Talvez já tenham reparado que alguns edifícios de Lisboa têm
“enfeites” destes na sua fachada, geralmente encimando a porta principal.
Não sei se existem no resto do país, mas em Lisboas há-os. Na
zona de Benfica, de Alvalade, de Belém...
Apelidadas de “Entaladas” pelo arquiteto Keil do Amaral,
foram colocadas entre a porta principal do edifício e a varanda do primeiro
andar, permitindo que a “obra de arte” valorizasse o imóvel e, com isso, a venda
ou aluguer bem mais alto.
Estas esculturas ou relevos têm como motivo genérico
mulheres (musas ou ninfas) mas não se restringindo a isso. Há exemplos de
figuras masculinas, operários e não só, numa abordagem e simbolismo muito à
época do decénio de 1950. Os temas também versavam o mundo animal, privilegiando
a pomba da paz que, numa versão não tão prosaica, se referiria eventualmente ao
espírito santo.
De parceria com estas “entaladas”, e com o mesmo objectivo
de valorizar o negócio imobiliário, também encontramos azulejos mais ou menos
trabalhados, por vezes colocados no átrio do prédio e não no exterior. Sempre com
o mesmo objectivo de enobrecer o edificado, aumentando-lhe o valor e, com isso
fazer distinguir os residentes dos demais em redor, quantas vezes muito mais
singelos nas decorações, se alguma, e nas dimensões. A elite protege-se.
Ainda hoje, no bairro de Alvalade, qualquer prédio da
avenida de Roma onde as entaladas pululam, é muito mais valorizado que os
circundantes.
As entaladas marcam uma época da cidade no conceito
arquitetónico, na separação social e no uso das artes enquanto elemento
agregador.
Pentax K-S2, smc Pentax pancake 40 1:2,8
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