quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A sombra preferida




Haverá sempre forma de enxergar aquilo que os nossos olhos não alcançam!

By me

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mau feitio




Não sou conhecido por ter bom feitio!
Posso ser afável, e faço por isso, se tudo corre bem ou mais ou menos bem.
Agora se me tentam enrolar ou parecido, garanto que tenho mau feitio. Custe o que custar!
Tenho andado em busca de um objecto. Em boa verdade, quero vários objectos. E têm sido difíceis de encontrar como os quero. Que não consumo o que querem que eu consuma mas o que quero consumir.
Ao fim de uma valente caminhada pela cidade, metendo o nariz em já não sei quantas lojas sempre com o mesmo resultado, encontro uma que tem o que procuro. Pelo menos muito parecido. Um só exemplar mas, dizem-me, têm mais em armazém.
“Óptimo!”, pensei e disse. “E podem arranjar-me a quantidade que quero?”
“Certamente” disseram-me, depois de contactarem o armazém. “Logo depois do almoço está aqui!” E tornaram a ligar para o tal armazém e fizeram a encomenda. Foi à minha frente e ouvi o telefonema.
Pois nem depois do almoço nem no dia seguinte, depois do almoço. É verdade que não me disseram a que almoço se referiam, mas sempre presumi que fosse o daquele dia.
Quando recebi a segunda “nega”, não fui de modas: “Cancele-me a encomenda, por favor. Não sei onde irei encontrar aquilo que procuro, mas garanto que não será na vossa loja que o comprarei!”
Entendo que nem sempre as coisas correm pelo melhor. Mas um desculpa, meio esfarrapada, e o constante adiar para o dia seguinte é tudo quanto suporto por parte de uma loja onde nunca entrei. À segunda desisto, que não lhes dou terceira oportunidade.
Mesmo que isso me custe mais uma ou duas valentes caminhadas pela cidade, de sol a sol.
Assim, amanhã lá terei que vir cedo para a cidade, em busca do que procuro. Com sorte, ou encontro o quero ou encontro um fim de dia destes! O que será mais um ponto a meu favor, justificando as vantagens de ter mau feitio.

By me

Um olhar - Yon



By me

Riscos no céu




A todos eu alcanço.
Só que a alguns com a mão!

By me

Photographia




Esta é uma fotografia do fazer de uma fotografia.
Será?

Se “fotografia” é “escrita da luz”, então aquela lupa, ao queimar aquela folha de papel, está a realizar uma fotografia.
Está a deixar a sua marca, indelével, naquela superfície. É o concentrar dos seus raios luminosos, e de toda a sua energia térmica, que efectua esse registo essa escrita.
E que faz um fotógrafo senão o conduzir a luz, controlada na sua energia lúmica e térmica, para uma superfície que reagirá a ela?

By me 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

14 de Fevereiro




Porque é o dia que é, aqui fica uma fotografia feita hoje de uma inscrição de parede que conheço de há três ou quatro anos.
Bem sei que fica num beco, ali para os lados da Estefânia, em Lisboa, mas ainda nada lhe foi posto por cima, nem tinta nem papel.
Pergunto-me se, passado este tempo de ter sido escrito, a afirmação e o convite se mantêm.
A bem da tranquilidade do meu sono, vou sonhar que sim.

By me

Tretas




E pronto! É assim que se faz informação em Portugal!
Sobre um mesmo assunto - a divulgação das tabelas de IRS agora publicadas pelo ministério das finanças, o Diário de Notícias usa este título:
“IRS: Empregados do privado pagam mais 2%/mês”
Já o Correio da Manhã titula:
“IRS dá bónus à Função Pública”.
Na prática querem ambos dizer o mesmo: as tabelas do IRS aumentaram e pagaremos mais imposto, ao invés do prometido em campanha pelo actual Primeiro-Ministro.
Mas sendo que os funcionários públicos, bem como os que trabalham em empresa públicas, irão receber 12 e não 14 meses este ano, e que os descontos mensais para o IRS são em função do previsto rendimento anual, foram feitas duas tabelas, uma para quem recebe 12 a outra para quem terá subsídio de férias e de natal.
Faz isto sentido, já que os impostos são em função dos rendimentos auferidos.
O que já não faz sentido é usar-se como título de notícia parte da verdade, deixando as explicações meio escondidas no corpo da notícia. E, com isso, deixar na cabeça de quem apenas vir as manchetes nos escaparates que há tratamentos privilegiados em termos de impostos para os funcionários públicos.
Todos os dias me recordo da canção da Lena D’Água, cujo refrão é:
“Demagogia feita à maneira
é como queijo numa ratoeira.”

