quarta-feira, 12 de abril de 2017

Fica o recado



As revoluções não são apenas actos de mudança de regime – positivo ou negativo.
São, e principalmente, mudanças nas atitudes, nos comportamentos, nas relações entre pessoas e entre pessoas e instituições.
Aqueles que se intitulam de “revolucionários”, que usam bandeiras, símbolos, agrupamentos partidários, mas que não respeitam o seu semelhante, que ignoram compromissos assumidos – com outros ou com todos os outros – e que baseiam o seu comportamento na “lei do funil”, não são revolucionários.
São os oportunistas que, em regra, desvirtuam e corrompem as práticas revolucionárias de terceiros. Sejam quais forem os gestos que façam, as cores que usem ou que tragam na lapela.

A história (distante, não muito distante e bem próxima) demonstra-o, infelizmente.

By me

Abril



Só para lembrar alguns, que andam muito esquecidos, que estamos em Abril.

By me

terça-feira, 11 de abril de 2017

Um delito



Podemos debruçar-nos sobre o que é um crime, um pecado, um delito. Cada um deles terá todo um rol de possibilidades, algumas a partilharem mais que um grupo.
Pois eu, hoje, cometi um delito.
É delito porque é quebra de regra, não é pecado porque não ofende divindades, não é crime porque não consta em nenhum código civil ou penal.
Foi um delito.
Um pouco mais grave, talvez, por saber que é um delito. Sabendo-o, o grau de culpa é maior, como se a ignorância fosse desculpa.
O que torna a coisa interessante é que o cometi quase que em jeito de teste: Serei eu capaz de o fazer? O que se lhe sucederá? Vai pesar-me na consciência?
A questão da consciência fica resolvida. Usando da técnica dos cristãos seguidores de Roma, a confissão alivia e perdoa. É o que estou a fazer.
O que se lhe sucederá? Coisa nenhuma, já que foi acto único, consciente de tal. E sou homem para o cumprir.
Se fui capaz? Claro que sim, que os limites do ser humano são enormes.

Terminada que está a confissão pública, escusam de cá vir perguntar que delito cometi.

Guardarei ciosamente esse segredo até que a terra me engula, que tenho assim a modos que vergonha do que fiz.

By me 

Pim!



Nada como conhecer ou re-encontar os velhos do Restelo.
Que, confrontados com ideias ou projectos diferentes e que não de sua autoria, o mais que fazem é vaticinar as maiores das tormentas ainda antes de dobrar a barra.


Morra o Dantas, morra! Pim!

By me

Projecto formativo



Tivesse eu a oportunidade e a coragem de conceber de raiz uma formação em imagem (fotografia), e seria radical na diferença.
Presumindo que alguém alguma vez teria a coragem de querer aprender o pouco que sei e os primeiros tempos, talvez dois meses, seriam passados sem recurso a câmaras fotográficas, computadores ou quejandos.
Cada sessão, de duas a três horas, seria passada em laboratório. Preto e branco. Não a imprimir imagens já feitas mas a fazer imagens no papel, recorrendo a objectos opacos ou mais ou menos translúcidos.
Um pouco à imagem e semelhança do que fez Man Ray e outros, com os seus conhecidos Rayogramas.
Claro que isto implicaria alguma coragem e aceitação por parte dos formandos. Tanto tempo sem produzir uma fotografia que fosse…! E paciência.
Há várias vantagens nesta invulgaridade.
Desde logo a disciplina pessoal. O laboratório, com o seu rigor de método, a impossibilidade de se acelerar os processos, o respeito pelos demais participantes no trabalhar em ambiente de luz controlada, a sistematização de raciocínio… Tudo isto vai permitir que o formando se discipline e que seja capaz de aceitar o tempo como parte do processo criativo e não como um obstáculo.
Em seguida, o permitir antever os resultados na mente antes de executar algo. E com certezas. A opacidade ou a translucidez dos objectos tem comportamentos diferentes à vista e no papel sob a luz. Ser capaz de prever os resultados e de gerir a experimentação em função da experiência e do desconhecido faz parte do processo criativo. Fotográfico ou outro.
Do ponto de vista estético, este método permite gerir manchas mais escuras ou mais claras, antevendo-as, no rectângulo do papel. Mais que regras de composição, linhas de fuga, proporções anatómicas ou jogos de perspectiva, a produção de rayogramas permite descobrir e explorar o equilíbrio de massas, áreas, densidades de claro escuro dentro do espaço disponível. Definição de equilíbrios e importâncias na forma para além do conteúdo.
Vai ainda permitir a descoberta da gestão das relações de contraste do claro escuro em função da emoção que se pretende reproduzir, para além de conteúdos conhecidos e formas definidas. E antever isso mesmo olhando para uma superfície branca, antes de nela incluir qualquer obstáculo à luz.
Mas, acima de tudo, irá permitir que o formando de habitue à sua própria sensibilidade na disposição dos elementos no espaço definido à margem de regras, códigos ou imposições sociais. O formando consigo mesmo, sujeito apenas às opiniões de colegas e formadores, sem outros códigos que as suas sensibilidades.

