terça-feira, 15 de maio de 2012

O tempo e a limpeza urbana





Eu sei que as paredes e colunas das estações de caminho de ferro não são locais para afixar anúncios, provados ou oficiais.
Vai daí, de quando em vez vem uma brigada de limpeza e rapa tudo.
Não seria mau se o trabalho fosse bem feito e as ditas paredes e colunas ficassem limpinhas e coloridas. Mas ficam neste estado. Triste.
Tal como eu fico triste por tirarem os tais anúncios. Sempre me entretinha, se estava adiantado para o comboio, a ler os avisos de aluga-se quarto, de mudanças e transportes, de encontros religiosos, de festas de garagem ou salão com ou sem DJs, de perca peso, de perdeu-se…
Agora, resta-me ficar a olhar para o que sobra e tentar adivinhar o que ali estaria afixado. Suponho que seja a campanha publicitária mais eficaz, se recordarmos as marcas e os nomes.
Mas nem este novo entretém de imaginação durará muito: Numa das colunas já consta o aviso da festa de lançamento de um disco afro, com DJs, bailarinas e preços diferenciados para eles e elas. Note-se que as mulheres só entram de borla até às 1.30 horas.
Aquilo que fazemos para “matar o tempo”…

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Organizem-se



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segunda-feira, 14 de maio de 2012

A aldeia vertical




Há dias, nos dormitórios suburbanos, que terminam assim:
Plácidos, mornos, silenciosos, dando vontade de vir para a soleira da porta do prédio sentarmo-nos com uma cadeirinha extra e convidar os vizinhos a sentarem-se e darem dois dedos de conversa enquanto o sol se despede e o chilrear diminui.
Hoje não foi um desses dias!

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Um olhar - Carolina



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O par




Confesso que há certas mensagens que não entendo. Nomeadamente no que respeita ao marketing e publicidade.
O que também não entendo, neste caso, é porque motivo este par de sapatos feminino, aparentado estar em bom estado, foi jogado fora no lixo.
Talvez que a sua dona deixasse de amar o Sixty Seven.  

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domingo, 13 de maio de 2012

Carta a um advogado




Olá!
Depois da reunião tida ontem, fiquei a pensar nela. Seriamente.
E cheguei à conclusão que há coisas em toda esta situação que não fazem sentido.
Desde logo ter ficado desagradada comigo. Que o estar a fazer um trabalho sem estar a ser remunerada de acordo com as normas não será agradável. Concordo em pleno que não faz sentido.
Tal como não faz sentido gastar eu uma quantia para ser ressarcido de danos materiais em que a relação entre ambos será de três para um, quando não mais.
E não faz igualmente sentido ir eu fazer alguns sacrifícios económicos para reaver quantias gastas numa situação em que não fui o responsável.
Por último, não faz sentido nenhum ter que inventar eventuais prejuízos morais e abordá-los como se de verdade se tratasse para deles ser indemnizado e, com isso, ser ressarcido de despesas com a justiça, nomeadamente, com os seus serviços.
Ora sendo certo que não sou nem santo nem filósofo mas que faço todo o possível para que a minha vida faça sentido, decidi que também neste caso o fará!
Assim, e pedindo desculpas por todos os incómodos que possa ter causado, vou dar o dito por não dito e não vou pedir indemnização por danos causados. Nem patrimoniais nem morais.
Não vou desagradar a terceiros, não vou fazer sacrifícios nem vou inventar estados de espírito!

Posto isto, prescindo dos seus serviços como advogada a partir da data de hoje.
Agradeço que me informe de quanto lhe deverei pagar pelo o que fez até este dia, que pagarei na data que acordámos.
Tal como agradeço que me informe o como poderei reaver os documentos que lhe entreguei.

Com os melhores cumprimentos e pedindo desculpa por qualquer incómodo causado

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Milagres




Entre poucas centenas e cerca de três mil, os media divergiram quanto ao número de participantes que ontem subiram a avenida da Liberdade em Lisboa, integrados no movimento “Primavera Global”.
No entanto, os mesmos falam em 300.000, e as autoridades eclesiásticas em “particularmente concorrida”, ao referirem os participantes nas celebrações do 13 de Maio, este ano em Fátima.
Diria eu que cada um procura onde sabe encontrar a solução para os seus problemas.
Sendo certo que não sou crente num divino nem nunca esperei por um tal de Sebastião, só posso aplaudir este cartaz, mais para mais transportado por um jovem com não mais de treze anos.
Que se esperar sentado, ou de joelhos, que os meus e os nossos problemas se resolvam, o mais que conseguirei será que se torrem qualquer coisa como as cerca de 19 toneladas de velas que se estimam que tenham sido queimadas, este ano, em Fátima. Para resolução dos problemas dos fabricantes de velas.

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Um olhar - Cátia



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sábado, 12 de maio de 2012

Primavera Global - Lisboa 2012


Esta não é uma visão inocente!
Não sou jornalista nem tenho que ser “imparcial” no que aqui relato.
Estive lá, vi o início no Rossio, acompanhei o desfile pela avenida, vi o juntar desta gente no Parque Eduardo VII.
Tomei partido, reagi à música, diverti-me e concordei com cartazes e frases, e, sendo certo que não sou matemático nem especialista e multidões, não discuto os números de participantes.
Sem caras sonantes nem de organizadores, as minhas imagens são a minha visão do que aconteceu em trânsito hoje, 12 de Maio, na Primavera Global de Lisboa.
De quantos lá estiveram e que se repartiram pelos diversos fóruns e discussões já na relva, deixo que interpretem o que recolhi na net.

No site da RTP diz-se mais de mil.
O Diário de Notícias fala em oito centenas.
O Correio da Manhã refere três centenas.
O jornal I notícia 800.
No Público lê-se cerca de três mil.
O Jornal de Notícias conta algumas centenas.
A TSF enumera cerca de mil. 
















Um olhar - Rainha de Inglaterra




Foi este o nome que me deu quando lho perguntei, depois de ter feito a fotografia.
O meu pedido não surgiu do nada. Antes disso tinha-a ajudado, bem como a um rapaz, a erguer e fixar uma estrutura de canas. Os seus métodos não apenas não estavam a resultar como, mesmo que resultassem, acabaria tudo no chão muito em breve.
Acerquei-me, dei-lhes uma ou duas dicas, segurei enquanto tentavam dar os nós, acabei por ser eu mesmo a dá-los e, no fim, expliquei-lhes o porquê deste sistema de fixação resultar e não o deles. Porque os triângulos não se desmontam a menos que quebremos as suas arestas.
Ficou ela a olhar para mim, com cara de caso, e fez-me uma pergunta que me desconcertou: “Que faz você na vida?”
“Operador de câmara de tv e, nas horas vagas, umas fotografias”, disse mostrando-lhe as câmaras que trazia penduradas.
“Ah! Então e como sabe isso dos triângulos e de matemática?”
Foi a minha vez de a deixar a olhar para mim, desconcertada: “Cultura geral, aquela coisa que sabemos depois de esquecermos o que aprendemos na escola.”

Acho que foi por vingança que me deu o nome de “Rainha de Inglaterra” quando lho perguntei. Solenemente tirei o meu bloco de apontamentos e escrevi-o. E mesmo que, depois disso, me tivesse dado o nome de baptismo, Seria sempre este que usaria eu aqui.

Onde foi tudo isto? No Parque Eduardo VII, aquando da instalação da “Primavera Global” que por lá agora decorre. Fica esta primeira abordagem.

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