sábado, 31 de janeiro de 2009

Testemunha orgulhosa


Já lá vão uns anos bem contados, mas eu assisti.
Foi pela televisão mas eu assisti em tempo tão real quanto as transmissões por satélite permitem.
A emoção na altura foi grande, perante o facto em si e as suas implicações, e eu vivi-a.
Mas, pondo essa emoção de parte, junto com o que então já era o espetaculo mediático da informação, a verdade é que me considero uma testemunha do facto mais significativo da história da humanidade, acontecido no séc. XX.
Claro que a classificação é minha e o acontecimento ganhou-a mais pelo simbolismo que outra coisa. Mas entendo que o seja.
Refiro-me à libertação de Nelson Mandela, na África do Sul. E ao fim da ultima legislação nacional onde a segregação pela raça era parte integrante.
Fui testemunha disso e estou orgulhoso em o ter sido.

Mas acontece que espero vir a ser testemunha de um outro acontecimento de igual relevo.
Falo da tomada de pose de Johanna Sigurdardottir como primeiro ministro da Islândia.
Não pelo facto de ser mulher. Várias outras já o foram, em diversos pontos do globo e algumas ficaram famosas, nem sempre pelos melhores motivos.
Também não por se tratar da Islândia, país muito pequeno e sempre discreto, agora na ribalta por via da crise económica e da falência que o atinge.
A relevância do facto deve-se à pessoa propriamente dita. Pois trata-se da primeira vez, tanto quanto me é dado saber, que alguém que assume publicamente a sua condição de homossexual e atinge um tão alto cargo publico de um país. Seja qual for o clima que por lá se viva.
Se a discriminação racial já não faz parte das leis de país algum, este será um passo significativo para que o mesmo aconteça – leis e práticas – com as opções religiosas e sexuais.
Se tudo correr bem, serei testemunha, ainda que à distância, deste primeiro passo importante.

E se, mais que eu a humanidade, tivermos sorte, talvez também possa ser testemunha do passo final nesse caminho, algures no futuro. Onde as diferenças, mais que afastarem, aproximem os Homens. E as Mulheres, já agora!



Texto e imagem: by me

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Life


I wasn’t satisfied with just the picture.
I also give my compliments to the owner of this car.
She deserves it, doesn’t she?



Texto e imagem: by me

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ligações perigosas


No jornal Público, na sua versão on-line, leio o que a seguir transcrevo:

AR vai convocar jornalistas, meios, anunciantes e publicitários para analisar situação no sector
A comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura decidiu hoje chamar os responsáveis do Sindicato de Jornalistas, Confederação de Meios, Associação dos Anunciantes e Associação das Agências de Publicidade para fazer uma análise geral do sector.
Aprovado por unanimidade, o requerimento foi avançado pelo deputado do PSD Luís Campos Ferreira que explicou o pedido com o facto de "a situação na comunicação social ser grave".
A proposta social-democrata foi feita depois do PSD e do PS terem "chumbado" uma audição do presidente da Controlinveste, Joaquim Oliveira, pedida pelo PCP na sequência do anúncio de despedimento colectivo de 122 trabalhadores do grupo. "Um despedimento tão vasto é preocupante mas não me parece que isto [a audição de Joaquim Oliveira] caiba nas competências da Assembleia", argumentou Campos Ferreira.
Posição secundada pelo PS já que, segundo o deputado João Serrano, "esta é uma questão laboral que deve ser entendida como tal". Para o PCP, no entanto, a audição serviria para "tentar saber o que se passa no sector".
Também o deputado do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas, apoiou a intenção. "A Assembleia devia dar um sinal de preocupação perante o maior despedimento no sector", sublinhou.
O CDS absteve-se, mas o deputado Pedro Mota Soares referiu considerar que o Parlamento "não é o local próprio para discutir questões laborais".


Entenda-se que é convicção generalizada, que eu partilho, que o exercício da democracia depende, em parte, da existência de informação livre e isenta.
No entanto também é convicção generalizada, que eu também partilho, que os media, por cá, não são nem livres nem isentos. São indústrias cujo objectivo é, claramente, o lucro da actividade.
Igualmente sabemos que as formações políticas necessitam de fazer passar a sua mensagem junto dos cidadãos por forma a poderem concretizar os seus objectivos políticos. Que só através dessa divulgação podem os cidadãos dar a sua anuência ou apresentarem a sua discordância às propostas e às execuções de projectos e políticas. Aquando de eleições e fora delas.
Destes três pressupostos surge uma convicção generalizada, que eu partilho, da existência de ligações menos claras entre a indústria da informação e as organizações políticas, no poder ou fora dele.
E veja-se os cuidados tidos pela Assembleia da República devido a despedimentos no sector dos media, comparado com o que tem manifestado – ou não – perante o que vai sucedendo noutros sectores da vida económica nacional. O pequeno comércio, que vai fechando as portas face à chamada “crise” e ao poderio económico dos grandes grupos empresariais e as pequenas indústrias que seguem pelo mesmo caminho.
Faz todo o sentido e recomenda-se que os deputados saibam de perto o que acontece na sociedade que representam e sobre a qual legislam.
Necessário é que tenham os mesmos cuidados e atenções com toda a sociedade e não penas ou principalmente sobre os media, de quem os políticos dependem como do pão para a boca.



