quarta-feira, 8 de junho de 2016

Positivo e negativo



Nunca pertenci à mocidade portuguesa. Quando tive idade para tal já não era “obrigatório” e os meus pais tiveram o bom-senso de me não inscrever.
Tal como nunca pertenci aos pioneiros. Quando começaram a surgir já eu tinha idade para dizer que “disciplina politizada não, obrigado”.
O mesmo se aplica aos escuteiros.
O espírito de grupo, a solidariedade, o respeito pela natureza e pelo próximo aprendi-o na convivência doméstica, no relacionar-me com os colegas, companheiros, camaradas, cidadãos, com quem me fui cruzando ao longo da infância, adolescência e idade adulta. Nunca necessitei de doutrinas políticas ou religiosas para tal!
E, no meio de tudo o que aprendi e que me fez aquilo que sou, uma regra me tem orientado: “Fazer o bem sem olhar a quem”.
Claro que não há regras cegas e excluo aqueles que assumidamente me fizeram mal. Porque, que diabo, não sou santo!
Quanto aos outros, conhecidos ou não, trato-os por igual, procurando que aquilo que faço seja igualitário e para além de alguma “alergia de pele” que possa ter.

É que trocar é um negócio; partilhar também, noutra escala. Já o dar (ou dar-se)…

By me

terça-feira, 7 de junho de 2016

Vendo exposições

Foi um comentário que deixei a um companheiro destas coisas de fotografia.
Mas como o entendo por válido, mesmo fora do contexto para que foi escrito, aqui fica:

“Sou um “chato” a ver exposições e, em geral, preferem não vir comigo.
Faço, no mínimo, duas rondas pelos objectos expostos, fotografias ou outras.
Numa primeira, nada de informação adicional para além da obra em si. Faço questão que fale comigo, que eu faça uma interpretação do que vejo sem que quaisquer textos ou explicações condicionem os meus sentidos.
Depois faço uma segunda volta, desta feita de folheto ou guia na mão, parando para ver as legendas se existirem, e comparando as minhas próprias sensações anteriores com aqueles que resultam do somatório do que está exposto com o que está escrito.
Em havendo tempo, faço uma terceira ronda. Desta feita selectiva. Passo por alto as obras que pouco me disseram na primeira e na segunda e vou “degustar” “com os sentidos todos as que me de facto agradaram.

Não sou boa companhia para ver exposições. “

By me

Do sobre a utilização da imagem fotográfica – parte 7



Existem aquelas figuras, femininas ou masculinas, que são perfeitas.
As feições, as formas corporais, as cores da pele e da pelagem, a voz, a forma de moverem… Tudo nessas pessoas é perfeito.
Depois existem aquelas pessoas que são de excepção: ele é o olhar, o formato do queixo, o comprimento dos dedos, o volume de alguma parte do corpo, a voz em tom mais baixo ou mais agudo… alguma ou algumas dessas particularidades transformam aquela pessoa em alguém que não pode deixar de ser visto e apreciado.
Há ainda aquelas pessoas que, não tendo nada em si que seja realmente bonito, têm algum aspecto que é mesmo invulgar. Alguma discrepância na proporção das formas, um formato invulgar de rosto ou o que quer que seja, a cor dos olhos ou do pelo… Ou tão só um conjunto de características que, naquele lugar e tempo são incomuns mas que na sua região de origem são banais.
Apesar de tudo isto, não são estas pessoas, extremamente bonitas ou invulgares, que nos fazem ficar perdidamente apaixonados ou com quem queremos ficar para todo o sempre. São bonitas, vistosas, fazem-nos virar a cabeça ao passar, queremos conhecer melhor, mas… não passa disso: atracção física e visual.
Depois existem todas as outras pessoas, que não possuem nenhum atributo especial, que são completamente banais ou mesmo “feias”, que, quando com elas nos cruzamos na vida, nos prendem irresistivelmente, em quem não podemos deixar de pensar, com quem acabamos por viver momentos de paixão desmesurada ou amor eterno. Claro que isto também pode acontecer com as tais primeiras pessoas, as de excepção, mas sendo que são em percentagem reduzida, é bem mais comum que seja com alguém deste último grupo, o maior de todos.

O mesmo sucede com a fotografia.
Há fotografias esplêndidas, perfeitas nos aspectos técnicos e estéticos. Paisagens campestres ou urbanas, de pessoas, arquitectura, naturezas mortas, técnicas, publicidade… Existe um bom número de fotografias, e de autores, por esses mundo fora e ao longo da história da fotografia.
No entanto, com muitas delas, dessas perfeitas, não nos daríamos ao trabalho de as comprar ou recortar de uma revista para as emoldurar e pendurar numa parede. Ou ir folhear amiúde o livro onde constam para com ela deliciar os olhos e a alma.
Mas existem muitas outras, muitas mesmo, que não sendo perfeitas do ponto de vista académico, que não respeitando algumas das regras da proporção, do equilíbrio de massas e de tons, tendo linhas de fuga estranhas, se algumas, contendo assuntos banais ou mesmo desagradáveis, nos fazem ficar horas a mirá-las, degustando cada centímetro do papel ou do ecrã, falando connosco a cada instante e contando-nos sempre algo de novo.

