sábado, 4 de junho de 2011

Amanhã, dia de culto



Entre a reflexão de hoje e a genuflexão de Segunda-feira, teremos o acto litúrgico de Domingo, onde celebraremos o culto da democracia.
Nesse dia não reverenciaremos um governante porque já o seu pai e avô o foram; não prestaremos homenagem a um ancião que, porque idoso, o tempo talvez lhe tenha dado a sabedoria; nem sequer seguiremos uma linha matriarca, onde chamar filho da puta a alguém é inconsequente, que elas não revelavam os tinham tido por companheiro.
Não!
Idiotas que somos, iremos escolher um igual a nós, com a diferença de ser um pouco menos idiota e nos convencer de tal. Iremos votar em idiotas como nós, que souberam arregimentar um bando de idiotas em seu torno e gritar mais alto que, de todos os idiotas que somos, aquele é o melhor idiota.
E nós, que somos idiotas, iremos passar uns tempos a adorar o chefe dos idiotas, ou a apupá-lo e a dizermos que no lugar daquele idiota como nós deveríamos ter outro idiota a liderar.
Creio que começa a fazer sentido os idiotas deixarem de escolher o “primo inter pares” e optarem por outra forma de se organizarem, em que a linhagem ou capacidade de gritar mais alto seja pouco importante.
Uma a ser inventada, que não passe por um berço, por um geriatra ou por um ditador.
Entretanto continuaremos a ir fazer as nossas oferendas no templo da democracia, e a escolher um idiota como líder dos idiotas.

By me

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A vermelhinha



Lembram-se do velho jogo da vermelhinha?
Três copos invertidos, sob um deles uma bolinha vermelha (ou não), tudo baralhado e havia que adivinhar em qual dos copinhos ela estava.
Este jogo era praticado nas praças, esquinas, feiras e mercados, sempre às escondidas das autoridades, e havia sempre pelo menos três a quatro envolvidos: o que promovia o jogo, um de atalaia por via da polícia e um ou dois que serviam de engodo aos incautos, já que iam ganhando de quando em vez.
A vítima, vendo que havia quem ganhasse, arriscava, pequenas quantias de início. E ganhava também. Mas quando aumentava as apostas, quando começava a haver dinheiro que se visse em cima da tábua, banco, caixa de cartão, o que fosse, aí tudo se invertia e os ganhos transformavam-se em perdas. Garantidas e valentes, que os vigaristas não estavam ali para perder o seu tempo.
Pois o jogo da vermelhinha, prática em que sou perito em perder, faz-me recordar o que se tem passado e passará por estes dias cá no burgo.
Aconteça o que acontecer, haverá sempre uns vigaristas a tentar enrolar o Zé Pagode, com uns outros a servir de engodo e de atalaia, não vá dar-se o caso de haver quem dê pela marosca.
Grave, mas grave mesmo, é ser desta feita a vermelhinha jogada por todo o país este domingo, com o beneplácito das autoridades policiais e os juízes a verificar se a vigarice decorre de acordo com as normas.
No entanto, aconteça o que acontecer, vá a jogo! Nada garante que você ganhe, mas perder também não perde. Mas se lá não for, se não jogar, é garantido que não poderá ganhar o que quer que seja.
No entanto, quem sabe, talvez escolha o copinho certo!

By me

Desejos



Numa casa de fast food, a frase feita é:
“E vai desejar…?”
Ora batatas! O que importa não é o que irei desejar, num futuro mais ou menos próximo. Importante mesmo é aquilo que eu quero agora, que estou a fazer o pedido.
Quanto aos sonhos, esses, não constam do cardápio nem pagam impostos.
Ainda!

By me

Lembrete



Por estes dias, tal como em todos os outros, convém não esquecer:
“Aqueles que nos parecem grandes são-nos porque estamos de joelhos.”

Levantem-se, gaita!

By me

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Com mil milhões de macacos!



Foi por pouco. Mais um nico e acontecia coisa rara: eu ficar sem ter resposta para dar.
Mas o Diabo é sábio porque é velho, e eu já levo uns anitos de retóricas e argumentações.

