domingo, 3 de julho de 2011

Lena



Aqueles que, como eu, lidam com a imagem digital tratam os JPG, TIFF, RAW, PSD e BMP como se de água se tratasse:
Tiram proveito da sua limpidez, da satisfação que provoca dentro e fora do organismo, sem sequer pensarem que é composta de duas partes de hidrogénio e de uma parte de oxigénio, para não falar no que mais por lá há e que não deveria.

Esta é a imagem de Lena Soderberg, que correu e corre o mundo virtual, servindo de teste a algoritmos de compressão de imagem.
O que tem isto de especial? Para começar, sempre posso informar que esta foi a “centerfold” da Playboy de Novembro de 1972.
O resto da história técnica, ética e humana está aqui (http://www.ee.cityu.edu.hk/~lmpo/lenna/Lenna97.html) e aqui (http://ndevilla.free.fr/lena/).
Porque, diga-se o que se disser, a fotografia por si mesma é bem menos importante que aquilo que ela nos mostra!
Será?

Texto: by me
Imagem: “Lenna”, in Playboy 1972

PPPP



By me

sábado, 2 de julho de 2011

Azul em Coimbra



By me

Em breve com o cartaz: "Vende-se"



Estas são duas imagens da mesma fachada do edifício do Governo Civil de Coimbra.
O que aqui se não vê é que fica sobranceiro ao rio Mondego, num lugar mais que privilegiado.
Entendo, assim, a pressa em extinguir os cargos de Governadores Civis, a extinção dos Governos Civis, e a respectiva venda de imóveis, anunciada pelo actual Governo da República.
No conjunto de todos os edifícios, serão umas lecas valentes a arrecadar.
Junto com os anéis irão do dedos e, quem sabe, os pulsos para que as pulseiras também possam ir.

Texto e imagem: by me

Fazendo racord



By me

Atrás da porta



Ouvi-a antes de a ver. As suas chinelas batiam nos degraus de pedra polida que dão o nome à rua – escadas do quebra-costas – e soaram a meu lado.
A bata azul, estampada com motivos brancos, esvoaçava mais devido ao seu descer rápido que ao vento, que não havia.
Na mão direita, uma cesta de vime, não muito grande, por onde espreitava o punho de madeira de uma marmita de alumínio. Lutando por espaço, um ou dois sacos de plástico cheios, compunham a encomenda.
Chegou-se a esta porta e, esticando-se toda, carregou insistentemente na campainha mais alta. E se o que vira na sua mão me contara quase tudo, aquele gesto completou a estória: levava o almoço, talvez o jantar a quem ali residia, ao abrigo de um qualquer programa de apoio a idosos. Que nesta zona da cidade, tal como pelo país fora, abundam, vivendo nos seus apartamentos de onde dificilmente saem.
Passados uns minutos, talvez o tempo de fumar um cigarro, vejo-a de volta. Como da primeira vez, ouvi-a antes de a ver, e olhei-a rápido para ver se traria a loiça da véspera. Não trazia.
O que trazia, isso sim, era as mãos ocupadas na cara. Onde tentava, em vão, secar as lágrimas que lhe escorriam da cara jovem, que teimavam em não secar apesar do intenso calor seco e abafado que se fazia sentir.
Fiquei a olhar para as janelas do último piso, aquele que correspondia à campainha que havia tocado. Abertas de par em par, mas nenhum som saíra, ou eu ouvira na pacatez da esplanada onde espera por um encontro que não aconteceu. Se alguma discussão acontecera, teria sido em tom baixo certamente.
Ficará a pergunta por responder: que terá ela ouvido ou visto atrás desta porta que a fez chorar, apesar de frequentadora assídua do local, como a desenvoltura da chegada demonstrara?

Texto e imagem: by me

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Estava calor!



Estava mesmo muito calor.
Mas como não corria uma ligeira brisa que fosse, de pouco adiantava ter as janelas todas abertas.
Que corrente de ar, nem o cheiro!