Texto e imagem: by me

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sopa


Quando eu era pequeno não gostava de sopa. Mas não gostava mesmo, à imagem e semelhança de muitas outras crianças de aquém e alem mar.
Fazia fita, argumentava, amuava… E só as fortes ameaças (algumas concretizadas) ou brilhantes engodos me faziam deglutir aquela coisa que não era nem liquida nem sólida, que não se bebia nem mastigava. Ainda hoje é um pouco assim.

Aquele dia não foi diferente dos outros. Não queria mesmo comer a sopa! Mas uma ideia brilhante assolou a mente de quem estava comigo e propôs-me um acordo: eu comeria apenas metade da sopa. A metade do lado direito. Com a colher, traçou um risco a meio do prato da sopa e do seu conteúdo e mostrou-me qual a minha metade e qual a metade a deixar ficar no prato.
Aliciado com esta indulgência súbita, ataquei o prato de sopa. Com todas as cautelas, a colher mergulhava exclusivamente na minha metade, deixando virgem a outra. E rapidamente, não fosse mudarem de ideias.
Claro está que, quando rapei a última gota da minha metade, a outra fora comida também!
Olhei desconsolado para aquele prato vazio, percebendo que a tinha comido por inteiro. E fiquei furioso!
Furioso por ter sido enganado, por ter acreditado em quem deveria acreditar e que me havia enganado!
Furioso por ter aceite um negócio insuspeito e ter sido levado a fazer o que não queria!Fiquei tão furioso que ainda hoje, passados que são mais de 40 anos, me recordo do episódio, das circunstâncias, dos intervenientes, das sensações!

Ficou-me de lição! Talvez tenha sido nesse dia que acordei para a hipocrisia e mentira, para os engodos e aldrabices.
Hoje continuo a desconfiar das ofertas muito generosas. Dos bancos, dos vendedores, dos governos, dos empregadores, por vezes até dos anónimos.
Perante as promessas de “apenas metade” lembro-me sempre das outras metades que haveria que engolir a contra-gosto se nelas acreditasse.

Lá diz o povo e com razão: “Galinha gorda por pouco dinheiro, choca vai ela!”


Texto: by me
Imagem: algures na web

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Protecção civil e media


Foi há umas duas semanas, mais coisa, menos coisa: O clima fez das suas, as temperaturas baixaram (melhor, o mercúrios nas colunas dos termómetros baixou) e a neve caiu.
Isto nada teria de mal se estivéssemos habituados a tal. Se a existência de neve em estradas e cidades fosse coisa de todo o ano ou de todos os anos. E se fosse tal a quantidade que fizesse deste jardim à beira-mar plantado um destino de turismo de Inverno. Com as respectivas infra-estruturas.
Acontece que a neve, por cá, não é assim tão habitual. Pelo menos nos últimos anos.
Assim, cidades brancas, escolas fechadas, trânsito condicionado e estradas cortadas foram noticia de primeira página ou de abertura de noticiário televisivo. Bem como os avisos laranja e vermelho que contrastavam com a alvura da paisagem.
Mas foi igualmente notícia de destaque a quantidade de gente presa na neve e no gelo, as horas de espera ao frio, os inconvenientes para a circulação de pessoas e bens e os protestos de sempre sobre a falta de socorros e apoios.
As argumentações das autoridades foram as que se esperavam: exiguidade de meios, inadequação destes para as invernias, já que os investimentos têm sido para os fogos estivais, que não se pode contar ter a protecção civil e os bombeiros em todos os locais preparados a 100% para todas as eventualidades, que a neve não é um hábito por cá…
As queixas e argumentações, para além de manchetes, fizeram eco nas autoridades decisoras. Pelo menos é o que se pode deduzir deste fim-de-semana.
Novamente nevou e se viu os alertas coloridos da meteorologia, com estradas cortadas, etc. Só que, ao invés de queixas e imagens de gente a tiritar de frio à espera e a protestar, fomos confrontados com números. Quantas estradas cortadas preventivamente, quantas pessoas resgatadas da neve e gelo, incluindo as suas faixas etárias, quantos veículos ligeiros, pesados de mercadorias e de passageiros foram retirados de situações de blqueio…
Ficámos a saber, através dos noticiários e jornais on-line, que a protecção civil actuou bem, em tempo e meios, e que os prejuízos foram mínimos devido a isso.
O que me leva a concluir que, no espaço de duas semanas, mais coisa, menos coisa, os meios de salvamento (homens e maquinaria) aumentaram em muito. Acredito que até recrutámos gente ao estrangeiro, a interpretar uma reportagem onde quem aplicava sal nas estradas da zona de Vila Real só falava castelhano.
Ou a minha conclusão está correcta ou… Não, não vou voltar à carga com o pensar que as instituições inundam os media com os factos e números que entendem por convenientes e que estes – os media – alinham no jogo atacando ou defendendo essas instituições de acordo com critérios editoriais regulados por simpatias ou antagonismos pessoais ou políticos.
Vou apenas pensar que as coisas melhoram significativamente em duas semanas, mais ou menos, tal como penso que o tipo de barbas brancas que vejo reflectidos nas vidraças do museu dos bombeiros é o Pai Natal.


