falou aos quatro ventos se preocupou mais com as questões políticas e de imagem, agora que estamos a pouco tempo de eleições?
Não quero, com isto, defender nem acusar ninguém. Se houve “negócios escuros” neste caso, actue-se e sem piedade.
Mas isto cheira-me tanto a esturro quanto uma floresta queimada.

Imagem roubada da RTP
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