domingo, 18 de outubro de 2015

.

Renegar o passado é um absurdo!
Portugal foi um país esclavagista e colonialista. É inegável.
Portugal teve um Salazar, um Silva Pais, um Américo Tomaz. É inegável.

Portugal ainda tem um Cavaco, um Portas, um Passos. É inegável.

Tudo a nu



Acabo de ler um artigo, datado do ontem, com o qual fico a saber que existe uma petição pública para que Mariana Mortágua pose nua para uma edição da Playboy. E, informação complementar, tem algumas centenas de assinaturas.
Só não fiquei aparvalhado de todo porque, e para além de já o ser, sei que se abrem petições públicas sobre os assuntos mais absurdos, retirando importância ao método, tal como sei que o povo português é mestre em parvoeira congénita, tanto maior quanto o assunto for sexista.
E faltou-me a certeza de se se tratar apenas de uma brincadeira idiota se de uma jogada política de muito baixo nível. Mas também não li o texto da petição.

No entanto, e pensando mais a sério na coisa, concluo que esta petição só peca por restrita.
Que seria bom que todos os que ocupam cargos políticos, eleitos ou nomeados, em funções legislativas ou executivas, central, regional ou local, se exibissem completamente nus duas ou três vezes por ano. Numa publicação especializada, com bons fotógrafos e redactores, e que poderia ter por título “Tudo a nu”.
Não teria esta publicação por objectivo o exibir corpos. O corpo é algo de tão natural como o comer, o defecar ou o reproduzir.
Serviria antes para consciencializar todos os fotografados que, tiradas as fatiotas e os cargos, somos todos iguais nas nossas diferenças, que todos necessitam dos mesmos cuidados e atenções quando despojados de mordomias e elitismos e que, acima de tudo, sem mangas para esconder o que quer que seja, é difícil, muito mais difícil, fazer chicana política ou económica.
Indo mais longe, sugiro que todos os que façam discursos a câmaras, assembleias ou país o façam nus, em bancadas de vidro, bem como aqueles que atrás deles se colocam, abanando a cabeça quais cãezinhos de peluche.


Nada na manga e tudo a nu, é o que faz falta neste país!

By me

sábado, 17 de outubro de 2015

Pertinências



Informação fotográfica quase completamente inútil:


Na minha rua, esta manhã, há quase 64 vezes menos luz do que haveria se estivesse o sol descoberto.

By me 

.

Não gosto dos meteorologistas. Nem quando acertam, nem quando falham.

Quando acertam no mau tempo e quando falham no bom tempo.

.

Fiz, ainda não há muito tempo, um périplo pelas formações políticas existentes em Portugal. Para saber o que defendiam, na teoria e na prática.
Algumas não necessitaram de muito trabalho: são mais que conhecidas as suas teorias e práticas.
A outras dei o benefício da dúvida e procurei os seus escritos on-line, os seus programas dogmáticos, as suas propostas de sociedade.
A outras ainda, poucas, fui lá pessoalmente, conhecer mais a fundo aquilo que as palavras contavam.

No final constatei aquilo que já suspeitava:

Em nenhuma encontrei, bem escarrapachado preto no branco, que ter fome é imoral. E menos ainda ter isso como prioridade no que a práticas e estratégias concerne.
.

Arte fotográfica



Sou, basicamente, um ignorante.
Li centenas de livros, fiz centenas de milhares de fotografias, vi uns milhões largos de imagens.
Tenho, ao longo dos anos, tentado passar o muito pouco que aprendi sobre imagem.
Mas não é possível transmitir conhecimentos que não se possuem.
E eu não sei o que é uma fotografia artística ou sequer o que é arte.

Sei olhar para algo – imagem, ícone ou real – e saber se gosto ou não dela.
Sei se me sinto bem em sua presença, se é algo de que gosto de ver e continuar a ver, entenda ou não o seu significado.
Sei olhar para uma imagem e procurar o seu significado, através da forma ou através do conteúdo.
Sei constatar numa imagem se ela possui as características de agradar e comunicar com a maioria dos elementos da sociedade em que me integro e que conheço.
Sei pegar neste saber e, se estiver concentrado e com vontade de tal, fazer imagens que se enquadrem nestas definições.
Sei usar de umas centenas ou milhares de truques técnicos e estéticos para comunicar com fotografia, quer seja pela comunicação directa e implícita, quer seja pelo seu contrário, obrigando o observador a parar para pensar no que vê.
Sei que algumas das imagens que faço me agradam e que de muitas não gosto o suficiente.
Sei que algumas das minhas imagens agradam a quem as vê. Quer se trate de clientes que as encomendem ou de desconhecidos que são com elas confrontados.
Sei que tenho dias em que consigo fazer imagens melhor que noutros dias, quer seja sob os meus próprios padrões de qualidade, quer seja sob os padrões de quem as vê.

Mas não sei o que é uma imagem artística, fotográfica ou outra. Não as sei fazer nem as sei reconhecer.
Se a arte for uma forma de expressão, então os assobios desafinados que emito quando tomo banho ou estou satisfeito são uma forma de arte.
Se a arte for uma forma de contestação estética, de rompimento com os cânones existentes, então chamaremos arte a tudo o que for diferente, entendendo-o ou não e esperemos que os vindouros lhes dêem significado e uma categoria.

Mas, no meio de tudo isto, não sei o que é uma fotografia artística.
Não o sabendo, não posso falar sobre tal, por muito que tenha visto, lido ou feito.

Aquilo que sei, sem sombra de dúvida, é aquilo de que gosto.
E suponho que sei o que a maioria das pessoas da minha sociedade cultural gosta.
Isto, eventualmente, coloca-me na categoria de “artesão da comunicação visual com suporte fotográfico”.

Mas não sei dizer se sou ou não um “artista fotográfico”, porque não sei o que isso seja.

By me 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Coisas



“O monumento tem por finalidade fazer reviver no presente um passado engolido pelo tempo.”, pode ler-se no livro “A alegoria do património”, de Françoise Choay.
Em contrapartida, “A photographia tem por finalidade perpetuar no futuro a efemeridade do presente.”, poderia ler-se na obra “Apontamentos lúmicos na inutilidade das rotinas”, de JC Duarte, se alguma vez tivesse sido escrito.


Coisas!

By me 

.

- Oh avô: o que é aquilo lá em cima, no céu? Parece uma tempestade mas não chove.
- Não é nada, meu filho. É só Zeus e Thor a discutirem sobre a respectiva importância.
- E… e o que é que nos vai acontecer?

- Nada, não te preocupes. Vamos continuar a trabalhar até morrer, como sempre.

Aviso importante aos que pensam que o mundo está contra eles

.


O mundo nem sequer sabe que vocês existem!
.

Farpas



 Enquanto se não entender que as práticas de esquerda pouco diferem das de direita; que numa prevalece uma classe iluminada e dirigente e na outra uma classe endinheirada e dirigente; que ambas usam o poder, supostamente adquirido por via da democracia, para a manutenção de classes e respectivos status; que em ambas as classes dominantes dependem da obediência servil das classes dominadas…


Enquanto tudo isto não estiver entendido e interiorizado, não adianta discutir sobre esquerda e direita: teremos sempre uma grilheta a manietar-nos o pensamento e um chicote a impor-nos comportamentos.

By me