segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Efemérides
Para
que conste:
Hoje
é dia 11 de Setembro em Barcelona, Santiago do Chile e Nova York.
Sê-lo-á
também noutros locais, mas a memória e os media se encarregarão de apenas
referir o que mais lhe convier.
Em
caso de dúvidas, compare-se o número de vítimas insulares e continentais na
sequência do furacão Irma e de onde obtemos maior destaque.
.
domingo, 10 de setembro de 2017
Educação
Ele
há coisas tão certas como o natal ser em Dezembro e a Páscoa calhar a um
domingo:
É
todos os anos haver milhares de pessoas que são ou querem ser professores e que
não são colocadas no sistema público de ensino.
Sendo
que este é muito maior e com muitos mais funcionários que o privado, o certo é
que estas pessoas ou ficam sem trabalhar ou vão exercer qualquer outra
actividade, a título provisório ou definitivamente.
Além
do incómodo que me provoca saber do desespero destes milhares de concidadãos,
há uma coisa que me provoca raiva:
Quem
não os contrata é o estado, gerido pelo governo. Este tem por função organizar
a coisa pública em função da eficácia, dos custos e da vontade do povo.
A
maioria destes candidatos a um cargo de professor é formada nas escolas
públicas, pertença do estado e geridas pelo governo.
Também
é o estado que detém o instituto nacional de estatística, que todos os anos nos
informa da explosão demográfica negativa, ou seja, da diminuição do número de
crianças nascidas. Estes nascimentos acontecem uns cinco ou seis anos antes dos
seus ingressos nas escolas.
Então,
sabendo-se sem grande dificuldade que a necessidade de professores está a
diminuir, porque motivo todos os anos o ensino superior coloca no mercado de
trabalho mais e mais jovens formados para essa actividade? Em maior número do
que as necessidades resultantes do número de crianças nascidas e dos que se
reformam?
Ou
seja, porque motivo o estado, pela mão do governo, mantém nesta actividade
lectiva uma oferta de mão-de-obra substancialmente superior à da procura?
Está-me
a parecer que o governo, que são pessoas contratadas pelo estado para o gerir,
está a fazer mal o seu trabalho. Não o tem feito ou desempenhado correctamente ao
longo dos últimos talvez trinta anos as tarefas para as quais tem sido
contratado, resultando daí o sofrimento e a frustração de milhares de cidadãos.
O
que é grave nesta gestão danosa, é que os danos não são apenas materiais mas, e
principalmente, de ordem humana. Afectando com isso, e com carácter regular,
muitos milhares de pessoas todos os anos e de uma forma regular. Na sua vida
actual e futura.
Se
os feriados podem ser criados ou eliminados, de acordo com os interesses
políticos e as tradições populares, também esta rotina anual de incerteza e
desespero de umas dezenas de milhar de pessoas, jovens ou não tanto, pode ser
anulada ou substancialmente minimizada.
Basta
para isso saber gerir e prever cientificamente o futuro. O que, na prática, é o
que se pede a um governo. Qualquer que seja a sua cor partidária!
By me
Avaliações
Repare-se
como a violência da natureza (inundações, sismos, tempestades, incêndios…) são
aquilatadas em dinheiro e valores dos estragos.
Ficam
para segundo plano as mortes, as vidas destruídas, as perdas de habitações e
trabalho…
Avaliar
da importância de um furacão pelos milhões de euros ou dólares de prejuízo é o
mesmo que qualificar a importância de uma pessoa pelo que se gastou no seu
funeral: hipocrisia.
Mas
nem políticos nem jornalistas conhecem outra forma de medir a vida. Ou a morte.
.
heuh - shall we?
Temos
a idade que sentimos, somos aquilo que fazemos.
O
resto são calendários, adjectivos e advérbios.
E
sabemos que palavras leva-as o vento.
By me
Receitas
Mau
humor?
Irritação?
Complicações
sociais?
Deixe-se
disso!
Gaston
La gaffe é a solução!
O
relaxe.
O
desopilar o fígado.
A
risada total.
Uma
dose de Gaston La Gaffe por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!
sábado, 9 de setembro de 2017
Memórias
Numa estação de
caminho-de-ferro de Lisboa, um diagrama da rede.
