sábado, 8 de setembro de 2018

Status




“Está na altura de trocarem de carro, que o leasing está a acabar.”, disse o colega olhando para as matriculas do carros de topo de gama da administração, imaculadamente conservados e arrumados junto da porta VIP.
“Mas… com o valor destes carros não se arranjavam uns três ou quatro bem mais modestos, ficando um para a administração e os outros para o serviço?”
“Sim, mas dava mau aspecto eles andarem num carrito qualquer. Assim sempre se aparenta um status superior.”
“Boa!”, pensei. “Vou passar a pagar a conta da mercearia com um pouco de status.”


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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Cada coisa no seu sítio!



Um fotógrafo de jardim, numa feira de jardim, com um coreto por fundo… Tudo em seu sítio.
Tal como a saudade do que se não repetirá. 
Que o projecto “Old Fashion” (À-Lá-Minuta) é irrepetível.
Foram três anos em que muito aprendi (fotografia, humanidades, comunicação). Foi bem mais aquilo que recebi que aquilo que dei em troca, apesar de as fotografias terem sido todas gratuitas.
E se tudo tem o seu lugar, também a saudade tem. No coração, naquele cantinho especial onde guardamos aquilo que sabemos ser passado.
Um dia, talvez, terminarei a parte teórica daquilo que a prática me proporcionou. Mas não sei se quero. Ainda.
Que seria um fechar de vez do que foi, que gosto de sonhar como ainda sendo. 
Contradições de um fotógrafo, que querem?

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Ainda sobre as pontas de cigarro negligentemente jogadas fora:




Um destes dias tive que ir a uma loja do cidadão, em Lisboa. Enquanto esperava que fosse a minha vez, vim cá fora fumar um cigarro. Eu e muitos outros.
No final, procurei onde depositar a beata e constatei que teria que ser onde todos os outros as deitam: no chão. Que, olhando em redor, não existia um lugar onde o fazer.
Fica, assim, a pergunta: à porta de um local onde é sabido que vai muita gente, centenas por dia, e sabendo que os tempos de espera podem ser bem longos e que a chamada se faz por número, não será previsível que os fumadores venham à rua satisfazer o seu vício e tentar acalmar a sua impaciência?
Será assim tão dispendioso o existir um cinzeiro, robusto e à prova de vandalismo, ali colocado? Será a sua manutenção tão onerosa que o orçamento da loja não o possa suportar? Será que o município não poderia acautelar esta situação, substituindo-se à instituição?
Quando a sociedade, organizada ou não, entende por incómoda ou prejudicial uma actividade dos cidadãos, deveria agir em conformidade. Proibindo-a ou minimizando as consequências.
Neste caso, um simples e sólido cinzeiro seria o suficiente.



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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Negócios sujos



A história passou-se em duas partes, com uns dias de intervalo.
Um conhecido, em conversa de ocasião, contou-me ter ido com uma amiga a uma loja de compra e venda de artigos usados. 
Encontrava-se ela em sérias dificuldades, depois de ter passado por uma situação realmente dramática, e estava a vender um conjunto de objectos de informática e fotografia.
Na loja ofereceram-lhe 100 euros pelo lote. 
“Por esse valor”, ter-lhe-á dito ele, “fico eu com isso”. E fizeram o negócio.
Quando ma contou, eu fiquei incomodado com a situação. Se a ideia era ajudar a amiga, e considerando os valores em causa, sempre poderia ter dado mais qualquer coisa, dez ou quinze euros por exemplo. 
Mas como não era nada comigo e conhecendo o meu interlocutor, nada comentei.

Eis que agora ele me aborda. Sabendo-me ligado à fotografia, queria saber se eu estaria interessado em comprar parte desse lote de objectos. No caso, uma câmara fotográfica. Preço: 100 euros.
Ia-me passando, mas consegui conter-me.
Que se o objectivo era ajudar a amiga, tinha-se agora transformado em negócio puro e duro. Com lucro para ele, naturalmente. Um bom e chorudo lucro.
E as tais necessidades da amiga, fruto da situação dramática vivida, já não contavam para nada. 