Texto e imagem: by me

domingo, 25 de janeiro de 2009

Tio


Anda toda a gente a falar no Tio: Tio para aqui, tio para ali, tio isto, tio aquilo…
E eu, que não sou menos que os demais, também vou falar de um tio:


Quando o meu tio Artur morreu, eu era um menino pequeno.
Em boa verdade, ele não era meu tio mas antes tio-avô do lado materno. Vivia ali para os lados do Largo do Rato, num rés-do-chão em cujo quintal havia uma roseira enorme e colorida. Para além disto e de mais alguns poucos episódios indelevelmente gravados na minha memória, o que mais sei dele é o de ouvir contar na família.
Uma das estórias que se relatam prende-se com a sua vida afectiva.

Quando jovem, estaria apaixonado por uma moça que lhe respondia na mesma forma. Mas a juventude tem destas coisas e acabou por conhecer, no sentido bíblico do termo, uma outra rapariga com quem foi obrigado a casar.
O tempo passou e as personagens desta estória envelheceram. Até que meu tio Artur enviuvou.
E os sobreviventes, com o mesmo amor da sua já distante juventude, casaram. Conta quem sabe que viveram felizes o que restou das suas vidas.

Se fosse vivo, o meu tio Artur teria 110 anos, talvez mais. Nem sei qual a sua data de aniversário. Mas como não conheço mais ninguém que hoje faça anos, aqui lhe acendo e sopro umas velas.

Parabéns a você, nesta data querida…



Texto e imagem: by me

Oops!



By me

Incidente


Neste incidente morreram dezenas de pessoas e centenas de outras ficaram gravemente feridas.
Este é um texto banal que se ouve nas TVs e Rádios ou se lê nos jornais.
Incidente?!!
Chamam incidente a um atentado bombista, às mortes no afundamento de um barco ou queda de um avião, ou à intervenção armada num país ocupado?
Eis o que diz o meu Dicionário da Língua Portuguesa, compilado por Domingos J. da Silva e publicado por Editorial Domingos Barreira
Incidente (Lat. Incidente), adj., Que incide; superveniente; s. m. Circunstância acidental; episódio.
Por questões de dúvidas, fui ver mais duas entradas:
Episódio (Gr. Epeisódion, incidente), s. m. Incidente relacionado com a acção principal; coisa acessória; caso; sucesso.
Superveniente (Lat. Superveniente), adj. Que sobrevém; que vem ou aparece depois ou por acrescentamento.
Com é bom ver as classificações que os media dão às mortes de seres humanos!
Texto e imagem: By me

sábado, 24 de janeiro de 2009

The show must go on!


O meu primeiro trabalho profissional em fotografia foi no teatro. Ou, de outra forma, o meu primeiro trabalho pago em fotografia.
Tratava-se de uma companhia que já existia antes da revolução e cujas peças e trabalhos tinham andado a fintar a censura e a polícia política. Em acabando ambos, manteve o conceito de “Teatro de intervenção”, desta feita sem as peias censórias de então.
Os anos que para eles trabalhei, já em democracia entenda-se, foi para mim um manancial de aprendizagens, que não apenas em fotografia: o género humano, o audiovisual, o teatro, a arte, o que é ser criativo usando mensagens à sociedade e viver disso.
Acontece que, passados quase dez anos sobre o 25 de Abril, o público já não tinha grande apetência para assistir a teatro em que, para além da função lúdica, também o levasse a pensar. Tendência esta que se manteve e tem vindo a aumentar, diga-se em abono da verdade.
Assim, havia dias de representações em que havia mais gente em palco a representar que sentados na plateia a ver fazer. Por vezes, era confrangedor estar ali, pensando que era da receita da bilheteira que eles viviam.
Apesar disto, nunca se suspendeu uma representação em que houve um só que fosse espectador. E o empenho de quem dava corpo e cara às personagens nunca esmoreceu, pese embora haver dias de menos ânimo.
Deixei de trabalhar para eles ao fim de três anos, levado pelo desejo de enfrentar novos desafios fotográficos. A companhia encerrou passados bastantes anos, por morte da directora e encenadora.
Do edifício resta uma ruína que em breve o camartelo e as políticas urbanísticas do município reduzirão a coisa nenhuma. Mas o que nunca se apagará ou enterrará são as memórias de quem frequentou aquela plateia e de quem representou naquele palco. Tal como aquilo que com eles aprendi.
E, neste momento em particular, recordo um aspecto fundamental:
A comunicação e a expressão criativa têm que se manter a todo o custo. E, enquanto houver uma só pessoa que queira receber o que há para contar, o espectáculo continua. E mesmo para além desse ponto!
E se esta não fosse a centelha motivadora, ou uma delas, quantos pintores, escritores, compositores, teriam desistido da sua actividade, por o seu trabalho não ser reconhecido na sua época?
Hoje, temos a herança cultural que temos! Que é das coisas boas que recebemos e que podemos e devemos conservar e aumentar para os vindouros!


