Eu diria que no processo fotográfico existem quatro tipos de
intervenientes:
Quem a imaginou e pediu, quem a executou, quem a utilizou e
o consumidor final. Isto é válido desta forma na fotografia comercial, quer
seja publicitária, de eventos, de informação...
Estes quatro grupos podem, e frequentemente acontece,
fundirem-se: quem imaginou e pediu funde-se com quem utilizou, quem a imaginou
funde-se com quem executou, quem imaginou e executou funde-se com quem
utilizou...
Já o consumidor final é um grupo autónomo e anónimo: quem vê
a publicidade, o album de família, a reportagem, a exposição.
Qualquer um destes grupos fica satisfeito quando um ou mais
dos restantes grupos fica agradado com o resultado. Por qualquer ordem dos
factores.
No fim de contas, a fotografia é uma forma de comunicação e
quando ela acontece a contento de todos o seu objectivo cumpriu-se.
Há ainda um quinto grupo. Marginal na quantidade e
“qualidade”. Aquele que funde num só os quatro referidos. O fotógrafo que faz o
que faz porque lhe dá na bolha, porque tem prazer nisso, porque é daí que
retira a sua satisfação emocional e intelectual e que, acima de tudo, não se
preocupa nem um pouco com o que acontece com os outros grupos. Não lhe importa
que gostem ou não, que tenham uma reação positiva ou negativa ao que faz. É o
fotógrafo que evolui à margem das tendências, que funciona em circuito fechado
dele para com ele.
Se a este se pode chamar fotógrafo é discutível. Utiliza a
fotografia como meio ou suporte mas não como forma de comunicação. O que, desde
logo, destroi o conceito da função original da fotografia.
No entanto, e acima de tudo, importa que o fotógrafo
encontre prazer no que faz: solitário ou como um elo numa cadeia comunicativa.
O resto são números, na conta bancária ou nos likes.
Pentax K1
mkII, Tamron SP Adaptall2 90mm 1:2,5
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