Boa parte da população portuguesa pouco sabe sobre o que se
comemora no próximo dia vinte e cinco.
Sabe que se trata da revolução de Abril, que foi em 1974,
que terminou com o regime ditatorial e com a guerra e com a censura e com a
polícia política e que permitiu pensar e dizer… Mas sabe-o por ouvir contar a
quem o viveu. Não tem culpa de tal, já que seriam muito novos, se acaso fossem
nascidos. Porque, afinal, 52 anos é uma vida, mais que uma vida para muitos.
Mas aquilo que as artes e as letras, bem como os
historiadores e demais investigadores, não têm contado é o espírito dos tempos
que se lhe seguiram!
Com muitas asneiras e erros pelo caminho, com faltas de
alguns bens essenciais, com aproveitamentos de toda a ordem e pressões não
muito claras ainda hoje, a verdade é que os cidadãos queriam construir o seu
futuro. Com as suas mãos!
E no meio das vicissitudes de então, havia uma alegria no
ar, uma vontade de fazer, um constante ouvir “Então e se fizéssemos isto? Bora
lá!” e as mangas arregaçavam-se e algo acontecia. E, apesar das dificuldades
endócrinas e exógenas, encontravam-se sorrisos e alegria a cada esquina. O entusiasmo
era a tónica dominante!
Hoje, quem quer que se passeie em Portugal, vê semblantes
carregados, olhares postos no chão, cores escuras e uniformes. E os
comportamentos centrados nas actividades e vidas de cada um, ignorando ou
fazendo por ignorar o que acontece fora do circulo mais fechado das suas
vivências. Poucos são os que dão de si e do seu tempo para construir o amanhã
da sociedade e, no lugar de se ouvir “Vamos fazer!” ouvimos tão só “Eles têm
que fazer!”
É um muro de indiferença, é um alijar de responsabilidades,
é um comprar resultados feitos. E as culpas caiem sempre em cima dos outros,
esquecendo-se cada um de cumprir a parte que lhes cabe no colectivo que somos.
Porque se “O povo é quem mais ordena!”, é também ele quem
constrói! Quando não, continuaremos num cinzentismo emparedado, numa mera
antecipação da tumba que nos espera!
Pentax K7, Sigma 70-300
By me


Sem comentários:
Enviar um comentário