Texto e imagem: by me

Emprego, felicidade e Phi


A existencia de desemprego, melhor, da falta de emprego, provoca vários tipos de infelicidade.
Desde logo, e naturalmente, o facto de haver quem não tenha forma de prover o seu sustento e o dos seus. A fome e os cêntimos contados, a incerteza de futuro ou a ausência de sonhos, o peso que isso representa na sociedade, geral ou restrita. É mau e não se recomenda, obrigado!
A isto, some-se aqueles que são obrigados a assumirem por trabalho (ou emprego) tarefas de que não gostam ou mesmo desgostam. Fazendo-o todos os dias da semana, todas as semanas do mês. Acredito que estas pessoas acordam frustradas e adormecem tristes. E que, entre um momento e o outro, que ninguém lhes pise a sombra, sob o risco de serem insultados, no mínimo.
Junte-se a este grupo de pessoas aquelas que com elas se relacionam: família, amigos, colegas, vizinhos. Conviver diariamente com alguém que está aborrecido, enfadado, triste, não é, propriamente, o melhor dos ambientes.
Considere-se ainda aqueles que só pontualmente com eles lidam: clientes e utentes, se se tratar de serviços, comércio ou hotelaria/restauração. Ser-nos servida uma refeição, entregue um produto ou atendido num qualquer balcão por alguém que não consegue sorrir porque não gosta do que está a fazer…. Bem, certamente que não trás satisfação no negócio nem vontade de lá voltar.
Infelizmente, a lista de infelicidades não termina aqui!
Imagine-se o comportamento de um empregador que, tendo muitos candidatos ao um lugar possa discutir – e não discute, impõe – as condições de trabalho: horários, tarefas, pagamentos… Quem está em situação de necessitar mesmo de uma qualquer forma de ganhar a vida pela certa que pouco discute e aceita as imposições. Com um sorriso para fora e um esgar de tristeza para dentro.
Neste lote ponha-se também aqueles chefinhos, capatazes, gestores e afins que, sabendo depender da sua opinião a continuidade de emprego de quem está com contratos precários, usam e abusam desse poder. E os deles dependentes calam, acordando tristes de manhã e frustrados ao voltar para a cama, à noite.
E continuam mal pagos, com longas horas ou deshoras de trabalho, a fazer aquilo que, possivelmente, detestam fazer.

Não tem muito que saber: a crise de emprego não é uma questão que afecte apenas os que não o têm. Provoca uma espiral de infelicidade. Talvez mesmo uma espiral gerada por um qualquer número de ouro, aquilo que os desempregados não têm!


Texto e imagem: by me

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Surpresas da rotina


Este meu ofício tem características muito específicas. Entre elas a questão dos horários.
Ou bem que pego de madrugada, ainda antes do comum do cidadão acordar, saindo do trabalho por alturas do almoço, ou bem que entro a meio do dia largando já depois do jantar, ou anda começo a labuta lá para o fim do dia e chego a casa já a noite vai a meio, ou quase. Isto sem nenhum tipo de regularidade ou rotações padrão.
Aquele tipo de horário de entrar de manhã e sair pela tardinha, rotineiro, não o tenho. Mas também não tenho grandes possibilidades de convívio familiar ou social normal.
Mas, volta e meia, lá acontece, como tem sido esta semana. E decidi fazer e ver fazer e como o que muitos dos meus concidadãos fazem à sexta-feira depois do trabalho: ver as montras num centro comercial, jantar num fast-food e dar um pequeno passeio nocturno antes de regressar a casa.
Já nesta última fase, constato que chove. E, ainda que fosse um bom pedaço, não me apeteceu tirar o mini-guarda-chuva do saco. Até porque andar à chuva, se for de vontade, pode mesmo ser divertido.
Foi assim que fui parar às arcadas do teatro D. Maria, um dos nobres da cidade, bem no seu centro. Encostado à parede, por via das pingas, partilhei o espaço com a esplanada que ainda funcionava e com dois “sem abrigo”, como hoje se diz em “politicamente correcta” linguagem.
Estes já se estavam a enroscar nas suas caixas de cartão e cobertas frágeis, procurando que cada centímetro dos vãos de porta que ocupavam servissem de tecto e de parede, num recato de uma intimidade inexistente.
Fiquei por ali, de pé, fumando um cigarro e tentando ganhar coragem para o ultimo troço a pé e por entre os grosso pingos de água. Até que chegaram mais em busca de abrigo temporário.
Jovens, bem-dispostos, maltrapilhos mais por atitude social que por necessidade, iam partilhando duas garrafas de litro de cerveja e um pão de quilo. Três rapazes e uma rapariga.
Na exiguidade do espaço quase protegido da chuva, um deles abeirou-se mais de mim e ofereceu-me do pão que segurava. E perante o meu sorridente “Não, obrigado, já jantei”, deu um passo ao lado e debruçou-se sobre a mulher idosa que ali jazia, indiferente à nossa presença. Recebeu resposta alguma, tal como do homem que, na soleira do lado, repartia os cartões grandes e velhos com o cão que tinha por companhia.
Ainda não tinha acabado o seu périplo pelos que não consumiam na esplanada, já um dos outros se adiantava e repetia os gestos, desta feita com a garrafa de cerveja. Com as mesmas respostas.
O que me agradou de facto foi a partilha daqueles quatro. Que de partilha se tratou, que aquilo era o seu jantar: pão e cerveja. E em nada me senti incomodado por ter sido objecto da oferta, ao contrário dos que bebericavam os seus cafés e aguardente nas cadeiras de metal. Em boa verdade, o meu aspecto normal, desta feita acrescido da água que escorria da barba, boné e cabelo, pode enganar qualquer incauto.
Que esta generosidade genuína, esta partilha do pouco que se tem, vinda de gente com pouco mais de vinte anos, faz-me acreditar que ainda não estamos perdidos para todo o sempre.

