quarta-feira, 4 de maio de 2016

Velharias e modernidades



Olho para o propagandeado plano de alteração do eixo central, em Lisboa.
Vejo os cartazes, leio os artigos de jornal, vejo as reportagens televisivas.
Muito naturalmente, aquilo que nos é mostrado parece o melhor deste e do outro mundo, com redução de ruído, maior fluidez de tráfego, mais espaço para peões… OPS! Peões?????
Em parte alguma vejo que nesta obra esteja incluída uma atenção especial para o tempo que os semáforos estão abertos para os peões. Por outras palavras, quanto tempo será destinado a que os peões possam atravessar este eixo central.
Afianço que um peão, cumpridor das regras de trânsito e sem que corra nas ruas de Lisboa, não consegue atravessar a avenida da República de uma só vez, sendo obrigado a ficar parado, de pé, no meio da avenida à espera que o sinal volte a ficar verde.
Se for para manter este estado de coisas, então as obras que agora começam não se preocupam de todo com o cidadão mas tão só com o fluxo automóvel. Como de costume!

Na imagem? O topo de um prédio numa das perpendiculares desse mesmo eixo central.
Uma das características dos prédios originais das “Avenidas Novas” é a existência de decoração, as mais das vezes no topo da fachada principal ou junto à porta nobre.

Para fazer a imagem, foi usada uma objectiva Takumar (Pentax) que, não sendo tão velha quanto estes prédios originais, já leva mais de meio século de fabrico, com a qualidade que se vê.

By me 

terça-feira, 3 de maio de 2016

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Há fotografias que vejo aqui e ali que, sendo perfeitas no que a técnica concerne – luzes, sombras, contrastes, detalhes, saturações, equilíbrios… - traduzem tanta emoção quanto a lista telefónica.

Ou menos ainda.

Takumar 135



Esta fotografia foi feita hoje. P’la tardinha, numa empena de que gosto e que o Sol usa como tela para os seus escritos.
Até aqui nada de mais, já que já fotografei aqui e isto bastantes vezes.
Nunca o tinha feito, no entanto, usando esta objectiva.
Trata-se de uma rara Takumar 1:3,5/135mm, fabricada em finais dos anos ’50, com montagem M42 e, o que a torna bem rara, com o anel de controlo de pré-selecção de diafragma no extremo frontal da objectiva, logo seguido do anel de fecho à abertura efectiva.
Acrescente-se que esta fotografia não foi objecto de nenhum tratamento que não apenas o reduzir o seu tamanho para ser publicado na net.
Nunca tinha visto, nem em sites de velharias, uma objectiva Asahi Pentax Takumar como esta.
Não está em condições perfeitas de utilização. Necessita de um anel de adaptação especial. Possuo um mas, em tempos, alterei-o e o seu uso com esta objectiva coloca-me em risco de a deixar cair.
Por isso mesmo hoje pus-me em campo e fui correr as capelinhas em busca do que quero. Não encontrei.
Encontrei, antes sim, uma frase comum: “Procure na net”.
Em duas dessas lojas, uma delas de grande gabarito, deixei a minha opinião. Nas outras nem me dei ao trabalho:
“Se eu comprar o que preciso de fotografia na net, as lojas físicas, como esta, desaparecem. E o seu emprego extingue-se, como fósforo em noite de tempestade.”

Ainda não desisti nem ataquei tudo quanto é local que conheço, mais um de que ouvi falar hoje.
Mas uma coisa é certa: não comprarei esse anel pela net, nem que a vaca tussa!


Manias de quem gosta de equipamento antigo, fotografias antigas e relações comerciais antigas.

By me

Primavera



By me

Relatos póstumos

Um dia me explicarão, mas como se eu fosse mesmo muito burro, qual o motivo de não se ser honesto sobre os defuntos, próximos ou longínquos.
É que, e a menos que seja alguém que toda a sociedade condena (Hitler, Franco, Mao, Salazar…) sobre os demais só se dizem coisas boas, bonitas, só se referem os bons momentos, escondem-se as facetas mais feias e degradantes…
Não oiço dizer que Fulano era um filho da mãe, demagogo, desonesto, vadio, ladrão, mau carácter…
Isto quer se trate de alguém que tenha morrido nos últimos seis meses, nos últimos seis anos ou nos últimos sessenta anos, é indiferente.

Suspeito que esta atitude de não querer julgar os mortos se prende com o receio de virem a ser julgados do mesmo modo.
E o receio de, à entrada de uma tal de vida eterna, não haver testemunhas abonatórias se não se o fizer em vida.

Ora batatas para a hipocrisia!

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pentax



Ao preço da chuva, ou quase, adquiri uma objectiva fabricada no Japão no ano em que nasci. Com margem de erro de mais ou menos 12 meses, de acordo com o que consegui saber.
Como não podia deixar de ser, trata-se de uma Asahi Pentax que, seguindo a sua filosofia de sempre, “se alguma vez funcionou numa Pentax, continua a funcionar nas actuais”.
Como se não bastasse esta originalidade das datas, acresce o facto de ter uma construção mecânica pouco comum mas bastante avançada para a época, a funcionar como se tivesse acabado de sair da loja.
Conto poder amanhã demonstrar-vos o como uma objectiva tão cota como eu funciona tão bem no penúltimo grito da tecnologia.

Fica um cheirinho do que ela é, feito a correr.

By me

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Há duas coisas de que nunca poderás fugir:
De ti mesmo e da tua sombra.

E os maiores disparates que fizeres na vida acontecerão exactamente porque o tentaste.

domingo, 1 de maio de 2016

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Só para quem não sabe ou anda baralhado:

Hoje também é domingo.
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O último



Dos meus tempos de fumador recordo a frustração terrível ao cair uma grossa gota de água, vinda de um toldo ou porta onde nos abrigamos, mesmo na ponta do cigarro antes da última fumaça.
Houve momentos em que a raiva foi tão grande contra o azar que acendi outro de seguida!


Hoje passei por uma parecida, ao cair-me das mãos para a calçada a última coisa destas.

By me 

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Porque está de novo por cá, aqui fica de novo a minha opinião:
Sou contra a forma de escolher as imagens exibidas e premiadas do Word Press Photo.
E explico:
Sendo um certame sobre fotografia de imprensa, deixa sistematicamente de parte todo o tipo de imagens que não sejam reportagens de guerra, de tragédia, de sofrimento. Entre os humanos e entre os restantes seres vivos.
Eu diria, por aquilo que tenho visto, que pelo menos 80% das imagens exibidas seguem este critério.
Acontece que a fotografia de imprensa, mesmo a reportagem, é bastante mais que apenas isso. Muito mais mesmo. Com muita qualidade, esforço e variedade de assuntos.
Acontece que quem vir estas exposições fica com a ideia – errada – que os foto-repórteres só actuam em locais de tragédia e sofrimento. O que não é verdade!
O que é verdade, antes sim, é que o que vende, tanto nas capas como nos interiores dos periódicos, são estas fotografias. E sabemos que o jornalismo é um negócio. Sórdido, por sinal.
Enquanto o WPP der tamanha importância, quase que exclusiva, ao sofrimento, deixando de parte todos os demais trabalhos de reportagem, não contam comigo para alimentar o negócio da exposição e as estatísticas dos gostos do público.


Dito isto, acrescento que as imagens escolhidas são, em regra, de grande qualidade fotográfica, tanto técnica como estética.

By me