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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Cansado



Comprei um livro.
Nada tem de especial, que é coisa que faço amiúde, dependendo da minha bolsa.
O que acaba por também não ser especial, que já vou ficando cansado de o dizer, foi o ter afirmado que não tenho cartão cliente (não quero fazer parte da base de dados desta ou de qualquer outra loja), ter afirmado que não quero o número de contribuinte na factura (não quero alimentar a base de dados governamental sobre a minha vida privada) e afirmar que não quero um saco de plástico que, assim que possível, deitarei fora.
Já me cansa o meu discurso, mesmo que não explique os motivos.
Em seguida, e noutro local, comprei um filme. Nada de especial também, que também o faço amiúde assim a minha bolsa permita.
E nada teve de especial repetir o mesmo discurso tido poucos minutos antes ao comprar o livro: não ao saco de plástico, não à identificação na factura, não ao cartão cliente.
Um destes dias imprimirei um texto, sucinto mas esclarecedor, de cuja cópia entregarei às meninas das caixas ao apresentar-lhes os artigos que pretendo comprar. Não sei é se terão tempo (ou paciência) para o ler.


Nota extra: quem não viu este filme, não o perca!

By me

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Escorrendo na estação



By me

Pouco me importa



Pouco me importa o que possam dizer!

Esta semana, e nestes horários malucos, quando me levanto o meu céu portátil é mais azul que o de lá de fora.

By me 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Coisas raras



Sabemos que um laboratório de fotografia é, idealmente, pintado de preto.
O objectivo é, naturalmente, evitar quaisquer luzes parasitas que nos estraguem o trabalho duramente conseguido.
Na outra ponta do processo fotográfico, um dia que tenha um estúdio a que possa dar esse nome será igualmente pintado de preto. Pelos mesmíssimos motivos: quero ser eu a controlar, por completo, a luz que usar. Manias, mas não tão estranhas quanto isso, que sei quem assim tenha o seu.
Mais estranho é encontrar um edifício pintado de preto por fora. Confesso que só conheço este e deve ser peça rara na história da arquitectura.
Agora quilo que não conheço mesmo é algo fornecido pela natureza e comestível que seja azul. Ou lá perto.
Amarelos, vermelhos, verdes, castanhos, mesmo roxos, com maior ou menor saturação, ainda encontramos.
Agora azul…
Creio que a palete de cor natural reservou o azul para o céu, mais ou menos ciano, e para alguns fungos, sob a forma de cogumelos, que são de todo venenosos.

Talvez que por isso o céu esteja reservado a uma vida posterior, talvez que paradisíaca. Tem a única cor que não consumimos na terra.

By me

Quente e frio



By me

terça-feira, 19 de agosto de 2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

domingo, 17 de agosto de 2014

Não gostei



Sentou-se aqui mesmo, à minha frente.
O seu cabelo, negro asa de corvo, não condizia com o alvo que se via nas suas raízes.
O multicolorido que trazia no rosto, digno de um qualquer mostruário de cosméticos, em nada condizia com as inúmeras rugas que o tempo havia cavado.
As roupagens, de cortes e cores incomuns em qualquer lado… não emito comentário.
Não gostei Não gostei mesmo.
Não gostei mesmo de eu mesmo não ter gostado. Que quem sou eu para gostar ou não do que alguém tem em cima, da forma como alguém se apresenta.
Aquela velha senhora (muito velhinha mesmo) queria com o seu visual conservar uma juventude que já não possui. E não gostei que vivesse de aparências, tentando “enganar” os outros e ela mesma com atavios incongruentes.
Mas, principalmente, não gostei que eu não tivesse gostado.
O seu sorriso, franco e alegre, bem demonstrava estar feliz assim. A sua “incongruência” é a sua felicidade.
E eu, raismapartam, não estava a gostar da sua felicidade.

Não gostei de mim!

By me

sábado, 16 de agosto de 2014

Emergência



By me

Fotografia - cá e lá



A abordagem generalizada à fotografia passa por ir longe, a terras distantes, registar o que por lá acontece. Actos humanos, actos da natureza, paisagens. E usar esses registos para exibir as belezas ou denunciar os horrores que por lá aconteçam.
Este é o sonho da maioria dos que começam a fotografar, é o desejo escondido dos que já fotografam.
Essa não é a minha abordagem. Nem o meu sonho ou desejo.

Entendo que a fotografia – o registo lúmico do que existe – pode ser feito mesmo à porta de casa, no jardim ao fundo da rua, no baldio a seguir ao bairro, na avenida principal ou rua secundária da minha cidade.
Entendo que o mundo – o universo – é composto de grandes – enormes, infinitos – eventos. As galáxias, as guerras, as sobrevivências das espécies. Mas também pelas muito pequenas coisas, triviais, que sucedem em qualquer lado. Ao meu lado. O desabrochar da flor do cardo, a luz que rasa e evidencia a textura de uma fachada, o horror do maltratar entre seres humanos, sem sangue ou tragédias evidentes.
Entendo que as belezas e horrores acontecem em todo o lado.
Mas também entendo – sei – que nos é bem mais fácil, enquanto seres humanos acomodados ao nosso próprio quotidiano, sentirmo-nos emocionados para o bem e para o mal com o que acontece lá. O belo, se for lá, alimenta os nossos sonhos; o lá, se for horrendo, alimenta os nossos pesadelos mas também serve de exorcismo ao pensarmos que lá é pior que cá.
E a fotografia feita lá longe alimenta os sonhos e pesadelos.
Já a fotografia feita ao pé da porta é incómoda! No belo ou no horrendo. Que nos mostra aquilo a que nós mesmos não damos valor, que nos mostra a nossa incapacidade de mudar o que de mau nos cerca. Que nos coloca e destaca o quão acomodados estamos.

Claro que fotografar ao pé da porta dá mais trabalho. Muito mais trabalho. Há que, mais que olhar, ver o que nos cerca, aquilo que já nos é tão habitual que nem disso damos conta. Há que “fazer excursões ao próprio quarto”, há que fazermos turismo na nossa própria rua, há que ter um espírito crítico em relação ao nosso próprio mundo. Há que descobrir o que de belo ou horrendo existe debaixo dos nossos próprios pés ou em frente ao nosso próprio nariz.
É mau ver a fome lá longe. Emociona-nos. Mas é pior voltar a cara aos que todos os dias vêem comer do nosso caixote do lixo.
É lindo ver as águas límpidas de uma ilha paradisíaca. Mas é tão belo quanto a delicadeza com que a abelha se alimenta da madressilva que a vizinha mantém regada e viçosa.

A linha do horizonte – aquele lugar aparentemente inatingível e com que sonhamos ou que tememos – não tem que estar lá longe. Pode estar – e está – à distância de um braço mais meio centímetro. Por vezes, do outro lado do espelho.

Mesmo em fotografia.

By me 

Portuguesismo



By me

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Quando ris



Quando ris, o mundo ri contigo;

Quando choras, choras sozinho.

By me 

Enroladinho



By me

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

quarta-feira, 13 de agosto de 2014