sexta-feira, 6 de novembro de 2015

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Liberdades



Sentado na minha mesa ou em trânsito para os afazeres diários, vou observando o que vai acontecendo.
Através das parangonas dos media e das entrelinhas, que muito se aprende e descobre com o que não é dito. Mas também através das vivências diárias, no social, no laboral, no político. Na rua, no bairro, no ofício, nos transportes…
Teria que ser eu cego surdo e mudo para não perceber que atravessamos um momento de transição, em que a sociedade se fraccionou em dois blocos, medindo forças e arregimentando tropas, agora já não em fase de dissuasão mas antes sim em pré-confronto. Social, político, laboral.
Mas algo está a correr menos bem, neste cerrar de fileiras e contar espingardas. Que ou não há gente que chegue ou há que mascarar posições, recorrendo a camuflagens ou mesmo mimetismos.

No intervalo de pouco mais de duas semanas fui por sete vezes abordado para integrar contingentes ou organizações. Laborais, sociais, político-partidárias. Logo eu, que me assumo como acrata convicto. Na rua, na porta de casa, via telefone, via net, no posto de trabalho, até por interposta pessoa.
Aceito que alguns desses não saibam ou não me reconheçam o estatuto ou posição que tenho. No fim de contas, não ando aí na rua a alardear o que penso ou faço. E mesmo o Azinho deixou de estar na lapela. Agora outros tinham obrigação de me conhecer e de saber que a minha resposta seria previsível.

Nesta época de transição, em que tantos me venham bater à porta, pergunto:
Há assim tanta falta de gente com vontade de fazer coisas? Ou procuram gente que, dando a cara e o corpo ao manifesto, sirvam de capa a outras actividades ou ambições?

Para os que cá vieram fica o reforço da ideia. Para os que estão a ponderar cá vir, fica o aviso prévio.
Mantenho-me acrata, por teimosia ou ideal. E ser coerente não é fácil, mas é um objectivo diário. Não alinho em fidelidades que me obriguem a renegar os meus princípios básicos de sociedade.
Nem ponho em causa a minha liberdade de agir e pensar!


By me

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

P&B



Relacionamo-nos com o mundo e a vida de acordo com as emoções que temos. Mais optimistas ou pessimistas, mais coloridas ou mais macambúzias.
E a fotografia “ao correr da pena” ou “ao correr do obturador”, fazendo parte da vida do fotógrafo, não é diferente.
Excepto quando condicionamos conscientemente essa forma de ver e registar.
Acontece-me, volta e meia, propor-me desafios. Fotografar coisas redondas, fotografar objectos insólitos, fotografar situações de luz… digamos que são propostas que me faço e pelas quais me deixo levar durante uns dias. Ou bem mais, como será o caso dos sapatos abandonados.
Um destes dias, e fruto de uma conversa, entendi que haveria de ver e fotografar em preto e branco.
Não em suporte monocromático, nem fazer a conversão posterior retirando-lhe a componente colorida.
Antes sim ter o espírito e o olhar alertas para as situações de ausência de cor. Pelo menos as cores como estamos habituados a ver: mais saturadas ou deslavadas, a conjugarem-se ou incomodarem pelo insólito da oposição.
E, não impedindo quaisquer outros registos que possa fazer, prestar mais atenção a este aspecto do mundo que normalmente nos passa ao lado. Tanto na natureza como no resultado da acção do Homem.
E posso garantir que é divertido, o exercício. Principalmente, descobri eu, agora, com as cores – ou falta delas – outonais, as luzes difusas e nada polarizadas, as quase (só quase) ausências de sombras…

A minha dúvida é, ao escolher a perspectiva, se devo ou não incluir um pequeno elemento que seja onde conste cor. Não pelo contraste (ou talvez) mas antes para mostrar aos demais e a mim, quando disto me esquecer, que não se tratou de um artifício fotográfico, tão na moda nos tempos que correm, mas tão só aquilo que vi e que está ali mesmo, ao alcance de qualquer um.

By me

Tempo



“O senhor tem horas?”, perguntou-me ele.
“Tenho sim, obrigado.”, respondi. E acrescentei:
“E tenho minutos e segundos, que o meu relógio tem de tudo. Até tem os dias da semana e do mês, veja lá. Só não tenho muitas são horas livres, mas sempre as vou arranjando, entre aquilo que tenho que fazer e aquilo que não posso deixar de fazer.

Em qualquer dos casos, obrigado por ter perguntado.”

By me

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Uma espingarda, duas espingardas, três espingardas, esta está ferrugenta, quatro espingardas, cinco espingardas, esta não tem culatra, seis espingardas, sete espingardas, esta não é do calibre apropriado, oito esping…


Antevejo um período complicado, com tanto contar de espingardas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

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É verdade que sim: em tempos segui a prática habitual.
Mas um dia parei para pensar:
“Então oferecer-se a alguém de quem se gosta cadáveres ou seres vivos moribundos é sinal de afecto?”
Achei que não, de modo algum!

Por isso deixei de oferecer flores. Em ramo ou isoladas.

Só se for em vaso e com uma razoável garantia que cumprirão o ciclo de vida habitual da sua espécie.
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Sei, com uma certeza absoluta e fruto da prática, que há quem não distinga o dar do partilhar.
Como eu lamento essas pessoas.
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P&B



Há diversas explicações para isto. Suponho que só quem o fez o saberá com rigor.

- Zona de venda de droga. Talvez tenha começado por isso, mas acredito que os consumidores e negociantes não precisam de avisos que os polícias conheçam.
- Bulling colectivo. A vítima seria agarrada por uns quantos, os sapatos retirados e ali colocados. “Vai agora buscá-los, se puderes”.
- Arremesso de sapatos velhos como sinal de rompimento definitivo com o passado.


Seja como for, é sempre divertido encontrar sapatos abandonados. Ainda por cima em preto e branco.

By me 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

P&B



Não é preciso muito para fotografar em preto e branco.

Basta olhar em redor e ver onde a cor não está.

By me 

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Parece que o ministro da administração interna, o tal que acha que os deuses nem sempre são amigos, faz questão de ter uma cerimónia de boas-vindas na PSP e na GNR tão em breve quanto possível.

Há quem lhe chame de “A festa do olá e adeusinho”.