domingo, 10 de julho de 2016

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Pergunto a todos aqueles que estão a fazer de um jogo de bola de mais logo um ponto alto das suas vidas se possuem um plano B de felicidade para hoje.

sábado, 9 de julho de 2016

'Tá tudo dito!



By me

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Há tipos a propósito dos quais apetece dizer:
“Sobre ele haverá que criar uma nova escala: de zero a mil, atribuo-lhe 3,7 pontos. Por cima.”
Infelizmente conheço um ou dois assim. Por baixo.

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A proporção aurea



Foi publicado há dias um número especial da revista National Geographic: este, dedicado à proporção áurea.
Não sei o suficiente de matemática para questionar o que nele vem escrito. E, em qualquer dos casos, tenho por verdade que esta revista não publica embustes, pelo que os seus artigos são sempre de ler com atenção.
Assim, e para quem queira ir um bom pedaço mais longe na origem e utilização do phi, Ф, recomendo a leitura. Tal como recomendo a leitura para quem queira ir mais longe na sua utilização em termos estéticos.

Neste campo, no entanto, gostaria de ressalvar dois ou três aspectos não referidos nos textos:
Por um lado que o número Ф surgiu originalmente pela observação da natureza e constatação desta constante em diversas circunstâncias naturais. E, sendo certo que os antigos matemáticos também eram filósofos, teólogos, cientistas e o que mais houvesse, deduziram que esta proporção assim acontecendo era uma manifestação divina.
E nós, pobres humanos, se queremos aproximarmo-nos das perfeições dos deuses, devemos usar o que de bom eles nos mostram ou ensinam. A proporção áurea, ou Ф, é uma dessas perfeições.
Por outro lado, gostaria de deixar bem claro que se o número Ф fosse uma perfeição tão completa e absoluta, muitas seriam as culturas humanas, ao longo dos tempos e das evoluções, que a teriam usado para além das vertentes matemáticas. E isso não aconteceu ou acontece.
Se procurarmos em civilizações que não tenham a antiga Grécia ou a antiga Roma na sua génese, constatamos que o Ф não consta da sua estética, nem nas realizações arquitectónicas nem nas pictóricas. As relações entre os diversos volumes de edifícios seculares ou religiosos não obedecem a Ф. As proporções entre os lados de quadros ou telas não são Ф. A organização dos diversos elementos dentro de um quadro ou desenho não são em função de Ф.
Por outro lado ainda, se a utilização de razões ou algoritmos fosse a chave para a criação de obras-primas, no último meio século, e com o advento dos computadores, o ser humano bem que se poderia dedicar à pesca, que as máquinas tratariam da arte.

Deduz-se assim que a proporção áurea, ou Ф, sendo uma proporção ou número importante na matemática, não é uma verdade absoluta, universal ou intemporal.
O querer impor a sua utilização como forma perfeita nas criações artísticas é, para além de uma ditadura (coisa pouco consentânea com arte), um absurdo.
Para mim, no que concerne à representação pictórica em geral e à fotografia em particular, bem mais importante que qualquer proporção áurea ou regra dos terços, será o equilíbrio (ou desequilíbrio) entre formas, luzes, cores, significados, que transmitam o que o autor quis contar.
O resto são normas culturais, válidas apenas em algumas zonas do globo e parcialmente castrantes.

Em qualquer dos casos, sugiro a leitura da revista.


By me

sexta-feira, 8 de julho de 2016

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Com a idade, eventualmente, tornamo-nos mais sábios.
Mas de nada servirá se tudo o que se aprender até lá morrer connosco.
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Triste mesmo é ver tantos com um incontido sorriso de satisfação exclamar “estamos na final” quando, em boa verdade, nada fizeram para isso.
Confesso que não me agrada ver gente de bem apropriar-se e tomar como seu o esforço dos outros.

Haja vergonha na cara!
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Balões



Admito que não pareça, mas…
A verdade é que isto é material de apoio didáctico numa sessão de formação em fotografia.
Composição, centro de interesse, perspectiva – vertical ou horizontal – sombra e translucidez, cor… a quantidade de coisas que se podem fazer com uns balões e uns lenços do chinês é incrível.

Inclusive brincar.

By me 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

P'la minha janela



Estes horários malucos que tenho forçam a que, por vezes, tenha que tomar uma refeição sólida quando a maioria pensa em lanchar. Isto para não ir para a cama a fazer a digestão, que é sabido não dar bons sonos.
Pois estava eu a preparar a janta e sinto um movimento estranho lá em baixo, na praceta onde estacionam os carros. Senti-o pelo “rabo do olho” e voltei-me para prestar atenção, por entre a balaustrada da varanda e a roupa a secar.
Talvez que uma festa de fim de ano lectivo, ou aniversário ou quejando. Mas bem no meio do parqueamento, uma garotinha talvez ainda não tendo chegado aos dez anitos, rodopiava vestida de “princesa”: vestido comprido até aos pés, branco, mangas de balão, um colete amarelo-torrado brilhante, uma tiara na cabeça.
Não se ouvia música. Pelo menos eu não a ouvia, que ela parecia dançar ao som de uma qualquer valsa.
De súbito, entrou no meu campo de visão o eventual par. Talvez uns dois anos mais velho, e uma mão travessa bem medida mais alto, vestia calças justas elásticas verdes, um colete igualmente verde por sobre uma camisa branca com mangas de balão e, encimando a cabeça, um chapéu de um bico com uma pena de lado e tombando para trás. Pendurado do cinto, à esquerda, uma espada fina, tipo florete, pouco condizente em termos de época com o traje, mas nestas coisas isso do racord não conta.
Chegou-se à mocinha, falou com ela de perto não sei o quê, ela afastou-se uns bons cinco metros aos saltos qual cabra montês e regressou a ele. Deram as mãos e afastaram-se pela esquerda, saindo do meu campo de visão.

Até acabar de fazer e engolir o jantar não os voltei a ver.
Mas para a festa para onde terão ido cumpriram os estereótipos feminino e masculino, impostos pelos desenhos animados.

E iam felizes, ao que me pareceu.

By me 

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Eis uma coisa que eu gostava:
Que boa parte daqueles que usam a câmara fotográfica com regularidade parassem para pensar nas questões de composição e usassem abordagens alternativas aos seus próprios hábitos ou vícios. 
Talvez que descobrissem um mundo novo no seu suporte preferido de comunicar ou exprimir.

By me

Ser do contra



Numa época em que tudo é – ou ameaça ser – anguloso, esquinado, de arestas vivas e conforme as regras e leis, alguns conseguem manter a sua personalidade.


By me