Estava eu em casa, entretido quase que em silêncio, e oiço um “vuuuump” por sob a porta de casa. Estranhei, fui ver, e tratava-se de um par de folhetos de uma qualquer seita religiosa. Chateei-me! Este método de enfiar a propaganda mesmo por baixo do nariz, perdão, da porta tem, entre outros inconvenientes, o ser um convite aos assaltos. E deitei-os no lixo.
Aproveitei o ter feito uma pausa no trabalho, pequei na câmara, enfiei colete e chapéu e saí para um cafezinho. Sempre é um motivo de ir arejar e ver um pouco de sol.
Mexia eu o açúcar no café quando as três entraram no estabelecimento. Reconheci-as pelo que traziam na mão e, não querendo perder a oportunidade, abordei-as.
E expliquei-lhes que este panfletos, deixando um cantinho à vista por sob a porta são um indicador precioso para quem andar em reconhecimento para assaltar apartamentos: se ali estiver por uns dias, significa que os locatários estão ausentes e que o “trabalhinho” será mais tranquilo.
Ficaram surpresas com a abordagem e conteúdo e prometeram ter cuidado em os enfiar por inteiro sob as portas.
Saiu-me o tiro pela culatra, que o que eu queria mesmo era que deixassem de os colocar ali. E sugeri que os colocassem nas caixas de correio, como todos os outros fazem.
- Pois, sabe, mas assim as pessoas pensam que se trata de publicidade normal e deitam-nos fora. E isto tem uma mensagem especial que todos devem ler…
“Ok”, pensei, “resistentes mas tenho artilharia pesada.”
- Qual a primeira coisa que fazem quando, de noite, abrem a porta de casa? - perguntei
- Acendo a luz - respondeu uma, sorrindo junto com as outras.
- Não! - retorqui. - A primeira coisa que se faz é dar um ou dois passos dentro de casa e só depois se acende a luz. E, às escuras, nada mais fácil que escorregar nuns papeis ignorados em que pisamos, quando supomos que o interior de casa está seguro e limpo.
Abanaram um pouco, mas uma das outras chegou-se à frente. Tinham a vantagem de serem três para um.
- Sabe, estes papeis não têm só palavras escritas. Têm a mensagem de deus, e ele não quererá fazer mal a ninguém, como escorregar nele ao entrar em casa. São folhetos protegidos por deus.
“Lá vou ter eu que carregar a fundo, que estas não desistem!” decidi. E ataquei de novo, com estocada a fundo e sem piedade:
- Acontece que o vosso deus não é o meu, que professo a religião Shintoísta. Donde, à luz da vossa lei, estou condenado porque não sou crente. E condenado também a, se não olhar para o chão ao entrar em casa, dar um trambolhão com os papeis que lá põem.
Isto dito com cara muito séria, juntando as palmas das mãos em frente ao peito e fazendo uma vénia ligeira.
Fatal!
Olharam umas para as outras, fizeram de conta que arrumavam os papéis que traziam, a terceira pediu cafés para todas, saudaram-me com um “Que deus o proteja”, e foram sentar-se.

Confesso que me tiram do sério estes “recadinhos” personalizados por sob a porta, quer sejam religiosos, políticos ou comerciais. Aliás, haverá diferença?
E não creio que debaixo da minha (que sabiam qual era, que me viram dela sair) voltem a deixar mais papéis que, garantidamente, irão direitinhos para o lixo.

Texto e imagem: by me

Votando



Por uma vez, vejo os media a divulgarem informação útil.
Aqui encontrará os cabeças de lista por distrito de cada uma das forças políticas candidatas, com uma breve biografia.
Assim, não poderá alegar que não sabe quem são ou que desconhece os seus perfis.
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1868185&page=-1

