terça-feira, 7 de agosto de 2018

Pensando e agindo




Os incêndios são uma tragédia e estão a transformar-se num flagelo.
Nada de novo nesta afirmação.
Aquilo que é do senso comum sobre os incêndios é a destruição da floresta e mato, a perda do meio de subsistência de quem vive do campo, os danos nas habitações, as vítimas… E, do ponto de vista político, o uso e gestão de meios, a atribuição de responsabilidades, as compensações às populações afectadas…
Mas raramente, se alguma vez, se fala de uma perda que, não sendo irreparável, é igualmente dramática: a perda de colmeias.
Nas zonas afectadas por incêndios, bem que podemos replantar as árvores, esperar que as chuvas levem as cinzas, que as colheitas se realizem nas estações seguintes. Mas se as abelhas não regressarem, naturalmente ou por mão humana, como se pode esperar que a flora recupere? E se a flora não recuperar, como se pode esperar que a fauna – insectos, repteis, herbívoros, predadores – regressem e procriem?
É que os ecossistemas funcionam em cadeia e o facto de faltar um elo – no caso a polonização – todo o resto fica afectado.
E, se não quiserem questionar os especialistas em entrevistas de primeira página, vão perguntar aos antigos, aqueles que tratam as colmeias e os campos com o desvelo de saberem que é do respeito ao equilíbrio das espécies que retiram o seu sustento. Que retiramos o nosso sustento!
Muito se vai falando da morte das abelhas, ainda sem causas identificadas. Os incêndios florestais são uma das bem conhecidas e com soluções relativamente fáceis.

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segunda-feira, 6 de agosto de 2018


Há três tipos de pessoas:
As que fazem as coisas acontecerem;
As que vêem as coisas acontecerem;
As que perguntam “o que se passa?”

Em compensação, só há dois tipos de fotografias:
As tremidas e as feitas com tripé.



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sábado, 4 de agosto de 2018

Tretas




Leio um artigo sobre o ter-se descoberto a identidade desta mocinha.
O seu nome, agora avançado, era Christina Elizabeth Frances Bevan e a fotografias foram feitas por Mervyn O'Gorman, um dos pioneiros da fotografia a cores, no processo Autochrome.
Terão sido muitos os registos feitos por ele a ela, quase sempre vestida de vermelho e, supõe-se, para que evidenciar a figura face ao ambiente circundante e à capacidade de resposta do sistema à diversa cores.
Interessante para quem se interesse sobre história da fotografia.
Acontece que o artigo acrescenta que estas imagens têm que ser preservadas e observadas ao sol, já que a luz artificial faz desvanecer as cores.
Como é que é?
Ao que sei, a luz solar contem quase todas as radiações, ao invés da luz artificial! Aqui há qualquer coisa de estranho, pelo menos para mim. E fui saber.
De facto, e como se antecipa, estas imagens têm que ser preservadas. Mas preservadas do oxigénio, já que é ele, e não a luz artificial, que faz os elementos cromáticos perderem propriedades. Estão guardadas em embalagens transparentes, seladas, contendo um gaz inerte, reduzindo o oxigénio presente a menos de 0,1%.
Ora batatas para os artigos populares, para curiosos, cheios de inexactidões, erros, falsidades e problemas de tradução. Para já não dizer invenções para encher o olho dos incautos!


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Lembre-se!




Quase onze da manhã. Na minha janela, à sombra, o meu termómetro/higrómetro mostrava-me isto.
Tinha acabado de regressar a casa, depois de um rápido e tão pela sombra quanto possível passeio higiénico com o cãopanheiro. Mesmo com o tempo que faz, isto tem que acontecer.
Já quase a entrar no prédio, um camião de recolha de lixo fazia o seu trabalho.
Aqui na zona os contentores são subterrâneos e o que fazem é abrir a tampa e, com a grua, retirar o saco enorme para a caixa de carga, repondo um vazio. Para além do motorista, duas pessoas fazem a manobra.
Estavam no nosso trajecto. Mas o calor era tal que o cãopanheiro nem ligou para as duas mulheres que faziam o seu trabalho. Nem para o cheiro, pestilento, que dali emanava. Nem para a modinha que entoavam. Na torreira do sol. Com a farda, botas e luvas que envergavam.

Da próxima vez que se queixarem do sol e do calor, lembrem-se delas e deles.



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Liberdade




Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão
França, 1789
“Art. 4.º -
A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudique o próximo: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites só podem ser determinados pela lei.”

Ontem, numa avenida bem concorrida de Lisboa, um rapazola andava de bicicleta.
Teria uns 17 ou 18 anos, alto e magro, cabelo loiro e apanhado em carrapito. Movimentava-se numa BMX e, num dos passeios, um outro homem  já na casa dos quarentas, divertia-se a registar as suas evoluções com um telemovel. Nada a apontar, não fosse...
Não fosse que as suas acrobacias se faziam nas faixas de rodagem, no meio do trânsito, não apenas arriscando-se ele a ser colhido como obrigando alguns automóveis a fazer manobras e travagens de emergência.
Quando veio para o meu lado interpelei-o. Não falava português, talvez que fosse alemão ou holandês. Mas o seu inglês, bem como o meu, foi suficiente para nos fazermos entender.
E disse-lhe que não podia fazer aquilo, que estava a por em risco os demais cidadãos e que havia bons locais para praticar que não no meio do trânsito.
Respondeu-me lapidarmente: “I’m free and I can ride wherever I want.”
Respondi-lhe passados uns três ou quarto segundos: “Right! And the cops can get whoever they want!” E afastei-me, com o telemovel na mão.
O fedelho abanou um pouco, hesitou e atravessou a avenida no semáforo, logo ali ao lado, juntando-se ao compincha. Ainda me acenaram em modo de desafio, mas acabaram os dois por entrar numa pensão (ou será alojamento local?) em frente da qual estavam.

