sábado, 7 de outubro de 2017

Mil palavras



Já lá vão uns anos valentes (quase trinta) e a irmã de um colega e amigo andava então no 8º ano (seria 9º?).
Levada pelo entusiasmo que via nele e nalguns amigos, quis frequentar as então chamadas “actividades extra-curriculares”, no caso fotografia.
Mas vinha de lá bem frustrada, que os professores que tinha, apesar da boa vontade, pouco sabiam da coisa.
Conversa vai, conversa vem e dei comigo a combinar com eles um conjunto de sessões com a turma.
Seis sessões de duas horas, das quais uma prática, onde, e para além do domínio do equipamento, se falaria de estética e de semiótica.

Para uma primeira experiência lectiva da minha parte, a coisa até que nem correu muito mal. As idades variavam dos 13 aos 17 anos, a câmaras de cada um eram do mais díspar possível, trazidas de casa com especiais recomendações paternas, mas o entusiasmo e a vontade de aprender superava tudo.
A penúltima sessão foi a prática. Engendrei exercícios vários sobre perspectiva, gestão do espaço, exposição e assunto, a executar nas imediações da escola (Reboleira) numa espécie de “raly-papper fotográfico”, e dividimos a turma em dois grupos. Evitava-se assim a “molhada”, permitindo um maior rendimento e concentração. Eu acompanhei um, os outros dois professores o outro. Na sessão seguinte, depois de revelados e impressos, seriam comentados. A avaliação, devido à escassez de tempo e aos objectivos do trabalho, seria em grupo, feita por eles.
A coisa correu como o previsto, mais ou menos.
O que eu não previa, de forma alguma, era a surpresa final.
Já por alturas das despedidas, foi-me entregue solenemente um embrulho.
No seu interior, esta fotografia nesta moldura.
Era uma fotografia feita pelo grupo que eu não tinha acompanhado, oferecida como recompensa da minha presença (a minha ida lá tinha sido “de borla”).
O vigor, a alegria e o grito à liberdade desta imagem e o facto de a terem feito, escolhido e tratado para ma darem tornou-a imensamente mais valiosa que qualquer pagamento em dinheiro que pudesse ter recebido.

O vidro original já sofreu uns desaires e a luz já reduziu um pouco o contraste original. Mas das raras fotografias que tenho expostas aqui em casa, esta estará sempre em lugar de destaque!


Uma imagem vale mais que mil palavras!

By me

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Ilustração



Esta é a imagem que é hoje publicada no jornal “Diário de Notícias” para ilustrar um artigo sobre os artigos estranhos que são recolhidos na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Lisboa.
Digamos que não será um tema fácil de ilustrar sem recorrer a fotografias de detritos. O que não é algo bonito de registar e menos ainda de ver num jornal. Papel ou net.
Mas é também difícil de encontrar uma correspondência directa entre o tema da reportagem e o que nos mostram. Presumimos que seja um dos locais da instalação técnica, mas é apenas uma presunção. A nossa imaginação fará o resto do trabalho.
Mas o que me fez parar para ver a fotografia e ler o texto foi a invulgaridade cromática.
Fico na dúvida se será natural ou se terá tido uma “ajudinha” de um editor de imagem. Mas, e ao contrário do que se possa pensar, não é assim tão incomum quanto isso o encontrar situações em que tudo ou quase é monocromático. As mais das vezes não damos é por isso.
Está a fotografia assinada por Jorge Firmino/Global Imagens.

E fica o elogio a uma boa fotografia sobre um assunto difícil.

By me

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

República



Surge o conceito de República, tal como o de Democracia, na Grécia antiga.
No entanto convém não esquecer que a Grécia era um país com escravos, que só alguns cidadãos podiam eleger ou ser eleitos e que, garantidamente, as mulheres não podiam nem uma coisa nem outra.


Em qualquer dos casos, acho que ainda precisamos de uns bons outros três milénios para chegarmos a uma sociedade realmente justa e equilibrada.

By me 

Detalhes



Porque um amigo sugeriu, fui experimentar.
Abri o tradutor automático do Google, escrevi a palavra “catalão” e fui vendo como esta palavra é referida em diversas línguas.
Catalan para Francês, Catalan para Inglês, Katalan para Maltês, Katalonsky para Croata, Catálan para Gaélico…
Agora imaginem qual o resultado para “Catalão” em língua Espanhola.
“Español”.


Talvez que isto sirva para entender muita coisa.

By me 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Pentax



Por causa de um artigo meio fútil de um jornal, dou comigo a procurar na net imagens de Brigitte Bardot.
A ideia era aperceber-me do como uma pessoa que foi um ícone pode envelhecer de aspecto.
E eis que dou com esta fotografia.
Nada de especial teria ela, não fora… Não fora a câmara.
Disseram-me os olhos, disse-me o coração e confirmou-me o que fui depois encontrar ao pesquisar: trata-se de um dos primeiros modelos da Pentax, um daqueles em que ainda não tive o privilégio de por os olhos.
Para além desta, encontrei diversas outras da mesma actriz com a mesma câmara nas mãos. O que me leva a concluir que seria dela ou, em alternativa, que estaria a fazer campanha pela marca. Mas não sendo ela fotógrafa de nomeada…
Não adianta virem-me com conversas disto e daquilo!

A Pentax foi e é uma boa câmara, profundamente inovadora quando surgiu e agora só é suplantada porque o marketing mega agressivo das suas rivais a tem deixado ofuscada.

By me 

Estou a tratar disso




By me

.

A vida é um improviso constante até o manual de instruções estar concluído.
Nessa altura é tarde demais para o ler.
.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Verduras



Foi um destes dias.
Apareceu por lá uma novata, uma no feudo dos uns, a cometer algumas gafes.
Percebi que não era desleixo ou incompetência, como com alguns outros que vão aparecendo, mas tão só o natural da sua tenra inexperiência.
Comecei por mandar recados por interposta pessoa, que aquela situação não era comigo (já não era comigo), mas percebi que de pouco teria servido. Ou que as bases faltavam ali em demasia. E perdi a vergonha.
Meti conversa, apresentámo-nos, puxei de galões e estivemos um pedaço de paleio, com umas dicas e soluções a questões concretas, com explicações e exemplos práticos.
A dado passo, entre justificações sérias entremeadas com outras de brincadeira, oiço algo como “Mas isso é uma justificação psicológica para a composição de imagem!”
Parei um nico e respondi: “Claro que é! Aquilo que fazemos, mesmo que banal e simples como neste estúdio, é levar o público a ter as reacções que queremos com as imagens que fazemos. E há que saber como o público lê o que lhes apresentamos para conseguirmos o que queremos. Fazer imagem, profissionalmente, é manipular opiniões e condicionar reacções.”
E continuámos com a gestão do “ar”, com o equilíbrio das importâncias e com o mandar ás urtigas a regra dos terços.

Gostei de ver o resultado prático pouco depois.

By me 

domingo, 1 de outubro de 2017

Liberdade



Entre a livre expressão da vontade popular e o seu impedimento pelas forças policiais, exibem-se cravos.

Gosto de ver.
.

Sóc català



Catalunya
Não, não votarás.
Não, não poderás formalizar a expressão dos teus desejos.
Não, não poderás exprimires-te em liberdade.
Sim, a história repete-se.

Sóc català