quinta-feira, 19 de julho de 2012

O aviso




Sobre esta fotografia muita coisa pode ser dita.
Começando pelos malefícios do tabaco, coisa que todos os fumadores sabem, eu mesmo incluído, mas que fazem por esquecer.
Passando pela questão do acordo ortográfico, que me leva, ao lê-lo, a ficar na dúvida que falta ali um B de bato, um C de cato, um F de fato, um G de gato, um J de jato, um M de mato, um N de nato, um P de pato, um R de rato, um T de tato, ou um C de acto. Admito que levo uns segundos a ler isto e a fazer uma leitura de interpretação e não uma leitura factual e inequívoca, como deveria ser. Tenho para mim que este Acordo resulta mais na contracção de palavras usadas nos SMS que na uniformização das grafias de diferentes países. E fico curiosos em saber se a moda pega ou se, em breve, o comum dos utilizadores da língua mandará às urtigas as decisões de lentes desfocadas e escreverá de forma a que todos entendam.
Mas o mais importante nesta fotografia e no aviso que ela contém é a existência do aviso.
Foi ela feita ainda não há uma semana porque me surpreendeu que ali estivesse colocado. Que o está no cafezinho da minha rua, que conheço há anos, e onde nunca por ele tinha dado.
De conversa com a dona do local, enquanto me preparava a bica cheia, explicou-me ela que há alguns clientes que vêem buscar o tabaco ao balcão para ir para as mesas e, quando se vão embora e pagam a despesa, o tabaquito cai no olvido.
Falamos de alguns clientes habituais, daqueles que vão ali passar uma hora ou mais de volta do jornal do dia, generalista ou desportivo, que o estabelecimento compra para que os clientes consultem. Falamos daqueles clientes que, em entrando e para além da saudação aos presentes, vão a esta ou aquela mesa perguntar pela saúde de algum parente ou pela resolução de algum problema anteriormente ali exposto. Falamos de vizinhos da mesma rua, que este café só tem destes como clientes, que por aqui é raro parar quem o não seja.
Mas também falamos, acrescentou-me ela, dos mesmos clientes que a obrigaram, há muito, a ter fora do alcance fácil no balcão, o adoçante para os cafés, que pouco duraria uma caixa dele. Ou dos mesmos clientes que a levaram a também retirar de cima do balcão os cestos de açúcar para evitar que seja “colhido” às mãos cheias.
A desonestidade ou o aproveitar da ocasião é algo que está intrinsecamente em cada um de nós. Disso não há dúvida. O que nos impede de o fazer será, talvez, o respeito que temos pelo próximo, o sabermos que aproveitarmo-nos do que não é nosso não é correcto, que roubar é um acto feito. Mas essa fronteira também é flutuante, ajustando-se às circunstâncias e às necessidades. O aumento do desemprego e das dificuldades económicas leva muitos, que conhecemos desde há muito, a passar para o outro lado e a cometer estes “pequenos” delitos. Que, por pequenos que sejam, não deixam de o ser.
Não creio que aqueles que acerrimamente defendem a competitividade e a sobrevivência dos mais aptos entendam que ao alimentar essas teorias estão, na prática, a desviar as fronteiras do civismo, a colocar os valores éticos bem mais abaixo que a questão da satisfação de necessidades básicas ou parecidas. E a incentivar a que estes pequenos furtos, cometidos sobre conhecidos e vizinhos, sejam o início de uma carreira na mesma linha mas de maiores dimensões, em que o café ali da esquina é substituído pela gasolineira ou supermercado e em que a descrição do acto se substituirá pela violência de uma qualquer arma, usada ou não.
A existência do crime e do medo que ele aconteça é algo que satisfaz em pleno os detentores do poder. Que enquanto estivermos preocupados sobre a segurança de pessoas e bens aqui na porta de casa, nem pensamos nos outros roubos de muito maiores dimensões, permitindo que o medo da insegurança seja a desculpa para o cercear da liberdade de ser e pensar.
Faz parte de qualquer cartilha de aspirantes a títeres que o medo é a base de uma sociedade super controlada e o alimento das ditaduras.
Naquele dia saí do café com um troféu na câmara fotográfica. Mas com a alma um pouquinho mais triste.

By me 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Manias!




Há coisa de quinze dias tive uns técnicos de comunicações aqui em casa.
O trabalho implicava passar cabos e instalar equipamento, pelo que ainda demorou um pedaço.
A dada altura não resisti e perguntei-lhes se poderia fumar um cigarro.
Ficaram a olhar para mim, com cara de espanto, dizendo-me de seguida que naturalmente que sim, que eu estava em minha casa.
Ainda assim, fiquei na dúvida se a resposta foi de circunstância ou se, de facto, não se importavam que eu fumasse por perto.
É que, mesmo estando eles em minha casa, estavam também a trabalhar e não faria sentido obrigá-los a suportar os restos do meu vício.
Pouco tempo depois, numa jantarada de colegas num restaurante, um houve que não se conteve e, por duas vezes, tratou de acender um cigarro, às escondias de quem nos atendia. Era tarde e o espaço estava quase por nossa conta. Mas a noite estava simpática e aporta mesmo ali ao pé.
Ele há uns e há outros. Por mim, prefiro continuar a perguntar a quem recebo em casa, mesmo que em trabalho, se não incomodo.

