Quando pego numa câmara ou
objectiva gosto de sentir uma de duas coisas: ou que é absolutamente nova (ou
quase) ou que tem história.
Algumas das que possuo vieram
para a minha mão novas. Ou quase novas. Retiradas da caixa por mim, ainda com o
“cheiro da fábrica”, ou da mãos de alguém adquiriu mas pouco uso lhe deu, tendo-a guardado com
cuidado ou carinho.
Muitas outras entraram em minha
casa depois de terem tido vários donos, uns mais cuidadosos que outros, algumas
com muito uso, amador ou profissional. Na medida em que consigo, tento saber essas
histórias, coisa que só é possível se for uma venda particular. Em lojas ou
feiras de rua, não sabem ou não querem contar qual o passado da câmara ou
objectiva.
Se aparentar ter um passado
vivido, tento conservar a aparência que possui. E tento tanto mais quanto mais
antiga é a peça. Tenho apenas o cuidado de a manter em condições de
funcionamento e evitar que se suje com pó ou semelhante. A chamada “patine” faz
parte do passado e da história.
Este é um detalhe de uma Pentax
S1A, fabricada entre 1962 e 1968. Absolutamente mecânica, haveria que usar um
fotómetro de mão ou um adicional à câmara para calcular a exposição. E esperar
não ter errado no calculo.
Da sua história pouco sei. Foi
comprada no meu mecânico de fotografia, e depois de muita insistência. O único
detalhe que consegui obter é o ter estado ali há muitos anos, na sequência da
desistência de um cliente.
Quando pego nela para lhe tirar
o pó ou para lhe apreciar algum detalhe, tento imaginar o seu passado.
Provavelmente nas mãos de um amador entusiasta, guardada no estojo de coiro de
origem, que entretanto se estragou, e usada para férias ou festas especiais.
Hoje tem marcas do tempo. Marcas
que não tentarei disfarçar e que tentarei não aumentar. Porque se não consigo
ver o que esteve à frente dela, essas marcas de algum modo contam sobre que
esteve atrás dela.
Quem quer que tenha sido,
obrigado por a ter conservado.
Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


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