quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Coisas que me dão gozo.



Muito gozo!
Ver alguém que pouco sabe de técnica e cuja preparação estética é diminuta (conheço-lhe o percurso de vida) a tentar fazer algumas fotografias.
Mas a ter escolhas de perspectiva, enquadramento e momento perfeitas.
O olhar pode-se treinar. O domínio da técnica adquire-se sem grandes complicações.
Mas o saber ver… esse ou se tem ou não tem.

Se outros motivos não existissem, investir fotograficamente será um prazer.

By me 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

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Leio que foi eleito o melhor escritor português.
Pelo resultado, fico satisfeito de não ser escritor.
Já quanto a ser português, creio ter sido um acidente de percurso.
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Fico elucidado



O artigo de jornal dá o título: “Em 25 anos morreram quase 2300 jornalistas pelo mundo”.
Já não sei quantos foram os que morreram no último ano a tentar atravessar o mediterrâneo.
Também não sei quanto morreram a tentar socorrer feridos em conflitos armados, durante o último ano.
Tal como não sei quantos morreram, no último ano, sem ser em ambientes de guerra e assassinados por armas de fogo.
E também não sei quantas mulheres foram mutiladas genitalmente no último ano.
E também não sei quantos foram executados sob as ordens de um tribunal, militar ou civil.
Mas fiquei a saber, por um jornal, quantos jornalistas morreram em 25 anos e em cenários de guerra.

Fico elucidado!

By me

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Saldos

Ao que consta, uma fotografia de uma batata foi vendida por 1,5 milhões. Convenhamos que é apelativo, tanto do ponto de vista da estética da imagem, como da estética económica.
Tenho ali uma cebola que está farta de protestar, afirmando que não é menos que um tubérculo, que por baixo da camada exterior existem outras tão ou mais interessantes e que tem um notável impacto dramático, já que coloca todos a chorarem.

Mas também me diz que não é gananciosa e que se deixa fotografar por quaisquer 250 mil.
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Cliente difícil



É verdade que sim, que não sou um cliente fácil.
Mas tive que ameaçar ir para a esplanada ao lado se com o café não me fornecessem uma colher de metal.
Recuso as palhetas de plástico que, e para além do negócio que serão para quem as fabrica e vende, são verdadeiros atentados ecológicos. Que ainda está para vir o primeiro empregado de café ou pastelaria que me diga que as separam para o contentor apropriado.
Comigo, ou há colher de metal, mesmo que de galão, ou vou a outro lado.

Mau feito, já sei.

By me

Não são muitos...



... mas ainda os vou encontrando.

By me


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Um olhar – O nome fica para mim



Das três ou quatro vezes que a encontrei, nestes últimos talvez dois anos, foi sempre na mesma circunstância: ou numa estação de caminho de ferro ou num comboio.
Sempre aquele lamentável aspecto de alguém que envelheceu demasiado depressa, sempre aquela doçura no falar, sempre um pedido de ajuda.
Temos conversado, umas vezes mais, outras menos, quase sempre de olho no revisor. Na medida do que tenho podido, tenho ajudado. Que nunca me esquecerei do seu olhar e tom de voz quando, da primeira vez que nos cruzamos, e depois de termos passado pelo bar da estação onde uma sandes bolo e sumo (que já não havia sopa) lhe mataram a fome, me disse olhos nos olhos: “Sabes, este dinheiro, desta vez, é mesmo para pagar o quarto. Estou tão cansada…”.
Faz-me ela o especial favor de se recordar do meu nome, apesar de só me interpelar de uma forma diferente dos demais a quem pede se eu lhe dirigir a palavra. Nomes que trocámos da primeira vez que falámos, em que veio à baila a sua família, ascendente e descendente, e de como já quase nem sabe de uns e de outros.
Desta minha mania de fotografar olhares, o seu nome fica para mim. Que mo disse em voz baixa, quase que a medo que os circundantes ouvissem.

Até à próxima. Que se não for num comboio, talvez possamos ir por uma sopa, sandes e bolo. E sumo, claro.

By me

O vazio



Durante anos, muitos, aqui esteve um estojo.
Substituído quando o uso assim o impunha, era objecto de ajuste especial para poder proteger por completo o que continha: um isqueiro Zippo.
Juro que quando tenho que apertar as calças ou tão só tirar algo do bolso, sinto falta de qualquer coisa ali.

No fim de contas, foi mais tempo de hábito do que muitos hoje têm de vida.

Nota fotográfica adicional:
Estou certo que alguns dirão que esta imagem não tem qualidade técnica. E não tem.
Para quem, como eu, já fotografou em grande e médio formato, que possui diversas reflex, digitais e analógicas, com a respectiva parafernália de acessórios… esta imagem deixa muito a desejar. Ou não!
Que feita com um telemóvel, suficientemente perto para não haver garantia de focagem, com um enquadramento “à zona”… seria tudo o que não se recomendaria para uma fotografia tecnicamente boa.
Mas o que acaba por ter graça é que é exactamente essa “falta de qualidade” que me satisfaz. Pelo assunto, pelas condições em que foi feita, pelo meu estado anímico…
Qualquer purista da fotografia não olharia para ela meia vez, quanto mais segunda vez. Mas foi isto mesmo que eu quis fazer e que corresponde ao que quero mostrar.

Quanto ao resto… Não ando cá para agradar aos demais. Em muitas coisas na vida, fotografia incluída. 

By me

Tudo se mistura



Tudo se mistura nesta sociedade de consumo!
Os Minions com as Cinderelas e as Minies, nos balões estrategicamente presos num caixotão de lixo junto a um parque infantil.
Tal como os “pasteis de Belém” são ponto de atracção num roteiro turístico de uma charrete puxada por um belo cavalo, de permeio com a praça do Império, o largo dos Távoras, ou o museu dos coches.
E se um destes dias terei que dar uma voltinha turística na minha própria terra, também um destes dias terei que dar uso fotográfico ao pequeno Minion que veio para casa depois de muito o procurar e do qual me fugiu a inspiração de escrita.

Informação adicional: a charrete tem travões de disco às quatro rodas.

E a sua tripulante ficou bem atrapalhada quando lhe perguntei que nome daria a dois homens que visse muito, mas muito íntimos. E continuou igualmente atrapalhada e sem resposta concreta quando lhe perguntei o mesmo mas referente a duas mulheres. Ficou mesmo desconsertada quando lhe fiz a mesma pergunta mas referindo dois cavalos. Só descontraiu, com valentes gargalhadas, quando lhe disse que, neste último caso, a resposta certa é Citroen.

By me