Para além das
linhas e cruzamentos, os nomes das estações acompanhados de símbolos relevantes
nesses locais.
Em baixo, uma
legenda identificava o significado de cada um desses ícones.
Esta é uma imagem
de parte dessa legenda.
Repare-se como os “locais
de interesse” estão identificados com uma câmara fotográfica.
Pouco importa o
que possamos ouvir, cheirar, palpar ou degustar nesse local: se é de interesse é
para fotografar. E mais tarde recordar.
Talvez que nem se
recorde do que se sentiu no local: o aroma de um restaurante próximo ou
maresia, o ruído do tráfego ou pássaros, a aragem a incidir na pela ou aspereza
do muro em que nos encostámos. Desde que a câmara possa registar é quanto
importa.
A este respeito,
recordo dois textos lidos ainda não há muito tempo:
Num deles contavam-nos
como algures nos anos cinquenta, aquando do boom do turismo nos EUA, se
assinalavam nas estradas os locais de interesse com um sinal de trânsito
contendo uma câmara fotográfica. Se bem recordo do que li, esta campanha terá
sido promovida por uma conhecida marca de películas, papeis e câmaras fotográficas.
Já então se entendia que o que era “bonito” era para ser fotografado e alguém
se encarregava de informar o público do que merecia ou não uma fotografia “para
mais tarde recordar”.
No outro texto
falavam-nos de uma experiência ocorrida na Grã Bretanha: dois grupos
equivalentes de estudantes universitários foram convidados a fazerem um
trabalho escrito sobre um tema dado. A diferença estava em que a um dos grupos
era pedido que consultassem apenas o constante na respectiva biblioteca e ao outro
para consultarem em exclusivo o conteúdo da internete.
Depois do trabalho
feito, foram os grupos testados sobre o que a sua memória havia retido do
estudado. O grupo da biblioteca tinha uma memória razoável do lido e onde e o
grupo da web havia fixado os locais onde havia pesquisado mas pouco dos
respectivos conteúdos.
A nossa memória,
aos poucos, vai-se transferindo dos neurónios para os digitais, fazendo mesmo
colocar de parte os sentidos e os sentimentos.
Confiamos nas memórias
artificiais, na imagem que é a imperatriz autocrática desta geração e que até são
particularmente frágeis e passíveis de serem perdidas. E, para as alimentar,
deixamos de parte o que elas têm de mais importante: os prazeres dos sentidos.
Diz-vos isto alguém
que faz da fotografia o “alimento da alma”. Mas que se recusa a fazer
fotografias de férias ou de as usar para mais tarde recordar.
Por muito que
goste de fotografia, viver é muito mais importante!
By me
Marcadores:
on photography,
Photographia
.
Pergunto
se o presidente norte-americano, ao ver uma das suas propriedades destruídas
por um furacão “de proporções épicas” (sic) e sabendo que ele resulta de
temperaturas anormalmente elevadas do oceano atlântico, manterá a sua posição
sobre o aquecimento global e as medidas para minimizar tal fenómeno.
.
Normalidades democráticas
Enquanto
por cá se vão discutindo as próximas eleições autárquicas, com episódios em
torno da legalidade de algumas das candidaturas, monarquias locais e discursos
xenófobos, aqui ao lado a coisa é diferente.
No
mesmo dia os catalães serão chamados às urnas para se pronunciarem sobre a
possibilidade de a Catalunha se separar da Espanha e assumir a independência.
As
ameaças do governo central espanhol a tal consulta popular e as divisões no
seio da região autónoma fazem abanar opiniões e aumentar os receios sobre as
consequências de organizar ou mesmo comparecer ao acto. Pondo em causa
conceitos globalmente aceites como o direito à autodeterminação dos povos e a
livre expressão de opinião dos cidadãos.
No
próximo dia um de Outubro viveremos mais um dia de normalidade democrática.
Não
se poderá dizer o mesmo dos nossos vizinhos espanhóis.
By me
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Verso e reverso
A principal
diferença entre uma moeda e um candidato a um cargo político é que elas mostram
a cara ou a coroa aleatoriamente, enquanto que eles mostram-se de acordo com as
conveniências.
By me
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