Tenho para mim que uma boa fotografia não tem que ser perfeita! Tem que falar comigo!
Claro que há os academismos, os conceitos de técnica e de estética que são dominantes num dado momento e lugar, que pertencem à linguagem de comunicação e que a todos é comum. São essas ideias, estilos e métodos que ensinamos nas escolas de fotografia, que levamos os aprendizes a usar de modo inconsciente. Como quem conhece as métricas e sabe fazer uma quadra.
Mas também um manual de instruções de uma batedeira ou berbequim está tecnicamente perfeito, as manchas de texto e ilustrações estão equilibradas e de acordo com as modas em uso, o texto está gramaticalmente correcto e de acordo com a ortografia do momento… mas nada disso faz dele algo que queira ver e ver e ver e ver…
Uma fotografia de que realmente goste tem que me falar, tem que me contar algo, tem que me levar a imaginar mais que não apenas o que ali está expresso, tem que provocar a excitação da minha memória ou desafiar-me a memórias novas. Mesmo que as regras de ouro, os equilíbrios, as definições ou nitidez, os tons e as cores, mesmo as luzes, não estejam “perfeitos”.

Uma fotografia que não fale comigo, mesmo sendo “perfeita como nos livros” mais não me faz que pensar naquelas pessoas que são extremamente bonitas, mas pelas quais me não apaixono nem pensaria em casar.

By me

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Do sobre a utilização da imagem fotográfica - parte 6



É notícia que surge em quase todos os órgãos de comunicação social on-line:
Paulo Portas vai trabalhar para a Mota-Engil.
Do doze que fui ver, oito tinham notícia e fotografia.
Sendo certo que o visado esteve no poder ou na oposição anos a fio, todos têm fotografia dele, desta ou daquela forma.
É interessante ver que fotografia foi escolhida do arquivo por cada por cada jornal ou televisão.

E a leitura que se pode fazer de cada uma delas.

By me 

Velharias



Ontem foi dia de velharias.
Tirei o dia e fui a uma feira que sei que existe, em que sei que os preços são inflacionados porque está na moda e há turistas, e onde quem vende sabe de vender mas não tanto do que vende.
Pouco dinheiro levava, que pouco dinheiro tenho, mas o objectivo, mais que comprar, era alimentar a alma com o que visse.
Mas vim de lá com estas duas peças: O flash e o suporte em “L” em que está montado. Câmara e objectiva, que nem são da época, estão aqui só para “compor o ramalhete”.
Do flash já contei como o recebi: uma aposta com um vendedor sobre uma outra peça: em perdendo eu, comprava-o, em ganhando eu, oferecia-mo. Ofereceu-mo!
Já o suporte foi comprado, com o preço discutido até porque possui um defeito.
O que tem graça é que é o terceiro que possuo. Do primeiro já lhe perdi o rasto, nem sei como, comprado que foi nos meus inícios fotográficos. O segundo está ali guardado, mais bonito e sólido que este. Faz tempo que o usei pela última vez. Este veio agora pela simplicidade do desenho e construção, por ser um pantógrafo visível e por ter um engenhoso sistema de travamento.
Já depois do sol pôr e depois do jantar, mostrei estes troféus a uma mocinha conhecida a querer dar os primeiros passos em fotografia. Com ganas!
E perguntou-me ela para que serve o suporte se quase todas as câmaras têm um suporte, além de terem um flash incorporado.
Entenda-se que nem sempre assim foi: nem o flash incorporado nem a sapata de acessórios, vulgo sapata de flash.
Mas, mais importante que isso, é a diferença que resulta de ter o disparo de flash bem junto à objectiva, como com o incorporado na câmara, ou subido e desviado, como na imagem. E, recorrendo à lanterna do telemóvel, mostrei-lhe a diferença de sombras e luz, usando-me como modelo de improviso.
Acho que descobriu um mundo novo, esta minha amiguinha. E espero que sim.
Isto porque, como costumo dizer, “A perspectiva é a minha ferramenta, a luz a minha matéria-prima”.
Bem que podemos usar de todas as electrónicas, de todos os editores de imagem. Se não entendermos uma e outra, são fotocópias o que fazemos.

