David Hockney, nas suas incursões no mundo da fotografia e
do estático movimento ou do movimento estático, incluia quase sempre uma
fotografia onde se viam os seus pés.
Nunca aprofundei as razões de ser de tal pecularidade: se
como assinatura, se como prova de que esteve lá, se como início do movimento a
fazer com a câmara Polaroid...
Por mim, que até gosto de fotografar os sapatos abandonados
na rua e que me ponho a imaginar a vida que tiveram com pés dentro ou ao lado
da cama, não podia deixar de fotografar os meus sapatos. Com os pés dentro ou
fora.
Neste caso, conjugaram-se vários factores: o estar numa
pausa entre fotos, o pensar em substituir estas velhas pantufas, o ter entre
mãos uma uma câmara Pentax de excepção de pequena que é.
A luz, essa, é que me entra pela janela, sem mais enfeites
que um dia em que se antevêem várias tempestades ao logo da costa e travada
pela minha secretária de trabalho.
Significa alguma coisa? Não! Mas foi o que me apeteceu
fazer.
Pentax I-10
By me


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