Agora digam lá se sou ou não um herói, ao não partido a traqueia e as vértebras deste abutre sem penas?


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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Crítica e verdade




“Aristóteles estabeleceu a técnica da fala fingida a partir da existência de um certo verosímil, depositado no espírito dos homens pela tradição, pelos Sábios, pela maioria, pela opinião pública, etc.. O verosímil é aquilo que, numa obra ou discurso, não contradiz qualquer destas autoridades. O verosímil não corresponde necessariamente ao que foi (pois não pertence à história) nem ao que deve ser (pois não pertence à ciência), mas simplesmente àquilo que o público julga possível e que pode ser totalmente diferente do real histórico ou do possível científico. Aristóteles fundamentava assim uma certa estética do público; se hoje a aplicássemos às obras de massa, talvez conseguíssemos reconstituir o verosímil da nossa época; porque essas obras nunca contradizem o que o público julga possível, por mais impossível que, histórica ou cientificamente, o seja.”
In “Crítica e verdade”, de Rolan Barthes”, 1966
É sempre esclarecedor e divertido saber o que sérios e bons pensadores produziram pouco antes de momentos importantes de viragem na história e no pensamento.

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Os cigarros e a merda ou a merda dos cigarros




Há por aí uma campanha séria sobre as pontas de cigarro jogadas fora indolentemente no espaço público. A forma como são levadas para o meio da natureza e os seus efeitos poluidores.
É uma boa campanha, meritória e à qual devíamos dar atenção. Contra mim falo.
Mas esta campanha, incluindo uma cidade onde jogar uma ponta de cigarro na rua dá direito a multa, recorda-me uma outra questão. Bem mais animal.
Urina e fezes.
Sabemos, e todos concordamos, que fezes e urina na via pública ou em espaços abertos nas povoações, são prejudiciais à saúde pública. É um saber básico. E sabemos que a lei, nacional ou local, o proíbe e pune. Quer se trate de dejectos animais ou humanos.
E se no que diz respeito aos dejectos de canídeos se recomenda que quem os vem passear à rua traga consigo um saco para os recolher, já no que diz respeito aos humanos isso não é pedido. Mesmo que alguém tenha consigo um saco para recolher as próprias fezes, o facto de defecar em público é delito. Ambiental e moral, que para o fazer haverá que exibir as partes pudendas e isso é considerado imoral e punível por lei.
Resta assim, ao pobre ser humano, procurar um local recatado e fechado aos olhares dos restantes para defecar ou fazer um xi-xi de urgência.
E a questão põe-se no onde. Onde jogar a ponta do cigarro ou onde satisfazer as necessidades fisiológicas.
Para os cigarros (e papeis, embalagens, etc.) a sociedade distribui pelas ruas e praças locais próprios onde os colocar. Papeleiras presas em postes, muitas com um pedacinho de metal onde é possível apagar o cigarro e jogá-lo no interior sem risco de incêndio. Ou superfícies rugosas, no rígido plástico do contentor, onde se pode fazer o mesmo. Ou, no caso de jardins, caixotes mais ou menos enquadrados na paisagem e estrategicamente distribuídos. Encontrámos soluções práticas para problemas que nós mesmos criámos.
Já para os dejectos humanos não encontrámos soluções. Públicas e de acesso generalizado.
A solução, que todos conhecemos, é recorrer a estabelecimentos comerciais, grandes ou pequenos, pedindo o favor de nos deixarem usar as instalações sanitárias. E trata-se de um favor, já que a lei não obriga os comerciantes a disponibilizar tal local. Só se o aflito for cliente e fizer despesa.
Na agora encerrada Pastelaria Suíça, o acesso aos sanitários era reservado a quem consumisse ou pagasse para tal. Cinquenta cêntimos, se bem me recordo.
O mesmo sucede a quem esteja na maioria das estações de caminhos-de-ferro. Pelo menos em Lisboa e arredores. Para aliviar a tripa ou a bexiga há sanitários mas pagos. Portas que só abrem com uma moedinha ou um torniquete e um funcionário que controla os acessos e mantém a higiene do local.
A única alternativa realmente gratuita para um xi-xi ou cocó na cidade de Lisboa é recorrer a um centro comercial. Aí ninguém pergunta nada a ninguém. Entra-se no espaço, procura-se a placa indicadora, faz-se o que se tem que fazer, incluindo o lavar de mãos, e sai-se anonimamente.
Mas procurem lá um sanitário, pago ou gratuito, em dias como o de Natal, de Ano Novo ou quejando. Zero ou quase.
Em tempos havia pela cidade os urinóis públicos. Dos quais ainda restam alguns, raros. Uns em alvenaria, com horário de funcionamento, outros de metal, sempre disponíveis, mas apenas para a fisiologia masculina. Conheço uns dois ou três ainda existentes e recordo outros, entretanto demolidos.
Indo mais longe, esta questão dos sanitários públicos para quem está na rua é um problema para quem nela trabalha. Que o diga quem conduz profissionalmente na cidade (transportes de pessoas ou mercadorias), feirantes, pessoal de limpeza urbana, agentes das forças de segurança, reparações na via pública…


