terça-feira, 3 de novembro de 2015

P&B



“Olha lá! Tu não fazes fotografia em preto e branco?”
“Bem! Eu vejo em cores. O mundo que me cerca é em cores e até o meu mundo interior é em cores. Não me recordo de ter sonhado em preto e branco.
Quando uso o preto e branco é porque a informação ou sensações que a cor pode dar atrapalha ou é supérflua.

Mas, por vezes, o mundo é em preto e branco.”

By me 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

.

Parece que o ministro da administração interna, João Calvão da Silva, terá afirmado sobre a intempérie no Algarve e suas consequências, que quem não tem seguro aprende é bom reservar sempre um bocadinho para no futuro ter seguro.
E sobre a morte de um idoso na mesma tempestade, terá dito “…entregou-se a deus e deus com certeza lhe reserva um lugar adequado.”


Alguém duvida que um governo que tem um ministro que afirma isto tem que sair de funções rapidamente?

Um pouco de mau-humor fotográfico matinal



Existe todo um sem número de auxiliares nas câmaras que permitem melhorar o que fazemos.
Desde logo o controlo de exposição, com programas pré-definidos consoante se fotografa desporto, nocturnas, retrato…
Tal como há a detecção de rosto, o auto-focus, o nível electrónico, o redutor de olhos vermelhos…
É todo um conjunto de pequenos nadas, alguns grandes nadas, que nos podem ajudar. E, como costumo dizer, quando todos juntos e activos, fica-se com uma câmara à prova de idiota.
Falta, no entanto, uma pequena programação nas câmaras actuais.
Refiro um inibidor de obturador quando o programa detectar o horizonte a meio do enquadramento.
Caramba! Não consigo imaginar nada de mais aborrecido, monótono, desagradável mesmo, que ver um bonito horizonte campestre ou marítimo a dividir a imagem bem no meio, deixando-nos sem saber se o que nos quer ser mostrado é a metade inferior se a superior.
E isto acontece apenas e tão só porque quem está a usar a câmara não parou um nico para pensar sobre aquilo que lhe está a agradar e aquilo que quer mostrar.

Ora: se o fotógrafo não pensa, não creio que seja muito difícil acrescentar uma pequena programação ao “japonês inteligente” automático para impedir tamanha demonstração de incapacidade de pensar de tantos fotógrafos.

By me 

Embuste



Eis uma palavra que já não ouvia há muito.
Demasiado delicada, palaciana, para descrever o que alguns “senhores” fizeram e fazem no país.

Na mesma linha de retórica, talvez que lhes façam falta alguns correctivos aplicados a preceito.

By me

Notícias matutinas

Olhar para as capas de jornais lago de manhã é um misto de querer estar informado e dar o desconto óbvio ao que neles nos é contado. A separação entre o reportar e o opinar nem sempre é fácil de encontrar.
Mas encontro um pequeno título num jornal que…
Não opino sobre ele. Limito-me a copiá-lo.


“PSD e CDS desfazem acordo de governo mas são oposição unida”
.

domingo, 1 de novembro de 2015

.

Lá em baixo, na praceta onde se estacionam automóveis, alguém está a ter dificuldade em fazer pegar um motor. A total ausência de vento, brisa que fosse, faz com eu e os vizinhos saibamos disso.
E fico apensar que, nos tempos que correm, tudo é inspeccionado, verificado, catalogado, numerado, carimbado e aprovado.
Impressos, formulários, carimbos, inspecções, inspectores, passwords, cartões e certificações…


Felizmente sobram os afectos. Por enquanto.
.

.

No dia dos mortos, lamento seriamente que alguns pertençam a esse grupo.

Mas também que alguns não pertençam!
.

Cores



Pouco me importa o que o São Pedro me mostra.

Eu vejo o céu da cor que quero!

By me

Atravessando os tempos



Corriam os anos 70 e as edições ITAU vendiam que nem pãezinhos. Cartazes, postais, panfletos, marcadores de livros, tudo quanto pudesse ser interventivo ou no campo do sonho e da paz eles tinham.
Por essa altura comprei este “poster”.
Colado numa placa de aglomerado de madeira, esteve sempre em frente dos meus olhos, enquanto estudante do liceu e enquanto estudante da vida, pendurado num pedaço de parede livre de estantes e fotografias.
Nas voltas que a vida deu, também ele – o poster – andou aos trambolhões, com marcas nos cantos de algumas pancadas menos simpáticas. Tal como eu mesmo.
Mas se as fotografias que faço vão e voltam, de acordo com as disposições e as épocas do ano, este é imutável, não aceitando eu que o seu espaço seja poluído por outras mensagens ou diatribes que vá fazendo.
Que há verdades e sentimentos que nos ultrapassam.