Em adição à citação acima, eu escreveria “O máximo de liberdade com o máximo de responsabilidade!”


By me

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Raios!


Vejo um raio de um artigo, num raio de uma publicação on-line, onde – raios os partam – falam sobre uma figura pública feminina do mundo da política e partidária, dizendo que voltou a estar atrevida por que usou e foi fotografada com roupa de dimensões reduzidas.
Será que usar pouca roupa é “ser atrevido/a”?
Será que a quantidade de pele que se mostra diferencia os atrevidos dos demais?
Será que existem regras para o tipo de roupa que se usa, levando a classificações quase insultuosas?
Será que, afinal, não estamos assim tão longe do que criticamos na cultura islâmica no que concerne à quantidade de pele que está visível?
Será que a sensualidade, supondo que quantidade de roupa e poses implica sensualidade, de cada um é algo para ser escondido?
Será que jornalistas e jornaleiros não têm mais nada para fazer?
Ora raios!


By me

Por vezes




Por vezes fazemos as coisas certas pelas razões erradas;
Por vezes fazemos as coisas erradas pelas razões certas;
Por vezes fazemos as coisas erradas pelas razões erradas;
Por vezes fazemos as coisas certas pelas razões certas;
Por vezes nada fazemos.

A vida é uma sucessão de por vezes.



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terça-feira, 31 de julho de 2018

Uma fotografia que não tenho




Negra! Daquele tom africano que quase nos faz pensar em algo levemente azulado. E que, pela minha falta de hábito em registar este tipo de tez, me deixa quase à-toa em o reproduzir com exactidão.
Bonita! Francamente bonita. Pelo menos naquilo que lhe podia ver, ou seja, as mãos, metade dos pés e a cara. Que todo o resto estava integralmente coberto. Num sinal inequívoco da sua fé ou crença.

Quando passou para cima, acompanhada pela pequenada, olhou mas sem muito interesse, que a canalha miúda absorvia-lhe a atenção. Mas no regresso, com mais calma, ficou a olhar à distância para o meu artefacto. Sentindo-lhe interesse, sorri-lhe e gesticulei-lhe que se aproximasse, o que fez.
A comunicação começou por ser difícil e a medo, que pouco sabia de português. Mas em sabendo-me a falar, ainda que mal, o francês, tudo se tornou mais fácil e quis fazer uma fotografia.
Enquanto a impressão acontecia, fui inquirindo a anotando as respostas, como de costume. E foi aí que a coisa aconteceu!
Não tinha a senhora entendido que não apenas iria haver uma eventual publicação na web como, menos ainda, que eu ficaria com uma cópia do que lhe entregasse. E isso quase que a ofendeu. Acredito que entrasse violentamente em confronto com a sua religião que, ao que sei no seu país de origem – Senegal – é seguida com muito rigor.
Desfiz-me em desculpas pelo meu erro ou engano na informação e prometi-lhe solenemente que, em chegando a casa destruiria a cópia que possuía. Que ficasse tranquila que tal sucederia pela certa.
E tantas vezes o assegurei que ela acabou por se descontrair um pouco e passamos a uma pequena mas amena conversa. Estava há cerca de um ano em Portugal, a língua escrita entendia-a mas a falada era uma dificuldade. E que um dos objectivos em aqui estar era o continuar os estudos iniciados na terra natal, nomeadamente em filosofia.

Em chegando a casa e em tratando as imagens e dados recolhidos, confesso que me passou pela cabeça ficar com a imagem. Afinal, ninguém saberia da coisa, ninguém a veria, nem mesmo a retratada e a sua prole, pelo que nenhum mal daí adviria. Excepto…
Excepto a minha própria consciência! Que palavra dada é palavra a cumprir, mesmo que mais ninguém saiba que o fiz. Que o meu pior juiz sou eu mesmo!
E foi destruída!

E se a retratada, cujo nome eu tenho mas que aqui não referirei como é óbvio, por aqui passar, que esteja descansada:
Daquela fotografia, feita numa tarde de 2008 no Jardim da Estrela e com uma câmara de madeira, não existe nenhum outro registo que não seja aquele pedaço de papel com que ficou.
Porque, afinal, seja qual for a fé que nos move (monoteísta, animista ou ateísmo) a honra é comum a todas!

By me

Atitudes



Estou cada vez mais monárquico!
Defendo cada vez mais a existência de um reino!
Um reino de Acracia, onde ninguém impõe nada a ninguém, mas onde cada cidadão é responsável por todos e cada um os seus actos. 
E a ti, que me queres impor o teu pensamento e que aja como tu queres que eu aja, escarro-te na cara, porque não tenho a tradição de bater com um sapato.

By me

domingo, 29 de julho de 2018

Campanhas




Desculpem qualquer coisinha, mas…
Melhor que o nome desta campanha só mesmo o daquela outra para turistas: “Allgarve”, há uns anos, pela mão de Manuel Pinho.
Pergunto se a língua portuguesa é tão fraca, mas tão fraca mesmo, que até os emigrantes se esquecem dela.



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