Quanto a este suporte e este flash, irão juntar-se às demais curiosidade fotográficas que por aqui tenho. Com algum lamento meu de o fabricantes fazerem hoje quase tudo igual entre si, com pouca criatividade e inovação.


Nota fotográfica adicional: em calhando, também faço fotografias quadradas.

By me

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E porque é que os computadores são estúpidos?
Porque apenas dão respostas e não fazem perguntas.
Para os que acham que sim, que fazem perguntas, saiba-se que mesmo o “tem a certeza que quer…?” é uma pergunta programada, nada tem de original. Como todas as outras.

São as dúvidas, o fazer perguntas, o procurar respostas, que denotam a inteligência, a capacidade de criar algo de novo a partir da instabilidade mental.
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domingo, 5 de junho de 2016

Sou contra

Não tenho muito que pensar sobre o assunto: SOU CONTRA!
O PS prepara-se para que seja proibido pagamentos em dinheiro em valores acima de três mil euros.
Sou absolutamente contra, pese embora nunca faça pagamentos desses.
Essa lei implica que para negócios desse valor ou superior ambos (vendedor e comprador) tenham conta aberta num banco.
Ora pergunto eu:
É obrigatório ter negócio com um banco para gerir a minha vida?
Porque é que um banco, entidade privada, tem que lucrar com os meus negócios?
Porque é que um banco, entidade privada, tem que ter registos dos meus negócios?

A imposição por parte do Estado de uma entidade terceira em negócios, que ainda por cima irá lucrar com os negócios com os quais nada tem a ver, é, em minha opinião, imoral, errada, ditatorial, defensora de uma casta social em desfavor de todas as outras e em nada orientada para uma sociedade livre e justa.


SOU CONTRA!
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Do sobre a utilização da imagem fotográfica – parte 5



“Quando chegaram, vinham a medo.
Deixaram-se ficar de lado, enquanto eu falava com outro casal, cochichando entre si mas sem se aproximarem. Só quando fiquei sozinho se aproximaram.
No início da conversa achei um pouco estranho as suas atitudes, que queriam fazer uma fotografia, como era habitual, mas havia algo que não batia certo.
Só quando a conversa se soltou, ainda antes do “Olh’ó Passarinho!”, é que se abriram:
Queriam saber se eu teria duas fotografias de arquivo, feitas quase um ano antes. Uma onde entrava ele, outra onde entrava ela. O elemento comum era um amigo de ambos, na altura “namorado” dela, que tinha falecido pouco antes do Natal.
Ali não a tinha, garantidamente, mas em casa por certo que sim. Que não me desfaço de nenhuma fotografia que faço, muito menos das feitas com esta câmara.
E fizeram a foto do costume, de pé no enfiamento da rua, com o banco e o candeeiro em campo.
Quando a receberam, e enquanto eu tomava as notas habituais, bem como as necessárias para encontrar o que me pediam, lamentaram não terem ficado a olhar um para o outro. Fazer outra, com o artefacto, seria quebrar os hábitos, mas nada me impedia de usar a Pentax, que aquele queixume merecia algo de diferente.
O conjunto de fotos já ali está, guardado onde não me esquecerei de levar para entregar quando os vir de novo. Com uma impressão extra, esta, afixada ali no painel, que a história merece um realce especial.
E quem era ele? Fica na minha memória e arquivo, bem como na deles, que se estimam ou algo mais.
Desejo apenas que, daqui por um ano, um deles não me venha pedir a fotografia do outro!”


Quando escrevi o texto acima há oito anos, mais semana, menos semana, não imaginava que a última frase seria premonitória. Por motivos semelhantes.
Os intervenientes? Claro que não os mostro! Nenhum deles me autorizou, em vida ou depois dela, de o ligar a esta história por imagens.

Fica o local onde aconteceu.

By me 

sábado, 4 de junho de 2016

Classissismo fotográfico



Aqueles que acham que só as fotografias que respeitam o Zone System, a regra de oiro e que poderiam ser publicadas num jornal é que são boas, são os mesmos que entendem que só sonetos são poesia, que só o Parthenon é perfeito e que Kandinsky deveria ter dedicado a sua vida a pintar prédios.

By me

Conversas



Porque hoje é sábado (mas também podia ser quarta-feira) acho que vou ter uma conversa muito séria com um amigo de muito longa data: eu.
Não sei quais as preferências que outros tenham em conversas destas, mas eu prefiro as varetas.
É verdade que torna a conversa muito mais longa que com moedas, coisa para bem mais de uma hora se for caso disso.
Mas também é certo que resulta em muito mais profunda e profícua.



Nota fotográfica adicional: É sempre divertido fotografar interpretando ou interpretar fotografando. E quanto melhor se conhecer o assunto, mais divertido é!

By me