quarta-feira, 31 de agosto de 2016

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Uma ocasião, faz tempo já, vieram ter comigo lá no meu trabalho.
Um colega queria saber se eu aceitaria o convite para integrar as listas do seu partido nas autárquicas que se aproximavam.
Por um lado fiquei espantado. Pensava que me conheciam melhor.
Por outro fiquei sensibilizado pela confiança, mesmo quando ele me disse que não me preocupasse, que era só para fazer número e que eu não ficaria em lugar elegível.
Claro que recusei o convite, com a afabilidade mas firmeza que a questão impunha.
Mesmo que os conceitos gerais dessa formação partidária pudessem estar perto dos meus, não gosto eu de estar preso por questões éticas, sentindo-me impossibilitado de contestar as decisões dessa formação, pelo menos enquanto durasse o mandato. Mesmo que eu não fosse eleito. Seria uma questão de lealdade para com quem me havia convidado.

Custa-me ver gente que tenho por inteligente a apoiar medidas ou conceitos com os quais eu sei que discordam, apenas porque o partido com que se identificam (ou pertencem) assim o diz ou concebe.
A lealdade partidária ou grupal é bonita e recomenda-se. Mas não para além daquilo que a nossa consciência e intelecto nos diz. Ou corremos o risco de nos trairmos nos nossos próprios princípios.


E sim: isto aplica-se no geral e num caso muito particular politico-partidário agora na ordem do dia.
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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

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“Vive cada dia como se fosse o último. Um dia acertas!”
Esta é uma piada velha, que gosto de complementar com:

“A alguns eu gostava de garantir que era o último.”
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domingo, 28 de agosto de 2016

A explicitude e o seu oposto



O trabalho que tive em explicar a um profissional da imagem que a comunicação visual não tem que ser clara, explícita, inequívoca!
Esse é um dogma que se transmite em quase todas as escolas, manuais e workshops.
Mas não é verdade! Pelo menos não é uma verdade absoluta, universal.

Se falamos de consumo rápido de imagens – fotográficas, videográficas, cinematográficas – esse dogma aplica-se. Simplicidade na forma para facilitar o acesso ao conteúdo.
Mas posso querer eu, enquanto fotógrafo, não ser assim tão explícito. Querer obrigar quem vê o que faço a não entender de imediato, a parar para perceber, a questionar e questionar-se naquilo para onde olha e a, mais que olhar, ver.
O desconcerto na leitura, a dúvida, a procura de significado… também isto é comunicação, visual no caso da fotografia.
Dir-me-ão, talvez, que esta forma de comunicação reduz a muito poucos os que a lêem, na medida em que a dificuldade de acesso ou de interpretação, nos tempos que correm e com a rapidez de consumo de conteúdos, afasta os mais apressados ou menos curiosos.
Mas talvez nem sempre eu queira comunicar com esses, pouco me importando se entendem ou não. Ou melhor: ficando satisfeito se o entendem mas nada preocupado com o seu oposto.
Fazer diferente, mesmo que fora dos códigos habituais de comunicação, é uma necessidade que a todos assola de quando em vez.
A diferença entre a grande maioria dos que usam a fotografia e de alguns que também a usam, é que estes, nestes casos, pouco se importam com a reacção ou interpretação do público. “Likes” e “Coments” são “Cenas que não os assistem”.
Fazem-no e exibem-no porque lhes apeteceu, porque foi assim que alinharam a cabeça, o olho e o cérebro. E não para que outros gostem, ou mesmo que interpretem, entre dois clicks ou o passar rápido das páginas de um site ou revista.

Se o objectivo de um fotógrafo for a comunicação de massas, o chegar a todos, o fazer passar uma mensagem, o ganhar apreço ou dinheiro, mesmo que seja com uma pasta de dentes ou com um pôr-do-sol, esqueça-se tudo o que disse acima. Sigam-se as regras da academia, as fórmulas e os algoritmos, as modas e as convenções.


Mas se o objectivo for colocar a sua alma no que faz e mostra, pouco preocupado com as interpretações ou opiniões de terceiros…

By me

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O mal de se ter o cabelo e a barba branca reside apenas em os não ver quando caiem no lavatório ou banheira.

sábado, 27 de agosto de 2016

Tristezas



Triste é ver como há gente que se sente "grande" por ter feito uma fotografia junto de alguém famoso, sendo certo que esse alguém não "dá a mínima" p'ro fotografado. 
Na imagem: "Workers, México" 1924, por Tina Modotti, (1896 - 1942), in "A history of woman photographers".


By me

Hoje



Numa manhã de sábado, solarenga e ameaçar de quente, faria sentido publicar uma fotografia ou estórinha fofinha.

Mas depois de ver e ouvir as notícias, não consigo melhor que isto, desculpem.

By me

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Sem nome



A primeira atitude de qualquer um, ainda antes de sentir se gosta ou não de uma fotografia, é identificar o que nela consta.
Só depois disso se pondera ou afirma "gosto (ou não gosto) da representação fotográfica deste (nome do assunto fotografado)."
O não ser possível identificar o conteúdo de uma fotografia conduz, na esmagadora maioria dos casos, a uma reacção negativa.

Como se a fotografia tivesse que ser, por ordem divina, a representação concreta de algo específico.

By me

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Interpretação



Interpretação subjectiva de um concerto de jazz em Lisboa com um livro de Walker Evans na mão, usando um telemóvel com um gadjet.

By me

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“Se eu souber o porquê, saberei o como!”
E se eu não souber o porquê, não farei fotografias, farei fotocópias do que me cerca.
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Mas, e para concluir um texto que seria longo e muito fulanizado:
Não me interessa ajudar a preparar grandes fotógrafos que façam grandes fotografias que saiam nas capas das grandes revistas.
Interessa-me, antes sim, ajudar a que encontrem satisfação ou felicidade no uso da câmara fotográfica.
O mais são trocos e pedantices quem se acha grande no meio de uma elite.


E eu sou povo!

By me