Só depois disto, só depois de ter criado formas e lidado com o rectângulo passaria a incluir elementos concretos, agora com o recurso a tudo o que a fotografia permite: a câmara e a objectiva, com o tratamento posterior num editor de imagem.
Mas em aqui chegando, vai sem mais vícios que os que tinha ao entrar, nem desconfia que existam regras de composição e já se habituou a gerir o espaço.

A ideia não é minha de raiz mas antes o resultado de algumas leituras e experiências.
Mas não acredito que algum industrial da educação ou formação alguma vez arriscasse a investir em tal projecto.
Fica naquele canto onde guardamos projectos que sabemos só concretizar se houver meios e oportunidade.


By me

De arquivo



Ah, e tal… Provocaram-me e tive que ir ao arquivo, que às quatro da manhã não é fácil de fazer isto depois de acordar.

Ainda se fosse antes de deitar…

By me

segunda-feira, 10 de abril de 2017

.

Vejo fotógrafos a divulgarem imagens suas como publicidade para angariarem clientes. Ou alimentarem o ego.
No entanto…
No entanto vejo imagens desequilibradas, em que o ou os modelos não têm espaço para respirar, o tom de pele a ultrapassar os limites e a perder textura ou detalhe, transformado em plástico Barbie, as zonas claras, pele incluída, tão claras que perdem os detalhes de “queimadas que estão”, acontecendo exactamente o oposto nas zonas escuras, os modelos, nas suas poses, olhares e localização, a contarem-nos coisa alguma que não seja “existo”…
Fotografias assinadas, ficha técnica e tudo.

Será que se estes fotógrafos querem ser contratados devido a estas imagens ou elas são exibidas para afastar potenciais clientes?

By me

Alarme



Há uma dúzia de anos escrevia eu o que se segue.
Mudando apenas as idades referidas, poderia eu escrever exactamente o mesmo hoje. Com o triste acréscimo de saber que as luzes de alarme estão, na sua grande maioria, mais que apagadas – fundidas.
Espero que quando se voltarem a acender, não seja tarde demais para muitos.


Há trinta e dois anos caiu o regime fascista português.
Terminou a polícia política, terminou a guerra colonial, passámos a ser livres de pensar, de falar, de agir, de reunir…
Atrás do militares, e sobrepondo-se a eles, a população portuguesa com mais ou menos conhecimento do que a atormentava, veio para a rua e tomou conta dos acontecimentos.
Engalanámo-nos com cravos, fomos exemplo para o resto do mundo e tivemos os contendores da guerra-fria de olho em nós, não fora alguma coisa “perigosa” acontecer.