Por vezes, vale a pena viver a rotina comum do cidadão banal (se é que ele existe). As surpresas – boas e más – estão sempre lá para a quebrar!

Como se deve imaginar, não poderia fotografar os intervenientes, ou mesmo o local, que por lá ficaram quando abalei.
Em alternativa, fica aqui uma imagem da estação do Rossio, ali logo ao lado, feita instantes depois com a minha câmara-que-tambem-faz-chamadas-telefónicas e que trago sempre pendurada do cinto.



Texto e imagem: by me

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Dúvidas do pacote


Um destes dias, estava eu pacatamente à espera do comboio, na estação lá do meu bairro, e dou com isto:
Um pacote de elite jogado fora, partilhando o espaço sobre o cascalho da via com pedaços de jornais velhos, pontas de cigarro, lenços de papel e toda uma miríade de objectos que, porque velhos e inúteis, são arremessados para linha sem escrúpulos ou civismo.
Esta situação aguçou o meu espírito crítico. Que, juntamente com os dizeres “venda proibida”, bem podiam ter acrescentado que o lixo é nos contentores e que, em tratando-se de embalagens, até há alguns específicos para isso. E, se o leite, ainda que comprado fora do país, pese embora a produção nacional estar a ser forçadamente reduzida, é para dar apoio às crianças em idade escolar e com falta de recursos, bem que podiam aproveitar a ocasião em ensinar-lhes mais esta.
E, pensando nestes termos, mais coisa, menos coisa, tratei de fotografar o que via. Fiz várias imagens com abordagens diferentes já que, em redor do pacote, existiam outros detritos e embalagens. Entre elas uma caixa de “Donetes”, vazia como se pode imaginar.
Passou o tempo e ontem, antes de sair de casa, constatei que não tinha nenhum tema pronto para colocar on-line. Nem fotografia tratada nem texto escrito. E, dando uma olha nas fotografias ainda constantes no cartão da câmara, dei com esta e com as demais.
Em três penadas, passei-a de quase quadrada para assumidamente rectangular, como gosto, e ajeitei o contraste as cores. Deixei o texto para escrever no comboio, o que costumo fazer, e guardei a imagem em memória portátil.
Qual não foi o meu espanto, numa pausa do trabalho, ao constatar que já lá constava outra imagem já trabalhada do mesmo assunto. Teria eu, no dia da tomada de vista, feito o trabalho e a guardado para mais tarde.
Mas o que me deixou mesmo boquiaberto foi o facto de então, tal como ontem, ter optado pela mesma fotografia. E então, tal como ontem, ter feito o mesmo tipo de reenquadramento e restantes ajustes de imagem. A ponto de ser necessária uma observação atenta para encontrar as diferenças entre elas.
Com intervalo de duas semanas encontrei exactamente as mesmas soluções técnicas e estéticas para tratar uma fotografia.

Não sei se, perante tal, devo ficar satisfeito se receoso.
Satisfeito por constatar que tenho opiniões sólidas sobre composição e fotografia. E não grandes hesitações em como a abordar.
Receoso por constatar que, em duas semanas pouco aprendi de diferente sobre tal e repeti os raciocínios já tidos.
São, talvez, este tipo de dúvidas que me fazem ficar acordado para a vida e a criatividade.



Texto e imagem: by me

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Juramento


Garantidamente, eu não poderia ser eleito presidente do Estados Unidos da América.

Entenda-se que este impedimento não se prende com o facto de eu não ser cidadão Norte-Americano. De acordo com as suas leis, em migrando para lá e assumindo a cidadania, poderia concorrer como qualquer outro. Em teoria, pelo menos.
Igualmente em nada se relaciona com o eu não gostar do American Way of Life”. Aquele estilo de vida em que a solidariedade não faz parte dos princípios activos dos cidadãos ou das regras comunitárias não, de todo, o estilo com o qual me identifico. E seria incapaz de presidir aos destinos de quem assim pensa e age.
Também não tem o que quer que seja a ver com a história recente ou não tanto deste país, com o seu hábito de se meter na vida dos restantes países, tanto por influências políticas como económicas como bélicas. A forma de agir dos norte-americanos acaba por ser, como tem sido demonstrado, aquela máxima que várias nações têm praticado: “Quem não é por mim é contra mim!”