By me 

Fronteiras




Há uma linha que separa aquilo que eu não quero daquilo que eu não deixo que aconteça.
E, raismapartam, se não serei eu que a defino!

By me

terça-feira, 17 de julho de 2012

O termómetro




Atravessando meia cidade, de regresso a casa e a meio da tarde, vi muitos termómetros em cartazes publicitários.
Em regra não lhes presto atenção, até porque não costumam estar de acordo nos valores que apresentam. Hoje não foi excepção.
Este foi o que menor número mostrou.

By me 

Antevendo a queda da Babilónia




E quando é um alto dignitário da igreja, intimamente ligado ao sistema militar, num regime europeu, de direito e democrático, a fazer estas afirmações, fico realmente preocupado.
Eu, que sou Acrata, Anti-Militarista e Agnóstico.

O texto foi publicado num jornal diário, hoje:

“Bispo das Forças Armadas acusa Governo de ser “profundamente corrupto”
 O bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, considera que o Governo liderado por Passos Coelho é “profundamente corrupto” e compara “alguns” ministros a “diabinhos negros”, por oposição aos “anjos” que integraram o anterior Executivo.
“Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir”, disse D. Januário Torgal Ferreira em entrevista à TVI24, ontem à noite. Numa crítica à forma como o Governo tem lidado com as exigências da troika, o bispo prosseguiu: “Nós estamos numa peregrinação em direcção a Bruxelas e quando tudo estiver pago daqui de Portugal, sai uma procissão de mascarados a dizer: vamos para um asilo, salvem-nos”.

"O problema é civilizacional, porque é ético”, sustentou o bispo. “Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, porque têm o seu gangue, porque têm o seu clube, porque pressionam a comunicação social, o que significa que os anteriores, que foram tão atacados, eram uns anjos ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer”, afirmou, no programa “Política Mesmo”.

Contactado pelo PÚBLICO, o assessor de imprensa de Pedro Passos Coelho, Rui Baptista, disse que as declarações do bispo das Forças Armadas "não merecem comentário".

By me

Vai com calma




A história é velha. Velha mesmo, datando da minha adolescência.
Fora eu convidado para jantar em casa da namorada. Pela primeira vez. Momento solene, de apresentação aos pais, com tudo o que isso significa. Mais ainda, se pensarmos que se passou há trinta e muitos anos.
Durante a refeição, onde tentei recordar todas as recomendações de boa educação e de comportamentos à mesa, puxei eu a conversa sobre a revolução e a guerra colonial.
Entenda-se que o pai da minha namorada tinha sido militar de alta patente e afastado do activo após a revolução.
O silêncio e os semblantes que vi nos restantes comensais não foram suficientemente elucidativos no momento. Que o senhor pegou no tema, empolgou-se com ele como era hábito – que eu desconhecia - e foi um descalabro de queixas, protestos e ameaças. O suficiente para azedar um bom pedaço o ambiente à mesa, só aliviado quando a mãe da minha namorada desviou a conversa, talvez que com a chegada da sobremesa.
Mais tarde, talvez no dia seguinte, disse-me aquela que ali me levara que aquele era tema tabu lá em casa e que ninguém o abordava pelas razões óbvias.

O tempo passou, o namoro acabou como tudo o resto na vida, eu e ela seguimos os nossos próprios rumos, amigos próximos, e parte dos intervenientes nesta história já faleceram.
O que não desapareceu foi a lição que nesse jantar e tão cedo na vida aprendi, indelével até hoje: saber avaliar as reacções de um novo interlocutor, bem como dos circundantes que o conheçam, e tentar evitar assuntos demasiado polémicos que, de uma forma ou outra, possam estragar o ambiente que se quer alegre e bem-disposto. Os indícios são, por vezes, mínimos, quase que imperceptíveis, mas dar por eles pode tornar-se vital.
Essa prática, umas vezes mais discreta, outras mais óbvia, tem-me evitado momentos de embaraço ou mesmo incompatibilidades.
É que, e como dizia a minha avozinha, “Viver não custa, custa é saber viver.”

