domingo, 5 de abril de 2015

Contra-luz de bolso



By me

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Um destes dias arranjo um Ipad e começo a fotografar em grande formato. 
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Citando





“On résiste à l’invasion des armées; on ne resiste pas à l’invasion des idées.”
Victor Hugo

Nota extra: Já aqui disse que gosto muito de fotografar quando a luz vem do lado de lá da linha de ombros?

By me

sábado, 4 de abril de 2015

Alguém me ajude, por favor!!!!!





Chego a casa já noite bem fechada.
A minha rua, conhecida pelos amigos íntimos como “o monte dos vendavais”, está numa calmaria tal que o fumo do cigarro, palidamente iluminado por um dos candeeiros aqui existentes, sobe na vertical como se nem mesmo eu estivesse a respirar por perto.
No alto mas não muito esta Lua, grande, brilhante, bonita, exibindo-se num céu impoluto de nuvens e ofícios correlativos.
A minha camisa cola-se-me nas costas, por sob o colete, reagindo fisicamente à química húmida.
Pese embora haver umas quantas janelas iluminadas, os meus ouvidos apenas captam o motor distante de um carro, um cão que ladra lá longe e as gargalhadas de um bando de jovens algures nas imediações.

Caramba!!!!
O meu calendário está certo ou estamos a meio de Agosto??????

Pentax K7, Novoflex 600mm, f/22, 1/80, ISO 400, tripé Benbo #1, cabeça Manfroto 3030
 
By me

Abjecto



Se para se melhorar a qualidade das nossas fotografias há que ver os trabalhos de outros fotógrafos, no discurso – escrito ou falado – há que fazer o mesmo. Ler e ouvir o que outros dizem ou escrevem.
Foi num desses exercícios de aprendizagem que recuperei para o meu vocabulário uma expressão: abjecto.
Já não me recordava dele há muito, que não tinha o prazer de por ele passar os olhos. E isto do vocabulário e da sua aplicação é como muitas outras coisas na vida: longe da vista, longe do coração.
Consultado um dicionário, só mesmo para tirar teimas, eis a definição sumária que nele encontrei sobre o termo abjecção:
“Estado de excessiva baixeza moral”.


Infelizmente, este recordar de palavras veio recordar-me de pessoas. Algumas do conhecimento geral, outras de círculos mais restritos. É pena!

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O pato



Só pela graça. Ainda não tinha fotografado nada hoje.

By me

Ser livre





Há uns dez anos bem medidos publicava eu este textinho:

“Seja qual forma como tentemos abordar o tema, a verdade é que estamos sempre e eternamente presos.
Confinados a uma cela ou na superfície do planeta, com horários, cartões identificativos e códigos de conduta.
A qualidade da prisão é que varia. Alguns vêem no abrir da fechadura a sua liberdade, outros no vencer a atracção terrestre. Uma chave uns, asas outros. Há quem vá mais longe e não possua relógio ou recuse o bilhete de identidade.
Mas depois de cada fronteira, depois de cada quebrar de grilhetas, apenas constatamos que continuamos presos. Por outras grades, por outros conceitos, por outras obrigações.
Quando, há uns anos largos, conversava com um Argentino, logo a seguir à guerra das Malvinas ou Faulkland, dizia-me ele: “Nós? Somos livres! Podemos sair à noite e tudo!”
Ou ainda aquele outro jovem que dizia: “Esta semana estou livre. Os meus pais vão de férias para fora.”
Mas a liberdade não é um estado legal ou material. É um estado de espírito!
O exercício da liberdade começa, antes de mais, dentro de nós. Por aceitarmos ou não por limite o que nos impõem. O deixarmos ou não a nossa mente vogar e decidir o que fazemos. O termos ou não uma verdadeira consciência de nós mesmos e do que nos cerca.
A nossa verdadeira prisão somos nós próprios, na nossa condição de seres humanos de carne, osso e sangue. Pensantes e conscientes.
Quando formos capazes de saber e não apenas dizer, “eu posso”, com toda a plenitude do que isso significa, então seremos realmente livres.
Até lá, enquanto nos sentimos limitados por um planeta, regulamentos ou grades, mais não seremos que sempre prisioneiros daquilo que os nossos sentidos nos transmitem.
E tanto assim é que somos obrigados a comunicar codificando e descodificando estas letras e imagens, presos que estamos a estas convenções.”

Na altura recebi este comentário de uma jovem leitura assídua:

“aki ha uns anos axava k seria livre no dia em k ganhasse a minha independencia...e k isso iria akntcer kd fizesse 18 anos e entrasse finalmente para a faculdade...
hmmmm....
19 anos....prestes a entrar ja no 2º ano de faculdade....
liberdade? onde é k ela está?
agora pergunto-me (ja com um bocadinho mais de consciencia do mundo e do país onde vivo) se algum dia knseguirei alcançar essa tao ambicionada liberdade...
mas será que sei realmente o que é ser livre?
alguma vez vou saber...?”


Espero, sinceramente, que ela tenha descoberto o que é liberdade de ser e de pensar. E que o seja!

By me

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Grocas?