A minha impossibilidade de ser eleito ali prende-se mais com o eu nunca, mas por nunca ser, poder jurar sobre um livro de religião que iria fazer o que quer que fosse. E não importa que livro fosse, da Bíblia, à Tora, passado pelo Corão ou qualquer outro equivalente.
É que jurar sobre um livro sagrado e terminar o juramento com a frase “Assim deus me ajude” implica ser crente nesse mesmo deus, cujo livro seria testemunha da afirmação.
Ora como pode um ateu, em consciência, fazer um juramento baseando-se numa fé que não possui? Ou estaria a ser desonesto, o que não seria por certo um bom início de carreira, ou tratar-se-ia de um milagre de conversão instantânea, que, admitamos, poderia ser conveniente mas que seria raro de acontecer.
Pergunto-me, igualmente, que livro poriam sob a mão do eleito, se este fosse Islâmico ou Judeu. Presumindo que venceria qualquer eleição por aqueles lados alguém que negasse ser cristão.
É, dificilmente eu seria presidente desse país. A menos que sob a mão colocassem a lista telefónica. Aí sim, faria sentido. Um juramento feito em nome de todos os cidadãos, independentemente das fés professadas pelo jurado e pelos eleitores.




Texto e imagem: by me

Zeitgeist


Já estava farto de ouvir “Tens que…”, “Não podes deixar de…”, Já…?”!
Vai daí, aproveitei o facto de estar de folga e estar um dia feio lá fora e encostei-me para o ver.
“Zeitgeist”!
É um filme, melhor dizendo, dois filmes que, não andando na boca do mundo, andam a ser comentados em surdina, quase que a medo. Um certo entusiasmo em torno do seu conteúdo, quase que como uma nova profecia, mas como medos de se confessarem adeptos.
E eu, que sou um péssimo consumidor de acordo com os padrões da sociedade de consumo em que vivemos, andei sempre arredado de o ver, que quanto mais publicidade um artigo tiver, mais eu fujo dele. Manias de ser do contra. Mas desta vez acedi, um pouco mais com curiosidade de saber o anda a fazer tremer alguns dos meus concidadãos que deixar-me ir na onda de uma moda recém-criada.
Quase duas horas cada um o que, em tratando—se de documentários, atesta de alguma qualidade, o ter-me prendido tanto tempo sem arredar pé. E fui ficando curioso com o facto de ali mesmo ir vendo ou revendo boa parte das minhas teorias sobre o mundo actual. De uma forma ou de outra, boa parte do que ali é dito concorda com o que penso.
Este aspecto poderia levar-me a engalanar em arco os filmes, divulgando-os e anunciando-os como uma “boa nova”. Mas não o faço, talvez mesmo pelo contrário! Com as devidas distancias, entendo-o tão perigoso quanto as ideias e conceitos que ele mesmo condena.
É que criar uma teoria até que nem é difícil. E apresenta-la ao público, satisfazendo os seus anseios e exorcisando os seus receios é exactamente aquilo que a primeira parte do primeiro filme condena: a religião. Que, no fundo, mais não é que a explicação daquilo que a ciência e o racional ainda não conseguiram explicar, dando solução àquilo que se teme e receia: a morte e o existirmos a termo certo.
Acrescente-se que este filme pouco mais é que uma sequencia de rumores, aparentemente validados por depoimentos e documentos de gente que desconhecemos ou, pior ainda, afirmações tomadas como dogmas.
E, numa época em que a sociedade de consumo impera, em que as confissões religiosas estão, aparentemente, na origem de inúmeros conflitos, em que os media nos enchem de informações que sabemos não serem completas nem fidedignas, dizer que estes são os males que nos atormentam é “chover no molhado”!
Claro está que, do ponto de vista cinematográfico, está bem feito, com uma imagem apelativa e bem integrada no contexto, com os picos de interesse e os momentos de pausa bem distribuídos e uma banda sonora que, por minimalista, se torna mais que eficaz.

Mas, a meio do segundo filme, recordei-me de uma outra vivência tida, faz anos.
Vim a saber que um companheiro de trabalho se tinha convertido ao islamismo. Curioso que sou sobre estes assuntos, pedi-lhe que me cedesse algum livro que me explicasse os seus credos, o que ele fez. Tratava-se de uma obra sobre o papel da mulher no Islão. Interessante, pensei.
Mas vim a descobrir, em lendo-o, que os primeiros três quartos da obra se dedicavam a afirmar em como as restantes confissões religiosas maltratavam a mulher. E só mesmo o fim vinha em defesa dos seus próprios conceitos e abordagens. Com as que não consegui concordar, diga-se de passagem.
Mas conceber uma obra que, para elogiar algo, começa por destruir tudo o resto em redor não é, do meu ponto de vista, uma boa forma de argumentação. É dizer, em poucas palavras, “Nós somos bons porque os restantes são maus!”. Ou, se se preferir, a primeira abordagem é destrutiva. E, convenhamos, de destruição estamos nós fartos.