Texto e imagem: by me

Safe planking



By me

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mais uma vez



E pronto! Lá aconteceu outra vez! Mais uma vez!
E quando as coisas se repetem ad infinitum, o aborrecimento passa a ad nauseam!
Contava eu o meu projecto “Oldfashion” a alguém e, a dado passo, oiço o que já me vai enchendo a paciência:
“Eh pah! Isso até dava um livro!”
Pois dava. Aliás, dava para vários, já que mais de 1200 fotografias e respectivas estórias seriam muitas páginas. Para não referir as estórias que não tiveram fotografia.
Acontece que livros tenho eu aqui em casa, e bastantes. Mas menos que nas livrarias, nas suas estantes e escaparates. Já as bibliotecas, municipais, escolares ou Nacional têm uma imensidão de livros. No entanto…
De todos esses livros que existem, quantos são realmente bons? Numa escala de 0 a 20, como na escola, quantos têm nota superior a, digamos, 15? Não muitos, sabemo-lo bem. Aliás, sabemos que uma boa parte deles se classificam algures entre o modesto 8 e o igualmente modesto 12, e alguns com classificação abaixo de péssimo, se existisse.
Por outras palavras: maus ou sofríveis livros é o que por aí não faltam.
É que, para fazer um bom livro, não basta uma boa estória, papel e tinta. Há que o saber escrever. E isso, ainda que possa ser, também, resultado de técnica e prática, depende de um factor que nem a “troika” resolve: talento! Coisa que não tenho.
Saberei, talvez, alinhavar umas palavras sob a forma de frases; organizar umas frases para formar parágrafos; e juntar uns quantos para encher algumas páginas. De uma forma coerente, as mais das vezes, de quando em vez com um jogo de palavras e ideias que agradam e cativam alguns. Talvez! Agora livros…
É tarefa de coerência e criatividade ao longo de toda a obra e do tempo de a produzir com demasiada responsabilidade e exigência que sei não poder satisfazer.
E fazer só por fazer e dar à estampa só porque um editor entende que pode ser comerciável, e acabar nos escaparates como mais um livro impresso que eu mesmo classificaria de sofrível, se tanto…
Prefiro não estragar umas quantas árvores para fazer tal miséria de publicação.
Fico-me com os meus rabiscos, escritos onde calha e sem mais responsabilidade que o de uns desabafos curtos e coerentes, escritos quando calha e ao sabor da vontade do momento.
Até porque aquela parábola do “Um filho, uma árvore, um livro” refere-se a Homens completos e superiores. Não são muitos os que conheço e, garantidamente, não é o tipo que vejo no espelho!

Texto e imagem: by me

A escolha é sua



Seja ela qual for, é sua.
Mas se nada escolher, serão os outros a escolher por si.
E o que lhe garante que a escolha que eles possam fazer, sem a sua participação, é a que mais lhe convém?
No próximo domingo, não deixe o seu futuro por mãos alheias!

By me

Toy planking


Hello all!
I suppose that some of you have seen my series “Planking”. Maybe! And from those, I suppose that some have asked themselves why I do such photos. Maybe!
So, let me explain it to you:
The first time I heard about this practice was a week ago, in the news, where I knew that a guy, some 20 or so years old, fell from a balcony while trying to do it. And I was curious (maybe I was a cat, some life before).
Googleing it, I found the story about its practice, its origins and meanings. But I also found, on what photography concerns, that it have some potential.
First, because photographers, as we all know, are shy. We don’t use to show our self, maybe because we know what photography can do to people’s soul and we don’t want to taste our own medicine.
Then, because doing a self portrait, alone and without extra help, is a challenge. And doing it, always different, even with the same pose, is a bigger challenge.
Third, as the Spanish painter and writer Antoni Tàpies said once, “When art doesn’t shake minds, surprise viewers, make people change its way of think, is no longer modern, is no longer art”. I’m quoting it by heart and I don’t intend to argue about what art is or if photography is art.
But I do want to shake minds, surprise viewers, make people change their ways of thinking. If by doing planking photographs, why not?
And fourth, we have all the eternity to stare at the universe, but how many times do we really look deep into our own mother-planet?
I do not do it where people stare at me. I’m to shy for it. And I do not jeopardize myself just to get a photo. I’ve done it at least twice, once on a really tall cliff, another against some police officers at a political demonstration. And I decided then that my skin has more value than some photographs I can do or a story I can write.
So, my challenge is doing some “planking photos”, trying to do them as good as I can or know, but also trying them to have some meaning included, than just the act of planking.
Does age or athletic condition difficult the series? Yes, they do, but that’s part of the fun!

Thank you for reading all this.