quinta-feira, 2 de abril de 2015

Parqueamento





Chegaram quando eu cheguei. E abordei-os quando se afastavam do carro recém-estacionado.
“Boas tardes. Se os senhores precisarem, eu posso ajudar a que adquiram as características físicas que justifiquem o estacionarem o carro num lugar reservado a deficientes. Quando não, posso sugerir que o coloquem num dos vários outros locais livres que aqui estão?”
Olharam para mim com os olhos muito abertos, olharam para o carro e para a placa bem visível, olharam um para o outro e, sem palavra, ele entrou e mudou o local de estacionamento.
Ficámos sentados em cantos opostos do restaurante de fast-food em cujo parque de estacionamento este episódio aconteceu.
A mocinha que me atendeu ao balcão, que já me conhece faz tempo, também nada disse, mas o seu sorriso e piscar de olho foram eloquentes.

By me

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Leio que um passageiro com fome a bordo de um avião agrediu uma hospedeira e obrigou ao desvio e aterragem forçada em Roma.
Como se desvia um país??????
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Há certos insultos que não uso. Por exemplo:
Chamar “filho da puta” a um membro do governo é insultar a respectiva mãe, que não terá outra culpa que não seja a ter gerado semelhante individuo. E foi um acto grave!
Por isso mesmo, não corro o risco de ser processado por insultos a figuras públicas.
Pelo menos com estes termos. 
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Ao calhas





Fazer ao calhas, por vezes, redunda em acertar bem em cheio.
Eis que abro ao calhas um livro que tenho em cima da secretária para acabar de reler. E dou com a transcrição que se segue. Que, de uma forma ou outra, define e justifica o que e como tenho feito ao longo de mais de três dezenas de anos de fotografia, vídeo e escrita.


2.1. A ligação

A função de ligação, tal como a definiu Barthes, é uma forma de complementaridade entre a imagem e as palavras, aquela que consiste em dizer aquilo que a imagem dificilmente pode mostrar.
Deste modo, entre as coisas dificilmente representáveis na imagem fixa, temos a temporalidade e a casualidade. Com efeito, a tradição dominante de representação em perspectiva faz prevalecer a representação do espaço em relação à representação do tempo. Aquilo que estamos habituados a decifrar é o perto e o longe no espaço. Admitimos a existências de ecrãs visuais (uma montanha, uma cortina) que pela sua suposta proximidade nos escondem aquilo que se esconde por detrás deles. Isto obriga a imagem fixa a abandonar a representação do tempo para além da instantaneidade. Contar uma história numa única imagem é impossível, enquanto que a imagem em sequência (fixa ou animada) encontrou os meios para construir narrativas com as suas relações temporais e casuais. A fotonovela, as bandas desenhadas podem contar histórias, imagem única e fixa não.
Vimos que uma das preocupações do movimento cubista na pintura havia sido precisamente a introdução de uma nova relação espaço-tempo no quadro, quebrando com os constrangimentos da representação em perspectiva  e a procura dos equivalentes visuais da expressão da temporalidade. Mas a maior parte das vezes é a língua que vai compensar esta incapacidade da imagem fixa para exprimir as relações temporais ou casuais. As palavras vão completar a imagem.

In: “Introdução à análise da imagem”, by Martine Joly, Edições 70, pp 122, 123
Imagem: by me

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Tenho inveja daqueles tipos de Sesimbra, os da pedreira.
Com uma só explosão controlada conseguiram fazer o que fizeram.
Eu, quando tenho explosões controladas, o mais que consigo é pôr as pessoas a olhar de lado para mim e a dizerem que tenho mau feitio. 
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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Apertando



Há limites para tudo.
Para esta situação e o demais na vida.

Não apertem demais.

By me

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E a selfie mais famosa do mundo é a última ceia, do Leonardo.
Em não se tratando de uma selfie, porque raio haveriam de estar todos do mesmo lado da mesa?
Só se do lado de cá chovesse ou se estivesse um grande TV a dar a final do campeonato do mundo. 
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E sobre algo que ouvi ontem, aqui fica uma explicação.

Professor – Aluno
Mestre – Aprendiz
Instrutor – Instruendo

Na busca do sensacionalismo nem se confirmam fontes nem bem se usa a língua portuguesa.
O crédito de um jornalista não se aquilata apenas no que conta mas também no como conta. 
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Não adianta





Não adianta:
Por muito que nos esforcemos, elas continuarão a florir. Mesmo que num recanto ignoto de umas traseiras perdidas de uma qualquer grande empresa ou agência.
E fazem-no porque querem, porque gostam, porque sabem que por muito que nós, os humanos, nos esforcemos, os ciclos continuarão muito para além dos muros, das leis e regras que criemos.
Melhor faríamos – todos e cada um de nós – se no lugar de competirmos desenfreadamente na finitude que somos, tirássemos partido do que está ao nosso alcance sem desistirmos dos nossos sonhos.

By me

Depois, há um dia que...



By me