By me

Estória postal




ou:
O GRANDE ROUBO DO CORREIO E O DETECTIVE DE TRAZER POR CASA


Uma ocasião, ao chegar a casa, constato que tinham assaltado a minha caixa do correio.
Nem arrombaram a fechadura nem forçaram a portinhola. Tinham dobrado para dentro aquela chapa de alumínio interior que, com os seus 45º com a fachada, impedia a entrada das mãos.
Fiquei meio chateado, meio curioso.
Chateado por ter saído na rifa a um qualquer larápio e por a caixa ter ficado danificada. Curioso por não perceber o motivo, já que nada recebia de valioso: nem cheques nem vales postais ou qualquer encomenda que valesse o trabalho.
Sendo o dano apenas na chaparia de alumínio, lá o endireitei como pude e não pensei mais no caso.
Até que, uns dias depois, a estória repetiu-se: a tal chapa dobrada para dentro. Prestei atenção às outras da vizinhança e estavam incólumes. O objectivo tinha sido mesmo e apenas a minha caixa de correio e a respectiva correspondência.
Continuando sem perceber o porquê, lá tornei a endireitar a coisa, mas fiquei com pulga atrás da orelha. Que raio!?

Na semana seguinte, a situação repetiu-se.
De curioso e chateado, passei a furioso. Com o dobrar e endireitar, a chapa partiu-se, tornando o roubo mais fácil, para não falar no “mau aspecto” do conjunto das caixas de correio.
Mas desta feita percebi o motivo: todos os roubos se tinham processado numa quarta-feira, dia em que recebia uma revista sobre a programação televisiva. Eu nem a assinava, era-me enviada gratuitamente pela empresa onde trabalho e que possuía aquele título.
Bolas! E eu que nem ligava nenhuma à porcaria da revista!

Com estes dados, pus pés a caminho: polícia judiciária, em Lisboa. Que eu saiba, o roubo ou violação postal é crime neste país!
Lá, apesar de cortesmente atendido, fiquei de orelha murcha. Eu tinha motivos para apresentar queixa, sim senhor, mas não ali. Aquele tipo de crimes era recebido e resolvido pelas forças policiais da zona e, no meu caso, seria a GNR a tratar do caso.
E se assim é, assim será! Lá voltei para trás, fui ao posto da Guarda e apresentei queixa. Sem grandes esperanças na sua eficácia, mas apresentei na mesma.

Passados uns tempos, e com os roubos, agora furtos, a manterem-se, sou chamado ao posto da Guarda.
Aí sou informado das diligencias efectuadas: Por duas quartas-feiras consecutivas tinha estado um carro civil com dois agentes à paisana de vigia ao meu prédio e nada tinham constatado. E, perante o meu pedido de ao menos irem recolher as impressões digitais (não se falava ainda de testes de ADN), fiquei a saber que no alumínio elas não perduram, pelo que seria inconsequente.
E fiquei ainda informado que, face à inconclusão das investigações, davam o caso por encerrado, que eles tinham mais que fazer que caçar um ladrão de revistas.

Não me dei por satisfeito! E resolvi apelar ao espírito Luso: o improviso.
Rebusquei em caixas velhas até encontrar um velho “besouro”, o que sobrava de um conjunto de transmissão de código Morse da minha meninice. Juntei-lhe uma valente pilha de 4,5 volts e, com alguns cabos eléctricos, uns arames e alguma fita adesiva, improvisei um interruptor e uma armadilha.
Esperei pela 4ª feira seguinte e pela chegada do correio. Lá vinha a fatídica revista. Após a partida do carteiro, e sem que ninguém visse os meus preparativos, instalei a geringonça.
O teste foi excelente: ao puxar-se a revista para fora, aquilo fazia um barulho dos diabos, usando a caixa de correio como caixa de ressonância, para já não falar no eco da escada.
Deixando tudo como se nada fosse, peguei na cadeira de praia que tinha comigo e munido de tabaco, isqueiro e uma lata de refrigerante, primeiro com e depois sem a servir de cinzeiro, desci à cave, preparado para uma longa espera. Havia de dar com o meliante!
Enquanto lá estive, muito ouvi o abrir e fechar da porta do prédio, as conversas de quem ali entrava e saía e o subir e descer dos elevadores. E a sonolência ia tomando conta de mim, que o fresco do local e a obscuridade a tal convidavam.

Até que acordei de súbito! Aquilo “besourava” por todos os lados, clamando por mim como um alarme de bombardeamento!
Não creio que um campeão de corrida de fundo tivesse subido aqueles dois lances de escada, de nove degraus cada, mais rápido que eu. Quando lá cheguei, nem a porta do prédio se tinha ainda fechado!
E o meliante apanhado, com um ar mais que culpado. Neste caso A meliante, que se tratava de uma garota, de 12 ou 13 anos e residente no prédio. “Palmava-me” a revista para seguir as telenovelas que ali vinham descritas.
Claro que ouviu “sermão e missa cantada”, com toda a fúria que eu tinha e a ameaça bem explícita de a denunciar junto dos pais, da polícia, dos serviços secretos e do mais que me lembrei. E deixei em suspenso a ameaça para a concretizar na próxima vez.