Trinta e dois anos passados, esta data de “25 de Abril” mais não é que uma memória e a oportunidade de gozar um feriado, de preferência com uma ponte pelo caminho.
Muitos dos que a viveram perderam ou vão perdendo a energia, que trinta anos é muito tempo, os que a não viveram nunca sentiram o que ela, a revolução, significou.
É apenas mais um feriado, como o 1º de Dezembro ou o 10 de Junho: uns discursos, uns desfiles pitorescos, uns filmes evocativos e pouco mais.

Em boa verdade, mais não deve ser.
As revoluções têm o seu tempo e os seus revolucionários, há coisas que têm que ser mudadas e evitado o seu retorno. Que raramente volta. Da mesma forma!
Mas o espírito que a alimentou, o que fez milhões de portugueses saírem para as ruas, rindo, batendo palmas e chorando de alegria, esse deve ser mantido vivo!
O desejo de que as “classes sociais”, a terem que existir, não estejam tão separadas, que a fome de barriga, de coração e de cabeça não mais retorne, que a sociedade seja solidária por inteiro… Tudo isto deve continuar vivo em cada um.

Mas não está!
Aqueles que mantêm os cidadãos vivos e produtivos fazem-no, as mais das vezes, para que o resultado dessa produção se reflicta, em primeiro lugar, nas mais valias que esses mesmos desejam. E, para tal, aqueles que para eles trabalham têm que se manter em forma e alimentar a produção e a novel competitividade.
A polícia política, enquanto tal, terminou. Mas temos as novas formas de controlo, com as bases de dados incontroláveis nas mãos não se sabe de quem, as intercepções ao tráfego electrónico, a localização dos cidadãos pelo seu telefone móvel, as câmaras de vigilância, a comunicação social veneranda e obrigada aos interesses dos seus empresários, ignorando a nobre tarefa dos media…
O acesso ao ensino superior é generalizado e incentivado, para depois os seus alunos irem fazer qualquer coisa que nada tem a ver com o que estudaram e aprenderam.
O acesso aos cuidados de saúde é cada vez mais difícil e caro, sendo o próprio estado, pelos seus governantes que supostamente representam a vontade popular, a incentivar o recurso aos meios privados.
Aumenta o número de horas de trabalho, diminuindo, em contrapartida, o valor hora que é pago aos que as trabalham.
Cada vez mais a sociedade está virada sobre o seu próprio umbigo, ignorando ou fazendo por ignorar o que se passa ao lado e o termo “solidariedade”!

Por isso, festejar o 25 de Abril pouco mais será que honrar a memória dos que o fizeram. Porque o seus espírito, está morto e enterrado. Ou, na melhor das hipóteses, moribundo!
Pela parte que me toca, ainda não sei se o irei festejar. Não por desprezo aos que o fizeram, mas antes porque talvez esteja bem ocupado a tentar preparar um 26 de Abril, 18 de Maio, 29 de Agosto ou qualquer outra data que mereça ser comemorada por mais uns 32 anos.


Porque ainda acredito que “O povo é quem mais ordena”! E neste momento não consegue ordenar coisa alguma! Apenas julga que sim!

By me

domingo, 9 de abril de 2017

Tempo e modo



No “Diário de Notícias” há uma coluna semanal, ao domingo, intitulada “Amor moderno”.
São crónicas traduzidas do New York Times, e que reflectem aquilo que é suposto ser o amor moderno nos EUA.
No entanto…
No entanto pergunto se haverá tanta diferença entre o Eça luso do séc. XIX e estas crónicas americanas no feminino do séc. XXI.
Os instintos são os mesmos, as vontades as mesmas, os sentimentos os mesmos. Mudam os atavios, as casacas, os corpetes, as cartolas, os atilhos, as ceroulas, os folhos…
Mas as atracções, as raivas, os quereres, os ciúmes, os suspiros, os gritos e gemidos…
Amor é amor, e vai muito para além do tempo e do modo.


By me

sábado, 8 de abril de 2017

Proto-selfie



E porque alguém me está a “fazer inveja”, aqui fica um auto-retrato (na altura não havia selfies) na Placa Reial, Barcelona.

By me