Este filme faz algo de semelhante: apresenta uma visão quase que apocalíptica da sociedade actual, usando de estratégias mais que batidas, como seja apresentar um inimigo ou adversário mas não lhe dar um nome ou cara mas tão só uma sombra ou esboço. E nestas definições, muitos cabem. E recordem-se das estratégias Estalinistas ou Hitlerianas e ver-se-á as semelhanças: regimes de medo com líderes ou conceitos por salvação!
Indo mais longe, mas com o mesmo tipo de estratégia, pega em factos palpáveis do quotidiano e, em torno deles, tece um conjunto de teorias com base em afirmações vagas e testemunhos não confirmáveis.
Para usar uma expressão em voga nos nossos tempos, trata-se de uma “teoria da conspiração”.
E o seu perigo, se o tiver, é em estar muito bem feita. Foi fácil levar um céptico como eu na conversa. Devagarinho, de inicio, foi destruindo as minhas defesas, entranhando-se em profundidade. E, não fora o final do segundo, mal amanhado e tosco no que a conceitos concerne, e quase me teria convencido.
E esse perigo a que me refiro não está nos conceitos de males da sociedade que por lá constam. Na sua essência, concordo com tudo. O perigo está em que, das mais de meia centena de referências e incentivos que recebi para o ver, a esmagadora maioria referia-se a ele em tom baixo, conspirativo, a medo. Quase que com receio que se soubesse que o estavam a recomendar. E, pior ainda, com medo do que ele anuncia, do apocalipse quase inevitável, a menos que se siga a linha no final preconizada. Linha esta mal-amanhada e em tom quase profético. E que, de um jeito ou outro me fez lembrar as diversas campanhas eleitorais das diversas formações políticas que conhecemos por cá e não só.
Mas o medo a roçar o pânico que vi em cidadãos mais ou menos comuns, razoavelmente instruídos e informados assustou-me. Que o terror não se cria só por via de bombas e estropiados. Nem só com policias políticas ou de pensamento. Que a forma mais fácil de levar uma sociedade para um dado rumo é nela criar medos de algo e apresentar soluções mágicas ou salvadoras. O que acaba por ser o que este filme “Zeitgeist” faz.

Apesar de lhe reconhecer qualidades cinematográficas e de lhe ter que dar razão nos males que aponta, a solução para isso mesmo não é, pela certa, messiânica, em que se segue a linha salvadora ou se está condenado para todo o sempre (neste filme fala-se a curto prazo).
Passa, antes sim, por reconhecer o que de errado acontece e intervir a cada momento no nosso círculo de influência. Abandonar a posição confortável e conformista em que “É cada um por si que não posso mudar o mundo”, e assumir que o mundo de cada um pode ser mudado, assim tenhamos a coragem de o fazer e assumir as consequências de agir.

Há quem espere pela chegada do Messias, quem fale em paraísos, com ou sem virgens à nossa espera, quem defenda as reencarnações ou ainda quem espere a chegada dos extra-terrestres, qual brigada de limpeza.
Mas quantos são os que arregaçam as mangas e fazem algo, hoje, no prédio, no bairro, no país?

Em jeito de conclusão, sempre acrescento que é fácil fazer propaganda e manipular opiniões. Ou não tivesse eu o ofício que tenho!



Texto e imagem: by me

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Photographia e acto photográphico


Eis-me a fotografar e a fotografia resultante. Ou, vistas as coisas por uma ordem natural de leitura, eis uma fotografia e o acto de fotografar.
Pese embora o resultado deste jogo fotógrafo/câmara/fotografado seja algo de agradável de ver, que os “olhos da lua” (a private joke) até que são bonitos, o que se vê na imagem de baixo é uma agressão!
Ter uma coisa daquelas, comprida que nem um cano de arma, apontada para nós, sem que saibamos muito bem o que vai resultar, sem saber o que quem está do outro lado está a ver de nós e como o está a ver, acrescido desta proximidade, é uma agressão!
A fotografia, hoje banalizada visto que não há cão nem gato que não possua uma forma de a fazer, é uma forma de intrusão, de agressão. E a banalização do acto de fotografar torna-nos a todos permissivos. Em fotografar ou ser fotografado. Quer se trate de uma fotografia assumida e descarada como esta, ou qualquer outra, tantas vezes feita na discrição de uma teleobjectiva potente ou de uma câmara minúscula e dissimulada. Para já não falar em todas as câmaras de vigilância que, pela força do hábito, já nem vemos. Mas que nos fotografam, videografam, registam e arquivam o que somos ou aparentamos ser, com ou sem que tenhamos consciência disso.
Uma intrusão na vida de cada um!
Por mim, tenho um hábito do qual, até hoje, não advieram dissabores, bem pelo contrário: raramente fotografo alguém sem ter algum tipo de permissão para tal. Tão explícita quanto neste caso ou, em alternativa, com um olhar cúmplice prévio e um gesto demonstrativo do acto. A expressão de quem a tal se dirige é, em regra, quanto basta para me dizer se o posso fazer ou não. Que procuro respeitar.
Enquanto fotógrafo e cidadão, sei o quão agressivo pode ser e é uma fotografia (ou vídeo ou cinema). Talvez que isso explique a generalidade dos assuntos por mim abordados. Que procuram retratar o ser Humano sem que dele use e abuse, como acontece nos tempos que correm.