By me

Um clássico



A pergunta é velha e a resposta depende, em regra, de quem a dá.
Meio cheio ou meio vazio?
Neste caso pouco importa, porque é bom por inteiro.
Fresco quanto baste, contrastando com o calor exterior e casando bem com o que tenho no prato, é bom por inteiro.
E, se duvidam, venham cá tirar as teimas:
Restaurante “O Serenata”, em Coimbra, numa ruazinha entre a estação da CP e o Banco de Portugal. Não tem muito que enganar.
Aliás, nunca me engano nestas coisas, que é poiso conhecido desde há muito, e nunca me decepcionou. Desde os velhos tempos dos “Encontros de Fotografia de Coimbra”. Os saudosos.


Texto e imagem: By me

Turismo cultural



Ora bem!
Vem um tipo a uma cidade que conhece mas onde não reside. O seu intento é ver exposições de fotografia, entre o que mais apareça.
Tem a certeza de uma, um forte palpite sobre uma segunda, uma séria desconfiança sobre um terceiro lugar. Mas em tratando-se de uma cidade onde estas coisas acontecem sem grandes publicidades exteriores, nada como perguntar. E dirige-se ao posto de turismo, mesmo no centro da cidade, onde já foi a sua entrada sul.
A menina (senhora?) toda sorrisos e técnicas de RP, fica surpreendida com a pergunta: “Exposições de fotografia na cidade? Onde?”
Pede um momento e vai lá dentro, consultar qualquer coisa que está escondida. E, no regresso, informa que não sabe responder. Porque se trata do dia um do mês, a agenda anterior está desactualizada (aliás, já nem têm nenhuma) e a do novo mês ainda não chegou. Acrescenta que, se consultar a internete lá se encontrará qualquer coisa.
É ela, e a colega que entretanto veio tentar ajudar, confrontada com: “Mas não sabe de mais nada, para além de “Lugar tal”, “Lugar qualquercoisa” e “Lugar acoli”? Pois nem uma nem outra sequer sabem que naqueles lugares costumam existir exposições de fotografia, formais ou nem tanto. Já quanto ao hotel “Fulano de Tal”, o melhor mesmo é telefonar para lá, ou consultar a interenete, que eles informam.
Não lhes disse que fossem elas mesmas consultar essa tal de internete, que era para dar informações que ali estavam. Tal como não lhes disse que, na mochila pendurada nas minhas costas estava o tal computador para acesso à tal de internete.
Saí do posto de turismo a saber exactamente o mesmo que sabia quando entrei: muito pouco sobre exposições de fotografia na cidade e o que já sabia sobre o que este posto de informação turística tem para dar aos viajantes que não os que procuram os museus clássicos, as feiras de artesanato ou de gastronomia e sobre hotéis. Nada sabem e nada fazem para saber, que cada um que se desenrasque.
Qual a cidade? Coimbra, em Portugal. E no seu melhor!

Texto e imagem: by me

Gostar/Não gostar



A língua portuguesa tem coisas com graça. Melhor dizendo, das línguas que conheço, todas sofrem deste mesmo problema. Refiro-me a como os afectos são nomeados.
Dizemos “gosto” quando os afectos são positivos e “não gosto” quando os afectos são negativos.
No entanto…
Dizer “não gosto” deveria significar “não ter afectos positivos”. Mas não os ter não implica, por si mesmo, ter afectos negativos. Apenas que senão os tem positivos.
Quando eu digo “Não gosto de pimentos” estou mesmo a querer dizer que me incomoda de sobremaneira o seu paladar, o seu aroma, mesmo a sua proximidade. Daí que, em regra, evite pedir espetadas, de carne ou peixe, já que as costumam confeccionar com pimentos. Eu odeio pimentos, pelo que a expressão “não gosto” é inadequada.
Mas também poderei dizer “não gosto de viajar de comboio com a janela tapada pela cortina”. O que eu quererei dizer com isto é que, não sendo do meu agrado, não é coisa que me seja insuportável. Consigo viajar dessa forma, ainda que não seja a minha preferida.
Na prática, dizer “não gosto” tem exactamente o mesmo significado de “não odeio”. É uma expressão neutra, inconsequente, que não demonstra afectos nem desafectos.
Pena é que façamos tantas confusões na forma como comunicamos!

Texto e imagem: by me