sábado, 8 de julho de 2017

sexta-feira, 7 de julho de 2017

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Parece que os festivais de música têm medidas de segurança semelhantes às que são usadas para embarcar para um avião: revista à bagagem, inspecção corporal por agentes masculinos ou femininos, consoante o caso.
Este será, a partir de agora, a principal razão para não ir a nenhum desses festivais.
Não admito que duvidem da minha bondade de intenções e que tenha que demonstrar que não pretendo fazer mal a ninguém.
Essa atitude suspeitosa, vigilante, inquisidora, securitária, em que todos são suspeitos até prova e contrário, não é a minha forma de me relacionar com o mundo e os meus semelhantes.
E não aceito que me tratem como tal.
Lamento que, em nome da segurança, tantos milhares aceitem ser assim mal tratados.
Eu não!

Nem em aviões, nem em festivais, nem onde quer que seja.

By me

quinta-feira, 6 de julho de 2017

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A notícia tinha (ou tem ainda) o seguinte título:
“Polícia do Vaticano interrompe orgia gay em apartamento de conselheiro do Papa”.
O assunto, que terá tido divulgação em Itália, foi considerada suficientemente importante para ser divulgada por cá.
No entanto, ficam-me algumas dúvidas sobre a questão.
Que crime estaria a ser cometido para que a polícia tivesse que intervir?
Estaria a acontecer alguma violação? Estariam menores envolvidos? É ilegal a prática homossexual? É esta prática punida com penas de prisão ou morte como em alguns pontos do globo, que o “ocidente” lamenta e condena? É um escândalo porquê?
Eu diria que escandaloso é a polícia intervir numa situação destas. Eu diria que escandaloso é os jornais disso fazerem eco. Eu diria que escandaloso é a sociedade, tão crítica e agressiva no que aos de fora diz respeito, fazer exactamente o mesmo no seu seio.
Preocupem-se, senhores polícias, jornalistas e juízes de sofá, com as assimetrias sociais, com os que realmente fazem mal a terceiros, no corpo e na alma, com os que enfrentam a morte para fugir dela.
Já quase não se ouve falar, por exemplo, no que se passa na Grécia. Ou na Síria. Ou na Palestina. Ou das mulheres nos países “amigos” árabes e africanos. Ou nos escândalos político-económicos no Brasil.
Para já não referir o povo Mapuche do Chile. Ou o que é ser deficiente no Japão.
Agora sexo consentido?
E de caminho: porque ilustraram semelhante notícia com uma fotografia do Papa? Ele estava no apartamento? Foi conivente com o que lá acontecia? Deu a ordem de intervenção da polícia? Excomungou os que lá estavam?


Ide dar banho ao cão, puritanos de pacotilha.

By me 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Mau feitio



Tenho duas certezas na vida: que irei morrer e que ninguém escreverá na minha tumba “aqui jaz um tipo de bom feitio”!

Precisei de comprar uma pasta. Daquelas de cartão, com elástico, em tamanho A4, barata de preferência, e que não tivesse desenhos demasiado extravagantes.
Podendo ir a vários locais, optei por fazer o negócio numa papelaria aqui da minha zona. A diferença de preço existe, é verdade, mas sempre vou dando o meu apoio ao comércio local. Que merece e necessita.
Entrei na loja, disse ao que ia, a senhora mostrou-me várias, escolhi uma, ela guardou as restantes e eu estiquei-lhe uma nota de cinco euros para pagar.
Nesse momento tocou um telemóvel. Que estava no seu bolso das calças.
Pousou a nota no balcão, pôs-lhe a mão esquerda em cima e, com a direita, atendeu a chamada. Sem uma palavra que fosse para mim.
Fiquei a saber que falava com uma tal de Isabel, que tinha uma prima e um marido e que havia problemas no casal.
E fiquei a saber tudo isso porque a chamada durou cinco, dez, vinte, trinta, cinquenta, oitenta segundos, talvez mais.
Quando me fartei de esperar pacientemente, estendi a mão para a nota e retirei-a de sob a sua. Olhou para mim, estranhando.
Guardei-a na carteira com um sorriso, ao mesmo tempo que empurrava para ela a tal pasta que ainda estava no balcão.
E desejei-lhe as boas tardes, enquanto ela tentava, em simultâneo, responder ao telefone e dizer-me já nem sei o quê.
Saí!

Como disse acima, não tenho bom feitio. Mas vou melhorando.
É que consegui não recorrer a vernáculo nem levantar o tom de voz.


Talvez que daqui a duzentos e cinquenta anos eu esteja no ponto certo para aturar coisas destas sem reagir.

By me

terça-feira, 4 de julho de 2017

39 anos



Já lá vão vinte e nove anos e quatro dias que tive direito a usar este pin. Ou alfinete de gravata.
O orgulho de então continua intacto.
Infelizmente, somos cada vez menos a ter esse orgulho e cada vez mais a ter a tratar “isto” como se de lixo ou item fora de prazo fosse.
A estes, uma recomendação: sejam honestos naquilo que fazem, desempenhando as suas funções com a mesma diligência com que querem que seja pago o respectivo salário.

Cuspir no prato onde comem não é, pela certa, coisa boa.

By me

Calor



By me

segunda-feira, 3 de julho de 2017

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Roubado por aí


“Sabes que vives no paraíso quando um paiol é menos vigiado que um centro comercial.”
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Na versão electrónica de um jornal, duas notícias na secção “País”. Seguidas.
Uma tem o título “Acidente: Uma pessoa morreu em colisão de veículos na Maia”. A outra é titulada “Óbito: Morreu o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora”.
Na segunda faz-se uma resenha da vida do defunto, académica, profissional e política, e é-nos dito que morreu de doença prolongada.
Na primeira dizem-nos que além do morto houve mais um ferido mas que a fonte informativa não soube informar género ou idade do falecido.
O anonimato de um e a publicidade de outro torna uma das mortes menos trágica que a outra? A morte prevista, porque de doença prolongada, é mais pungente que a outra, súbita e imprevista? A vida de um, porque pública e notória, é mais importante que a do outro, ignoto e anónimo? Perguntem aos familiares e amigos de um e de outro.
Óbito e acidente. Assim se tratam, ao mesmo tempo, políticos e Zé Povinho.


Por vezes tenho vergonha do meu ofício.

By me

domingo, 2 de julho de 2017

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Vejo alguém que, em mostrando a fotografia de um cachorrinho, diz: “A nova aquisição”.
Suponho que diria o mesmo se fosse um carro, um televisor ou um relógio.

Pobre cachorrinho.
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Chhhhhhh



Há quem defenda que tudo aquilo que fazemos na vida regressa. O de bom e o de mau. De um modo ou do outro.
Deve haver algo de errado nas minhas contas do deve-e-haver. Ou sou eu que não as sei fazer, ou o registo está errado.
Que não creio merecer o que agora recebo.

Obrigado vida.

By me