Acrescente-se que, por aquilo que consegui saber, a frase/poema “O amor é um pássaro verde, num campo azul, no alto da madrugada” terá sido escrito por Vítor Barroca Moreira, com nove anos de idade.

By me

Saber em pó



Um dos problemas da actual sociedade de informação é ela mesma: a informação!
Quer seja através dos meios convencionais quer seja através das novas tecnologias, temos todos os dias mais informação, acesso a mais conhecimento. Em variedade e profundidade.
Mas esta é também a sociedade de consumo. Há que consumir mais e mais, que assim somos levados pelas campanhas de marketing e pela definição de status social.
E quando misturamos conhecimento com consumo o resultado da fórmula redunda em superficialidade. Não há tempo para aprofundar o conhecimento em tantas e tão várias áreas. E fica-se pela superfície.

Exemplificando, e forçando um pouco a nota:
Depois de se ler um artigo de 300 palavras sobre física nuclear, passa-se a outro sobre botânica, seguindo-se direito internacional, motores de combustão interna, culinária e termina-se a manhã com economia.
E, depois de os ler, fica-se com a sensação de “saber” sobre a matéria. Não nos damos ao trabalho de questionar as ideias lidas, que isso levaria a procurar outras leituras e autores, a aprofundar o sentido de cada palavra, frase ou conceito. E, em chegando ao fim da manhã, não teríamos passado, talvez, de meio do primeiro artigo. Com sorte!
E, quando mais tarde, em torno de uma imperial vespertina no café ou de uma bica na cantina, passaríamos por ignorantes. Saberíamos alguma coisa de um tema, mas os outros passar-nos-iam ao lado. Que vergonha social, não se saber nada de tantos assuntos!

Mas, tão ou mais grave que este consumismo de conhecimento, com fórmulas instantâneas de saber, é não só a falta de curiosidade de quem consome como a superficialidade dos meios onde se consome. São os artigos breves, os guias práticos, o saber para totós. Que entopem quiosques, livrarias, grandes superfícies e páginas web.
E esta super-abundância de conhecimento por atacado, de incentivo à superficialidade do saber, transforma-nos em idiotas doutores, que tudo sabemos sobre coisa nenhuma e que nada sabemos sobre tudo.
E como as fontes são semelhantes, tipificadas, minimalistas, quando se ventilam ideias, se trocam opiniões, os pressupostos são os mesmos: as mesmas origens, as mesmas superficialidades. E o resultado é nulo!
Os argumentos apresentados nas conversas são os mesmos, baseados nas opiniões de outrem, sem que os próprios tenham tido perguntas para as quais tenham procurado respostas. Em existindo discordâncias de opiniões, a profundidade com que os assuntos são sabidos é tão pequena, que pouco mais podem fazer os oponentes que recorrer a chavões e frases feitas, porque lidas no guia prático ou no suplemento dominical.
E, ao sair-se do café ou ao fechar-se o chat, fica-se satisfeito consigo mesmo porque se demonstrou saber e decepcionado com o vizinho ou colega, que não entendeu a frase linda e bem sonante que ouviu e que, prazenteiramente, lhe dissemos.
E, desta “Conversa da Treta”, que lucraram os interlocutores? Nada, para além do convívio e do alimento do ego.

Vem toda esta algaraviada a propósito de uma pergunta que me foi feita num blog: “Quantas pessoas pensas tu que lêem os teus textos até ao fim?”
Sei que são algumas. Não muitas, mas algumas.
Que, da mesma forma que procuro que aquilo que vou aprendendo seja algo mais que o conteúdo de um guia prático e, de preferência, com mais de 300 palavras, também tento que as minhas argumentações não se fiquem só pela rama.

Que frases feitas há-as nos dicionários humorísticos e conhecimento em pó suspeito que em supermercados e, certamente, em instituições de ensino por atacado.

By me