Torna-se assim curioso reparar como resolvemos problemas criados pela civilização, proibindo, facilitando e inovando nas soluções, mas somos incapazes de solucionar para todos aquilo que a natureza nos impõe igualitariamente.
Que até para um salutar cocó é preciso ter sorte ou dinheiro.


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domingo, 2 de setembro de 2018

Clássicos




Eu sei que é um clássico.
Eu sei que já existirão uns milhares de fotografias deste local, com esta luz e com esta perspectiva.
Mas, desculpem, a minha menor preocupação é o ser original! Faço o que faço porque me apetece fazer, tentando ter prazer em o fazer e ponto final.
Quanto ao resto e para além da luz me ter cativado, o desfio foi fazer esta fotografia com o telemóvel, sem tripé e sem grandes edições posteriores.
Este é o resultado.



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Gostos e semiotica da imagem




Ontem, ao acordar, fiz uma fotografia da minha janela.
Em boa verdade, fiz várias, para ter o controlo de exposição pretendido.
O resultado, depois de editar um nico uma delas para obter o contraste e enquadramento que me satisfizesse, foi a de cima.
Publiquei-a com umas palavras, as que se me surgiram quando decidi fazer a fotografia.

No entanto, de cada vez que para ela olhava, algo não me agradava por completo. Havia ali qualquer coisa que…
Já no trabalho vi-a de novo e percebi o que era. E agora fiz a respectiva correcção, agradando-me e enquadrando-se muito mais naquilo que senti e naquilo que escrevi. É a de baixo.

Saberá algum dos que para isto olham dizer porque a segunda me agrada mais que a primeira? E porque esta se enquadra mais no que senti e escrevi?
Aguardo opiniões.



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Não havia nexexidade




Este sábado foi divulgado em diversos órgãos de comunicação social que os sistemas de vigilância de mais de um milhar de escolas no país estavam desactivados.
Acrescentavam que isto se devia à caducidade de um contrato com empresas de segurança e à ainda não existência de um novo, resultado de um concurso, a ser concluído esta semana.
Dizia-se ainda que só a segurança de instalações estava em causa e que, aquando do início das aulas, os alunos estariam seguros.

Bem, os negócios são o que são e nem sempre se consegue fazer tudo atempadamente.
Mas era necessário avisar todos os ladrões, gatunos, bandos e gangs da fragilidade das instalações?
Pergunto quantas escolas terão sido ou serão assaltadas estas noites até que tudo volte ao normal.



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sábado, 1 de setembro de 2018

Acordar




Fotografar o pôr-do-sol é sempre bonito.
É o fim de um ciclo, é o remate do que foi e a promessa do que será.
Mas o nascer do sol, meus amigos… O nascer do sol!
Antecipado e esperado, ou de surpresa ao abrir da pestana, é sempre algo que nos promete um dia bom, rematando uma noite eventualmente boa.
Recomendo!


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