Não sei se por medo, se por ter aprendido o erro do seu acto, a verdade é que não mais aconteceu. E passados uns tempos, passei a deixar a revista na sua caixa do correio no próprio dia em que a recebia. Afinal, ela nem me interessava.
E as autoridades policiais ficaram a dever-me uma, pela sua ineficácia!

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

A última decisão





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A objectiva


Retrato de um fotógrafo incomum, num grupo incomum, com uma câmara incomum.
Pentax K7, F/10mm f:11


A objectiva


O retrato

By me

domingo, 15 de julho de 2012

Modos de ver




 “(…)
Uma imagem é uma vista que foi recriada ou reproduzida.

É uma aparência, ou um conjunto de aparências, que foi isolada do local e do tempo em que primeiro se deu o seu aparecimento, e conservada - por alguns momentos ou por uns séculos.

Todas as imagens corporizam um modo de ver. Mesmo uma fotografia. As fotografias não são, como muitas vezes se pensa, um mero registo mecânico. Sempre que olhamos uma fotografia tomamos consciência, mesmo que vagamente, de que o fotógrafo seleccionou aquela vista de entre uma infinidade de outras vistas possíveis. Isto é verdade mesmo para o mais banal instantâneo de família. O modo de ver do fotógrafo reflecte-se na sua escolha do tema. O modo de ver do pintor reconstitui-se através das marcas que deixa na tela ou no papel. Todavia, embora todas as imagens corporizem um modo de ver, a nossa percepção e a nossa apreciação de uma imagem dependem também do nosso próprio modo de ver.

(Por exemplo, Sheila pode ser uma entre vinte pessoas; mas, por motivos pessoais, só temos olhos para ela.)

As imagens foram feitas, de princípio, para evocar a aparência de algo ausente. A pouco e pouco, porém, tornou-se evidente que uma imagem podia sobreviver àquilo que representava; nesse caso, mostrava como algo ou alguém tinham sido - e, consequentemente, como o tema havia sido visto por outras pessoas. Mais tarde ainda, a visão específica do fazedor de imagens foi também reconhecida como parte integrante do registo. A imagem tornou-se um registo de como X tinha visto Y.

Constituiu isto o resultado de uma crescente tomada de consciência da individualidade, acompanhada de uma crescente consciência da história. Seria ousado pretender datar com rigor este último avanço. No entanto, pode afirmar-se com certeza que esta consciência existe na Europa desde o início do Renascimento. Nenhuma outra espécie de vestígio ou de texto do passado nos pode dar um testemunho tão directo sobre o mundo que rodeou outras pessoas, noutros tempos. Sob este aspecto, as imagens são mais rigorosas e mais ricas que a literatura. Esta afirmação não nega a qualidade expressiva ou imaginativa da arte, como se a considerássemos uma mera prova documental; quanto mais imaginativa é a obra, mais profundamente nos permite compartilhar da experiência que o artista teve do visível.
Ainda assim, quando uma imagem é apresentada como obra de arte, o modo como as pessoas olham para ela é condicionado por toda uma série de pressupostos adquiridos sobre a arte. Pressupostos que se ligam a:

Beleza
Verdade
Génio
Civilização
Forma
Estatuto Social
Gosto
etc.

Muitos destes pressupostos não se encontram já ajustados ao mundo tal como ele é (o "mundo tal como ele é" é mais do que um puro facto objectivo: inclui também a consciência). Em desacordo com o presente, estes pressupostos obscurecem o passado. Mistificam, em vez de clarificar. O passado nunca está pronto a ser descoberto, reconhecido, exactamente como foi. A história reconstitui sempre uma relação entre um presente e o seu passado. Por consequência, o medo do presente conduz à mistificação do passado. O passado não serve para se viver nele; é uma mina de conclusões que utilizamos para agir. A mistificação do passado arrasta consigo uma perda dupla: as obras de arte tornam-se desnecessariamente remotas; e o passado dá-nos menos conclusões a completar com a acção.

Quando "vemos" uma paisagem, situamo-nos nela. Se "víssemos" a arte do passado, situar-nos-íamos na história. Quando nos impedem de a ver, estamos a ser privados da história, que nos pertence. A quem lucra esta privação? Ao fim e ao cabo, a arte do passado vem sendo mistificada porque uma minoria privilegiada se esforça por inventar uma história que possa justificar retrospectivamente o papel das classes dirigentes e porque tal justificação já não faz sentido em termos modernos. Por isso, inevitavelmente, mistifica.

(…)

Excerto da obra “Modos de ver” de John Berger.
Editado por “Edições 70”, na colecção “Arte e comunicação”, Lisboa, 1999

 By me