Eu sei que tenho referido o livro muitas vezes. Que querem: é uma daquelas obras de ficção em que muito aprendi. Na juventude, quando a descobri, e ainda hoje, em a relendo.
Refiro-me a “Um estranho numa terra estranha”, de Robert Heinlein.
E é, talvez, aquilo que diferencia o ser humano de tantos outros: a capacidade e correlacionar dois ou mais factos ou saberes e encontrar algo de novo. Foi o que me aconteceu com este livro.
Entre outras questões, nele é referido um verbo ficcionado: “Grocar”.
O seu significado, se eu bem o entendi, é o entender muito para além da superfície, é o conhecer em profundidade, é o procurar – sem obsessão – a razão de ser das coisas e das atitudes.
Ainda hoje procuro grocar o que me cerca, com a certeza de que não passarei do arranhar das superfícies mas que o tento apesar de tudo.
Este “grocar” é, do meu ponto de vista, também fundamental em imagem. No seu todo em geral, em fotografia em particular.
Podemos fotografar algo ou alguém apenas porque nos agrada o que vemos: os gestos, as luzes, as poses, as formas… pode ser apenas uma atracção estética ao que fotografamos.
Mas se formos ver e conhecer as biografias dos Fotógrafos com maiúscula que apreciamos, constatamos que quase todos cultivavam ou cultivam uma séria empatia com o que registam. Positiva ou negativa.
Antes de fotografarem – ou enquanto o fazem – procuram ir mais longe no entendimento daquilo que reflecte luz para a sua objectiva. E tanto pode ser a reportagem sobre situações de violência ou de vida animal como natureza morta em estúdio, como moda ou arquitectura. Todos eles, de um modo ou de outro, conhecem muito bem o que fotografam, tentando que esse conhecimento se reflicta no que fotografam.
Pouco importa o nome que lhe damos: grocar, saber em profundidade ou bife bem passado: se não se conhecer bem o que fotografamos mais não fazemos que fotocopiar o mundo em redor.

Na imagem, o meu igualmente antigo conjunto de varetas para o I Ching. Uma outra forma de grocar. 

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Meio metro e porque estamos em Abril





Tinha meio metro!
Garanto que tinha meio metro!
Meio metro de diâmetro!
Tinha meio metro de diâmetro aquele cano.
Ou melhor: Aquele cano de revolver de calibre .38 tinha meio metro de diâmetro!

Mas comecemos pelo princípio:
Estávamos no primeiro Outono da revolução. E uma revolução significa isso mesmo: tudo muda e se revolve. E se houve coisas onde aconteceram mudanças foi com a gente mais jovem e com a educação.
Até então o ensino era sexualmente segregado. Se hoje se pretende que exista educação sexual nas escolas, a grande vitória de então foi os estabelecimentos de ensino passarem a ser misto, rapazes e raparigas lado a lado.
No início daquele ano conturbado de 74/75 juntaram-se dois liceus, um masculino, outro feminino e redistribuíram-se os alunos em função das moradas e dos melhores acessos à escola. Aconteceu nestes dois, como em todos os outros pelo país.
Claro que foi a grande confusão, com toda a gente sem saber onde estava colocada, entre muitas outras coisas que não se sabia. A confusão, diga-se de passagem, estava mais nas cabeças dos pais e encarregados de educação, que nas dos alunos.
Para nós, o mundo era um cubo e havia que o deixar redondo como vinha nos livros. Havia inúmeras arestas para limar, superfícies a polir, mas isso não nos assustava. Nunca nos tínhamos “cortado” nas ferramentas e o trabalho não nos intimidava.
Todos queríamos fazer algo. A mim tocou-me estar na recepção de um dos liceus, com as listas dos dois. Com um mapa ao lado, ajudava aqueles alunos e pais que estavam meios perdidos com localizações e transportes. E não eram tão poucos quanto isso…

Num desses dias de entusiasmo e confusão, surge um pai de uma rapariga. Consultada a lista, verifica-se que ficou colocada no antigo liceu masculino. O pai não aceita. Diz que ele (o liceu) tem má fama e que não quer lá a filha.
No que diz respeito à fama, até que tinha alguma razão: eu próprio tinha ajudado a construi-la. Mas tudo isso era história passada. Com a nova organização de alunos e professores, tudo iria ser diferente.
Mas aquele pai não havia forma de ser convencido. De jeito algum. Deveria haver muita confusão naquela cabeça e naquelas vidas. Ele era peremptório e nada o demovia. O tom da conversa subiu, começaram a juntarem-se mais alunos em redor, o homem foi-se enervando ainda mais…
Até que mete a mão ao bolso e saca de um revolver. Como a conversa era comigo, calhou-me em sorte ser o alvo daquele cano.
E garanto: a vinte centímetros dos olhos, um .38 tem meio metro de diâmetro!
Claro que a situação não durou muito! Rapidamente foi submergido pela maralha que nos cercava, foi desarmado e ainda levou uns “encostos”. E constatou-se que a arma, afinal, estava descarregada! Mais ou menos como estava o meu ânimo e interior depois de uma situação daquelas.

Mas o homem tinha que ser esclarecido. E a filha tinha mesmo que ir para o tal liceu.
Passado um pouco, todos mais serenos e sem a intervenção da tropa que aparecia por ali volta não volta, acabei por ir no carro dele mostrar-lhe o tal liceu, que eu bem conhecia, numa visita guiada.
Acabei por não conhecer a filha dele nem me recordo da sua idade ou do ano que cursava.
Mas fiquei a saber que um revolver .38, a vinte centímetros da cara, tem meio metro de diâmetro.

By me

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Direitos



A propósito ainda da devolução de uma herdade no Alentejo aos ex-proprietários, que foram expropriados ao tempo de Sá Carneiro e já indemnizados:

Como é que se chamava mesmo a família moura que explorava essas terras algures no séc. XII, aquando das actividades bélicas de D. Afonso Henriques?
É que me parece que os seus herdeiros terão prioridade, no que toca a devoluções de terras.
Isto presumindo que a árvore genealógica Celta foi quebrada algures há uns dois mil anos, aquando da chegada dos Romanos. 
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