By me



E que faz ou diz alguém que, a meio do banho, descobre que há obras no prédio e que cortaram a água?

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Inevitabilidades






O futuro traçado pelas estrelas, a vontade dos deuses, as profecias, os livros do destino, as inevitabilidades…
Tudo isto são expressões ou subterfúgios encontrados pelo Homem para justificar aquilo que não pode ou não quer explicar ou alterar.
E têm sido estas expressões que têm alimentado e mantido as ditaduras, as oligarquias, as repressões. Os submissos vão encolhendo os ombros, aparentando indiferença e classificando aquilo que os incomoda e oprime como inevitável ou imutável.
Porque inverter tendências, alterar rumos e enfrentar os “Eles” todo-poderosos dá trabalho, é arriscado e socialmente reprovável.
Usar da espada ou da pena para agitar o fundo do lago, quebrar a paz podre ou gritar que o rei vai nu, é pedir o apodo de louco varrido ou de perigoso revolucionário, correndo-se o risco de se ser enfiado num quarto almofadado ou numa masmorra escura ou, nalguns casos, atado na fogueira ou no poste.
Mas o pior de tudo é ouvir os brados dos conformistas sobre a inevitabilidade dos factos e a inutilidade dos protestos. Que não sei se gritam contra quem protesta se para abafarem o remorso de ficarem calados!


By me

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Na fila




A fila era quase tão grande quanto esta.
Só que, no lugar de carros eram pessoas. Muitas mais pessoas.
Aliás, a fila era tal que me perguntei se, ao chegar a minha vez, receberia o almoço ou o lanche.
Mas sendo que as alternativas eram nulas, deixei-me ficar, com aquele conformismo de quem não tem alternativa.
Passado um pouco, e com a fila a crescer atrás de mim, surgem três senhoras, todas dondocas, que se encostam à que estava à minha frente e ficam um nico de conversa.
Vendo uma delas o meu olhar de reprovação, que antecipava uma conversa não muito cordial (nada cordial mesmo), diz-me com o maior dos desplantes:
“Não se importa que fiquemos aqui, junto com a nossa amiga, pois não?”
Olhei para ela, olhei para a fila que, entretanto, havia aumentado nas minhas costas, e olhei para ela de novo. E, antes mesmo de a minha boca dizer aquilo que o meu olhar já denunciava, dispara a que já estava na fila aquando da minha chegada:
“Nem penses nisso! Ninguém vai passar á frente de ninguém! Vamos todas lá para trás.”
E abalaram, talvez uns vinte lugares lá para trás.
Foi óptimo! Poupou-se uma conversa pouco simpática; poupou-se o eu fazer uma fotografia das suas caras, que gosto de fotografar quem me ultrapassa nas filas, com ou sem pedido; e a que resolveu a questão subiu mais uns degraus na minha consideração.
E digo subiu porque a conheço, que partilhamos a entidade patronal. Tal como as amigas, que resolveram passar o almoço na palheta com ela, lá na nossa cantina.
Sendo que nenhuma delas é menininha, suponho que façam deste atropelo pedido a prática habitual. Ficará para uma próxima a fotografia, que cedo ou tarde o repetirão comigo, estou certo.
É que nunca gostei de ser ultrapassado. À papo-seco, no pão-com-manteiga ou na fila para um almoço rotineiro.
E se não fiz a fotografia de quem me quis incomodar, fica a fotografia destes carros, inocentemente arrumados e sem atrapalharem ninguém. O que já vai sendo raro, confessemos.

Texto e imagem: by me