Texto: by me
Imagem: by me & Krébus

Ofícios e apodos


Ao que parece, terá a líder do PSD afirmado que José Sócrates é o “coveiro da pátria”.
Esta declaração faz título de notícia de jornal, levando apodos de insulto.
Mas contesto que seja um insulto. Diria mesmo que será um elogio. Senão vejamos:
A profissão de coveiro é uma actividade digna, como qualquer outra. Mais ainda, é mal paga e dela todos fogem, que cuidar de cadáveres não é do que há de mais agradável.
Acrescente-se que este ofício se exerce faça sol ou chuva e implica aturado esforço físico, que cavar buracos de uns dois metros de profundidade não é pêra doce, mais ainda se o solo estiver rijo e seco. Ou se a chuva for abundante e houver lama por todo o lado. Para já não falar no peso do esquife, que entre o corpo, as madeiras e as ferragens, ultrapassa, de longe, a centena de quilos.
É, assim, uma profissão útil à sociedade. E alguém a terá que exercer.
Teria sido um insulto, antes sim, se a essa pessoa tivesse o chamado de assassino ou matador. Estes transformam coisa viva em coisa morta, aquela coisa que os coveiros tratam no seu mister. E ninguém tem simpatias por um assassino ou matador.
Dizer que a pessoa que agora exerce o cargo de Primeiro-Ministro é o “coveiro da pátria” é dizer que esta está morta em definitivo e que há que fazer aquele trabalho de que ninguém gosta: enterrar o defunto.

A questão que ponho, com toda a honestidade, é saber quem matou a pátria, que agora estará a ser sepultada.



Texto e imagem: by me

domingo, 18 de janeiro de 2009

Questões ardentes


Há objectos que nos proporcionam satisfação e prazer.
Satisfação pela obtenção dos resultados que o seu uso prevê: O chegar ao fim da viagem de automóvel, o escrever de um texto, o confeccionar uma refeição.
Mas o prazer advém do manuseio do utensílio em causa: a condução daquele carro, o sentir a aderência da caneta na mão e o seu suave deslizar no papel, a ergonomia do trem de cozinha e a facilidade com que se agarra ou transporta.
E estes objectos que nos dão prazer são cuidados e tratados, senão como preciosidades, pelo menos com as atenções que a sua conservação e bom estado de funcionamento implicam.
Por mim, um desses objectos é um isqueiro. Ou, se preferirem, um acendedor. De marca Zippo, passe-se a publicidade, sou um dos responsáveis da sua existência à venda em Portugal, que na época em que tal fizemos, só os conseguíamos ter se vindos dos EUA ou da base das Lajes.
Para além de cumprir com eficácia o que espero dele – acender, seja em que circunstancias for, um cigarro do meu vício – gosto de o sentir na mão, da facilidade com que funciona, do seu aspecto e tacto. Além disso, serve-me como base para bater os cigarros enquanto espero chegar o momento de o poder acender. Para já não falar no ruído característico, no cheiro inconfundível, variável de marca de gasolina para marca de gasolina. Tenho para mim que o mais agradável é a da Zippo, mas há quem divirja em gostos odoríferos.
Tenho vários, não muitos. Cada um tem a sua história própria e, para se criar a empatia com eles, há que os usar e re-usar, até que a mão saiba de cor cada fresta e reentrância, bem com a força e o jeito que ele exige. Hábitos!
Gasolina de quando em vez, pedra mais raro ainda, a torcida dura uns bons dois a três anos sem se queixar ou deixar de queimar. Mas há que ir cuidando disso.

Um destes dias acabou-se a pedra. Supunha ter uma embalagem de reserva no saco e não tinha. Acreditava ter uma outra de reserva em casa e lá estava: vazia! Havia, assim, que recorrer a um dos isqueiros de gás, descartável como muito dos tempos que correm, até encontrar onde se vendessem. E calhou ser num quiosque, ali junto da estação de caminho-de-ferro.
Foi-me dito que não havia da marca que queria, mas antes de uma outra, igualmente conceituada. Perante a minha hesitação (Zippo é Zippo, digam lá o que disserem), diz-me a vendedora, senhora dos seus trintas e tais:
“Pode levar à-vontade que são boas! É destas que o meu marido usa!”
Com isto, fiquei a saber sem ter perguntado:
a) que a senhora será casada;
b) que o marido fuma;
c) que o marido usa isqueiros recarregáveis.
E, para além disso, fiquei a saber também porque é que ele, o marido, usa isqueiro, talvez mais amiúde do que seria de esperar: É que a senhora, coitada, não era de forma alguma uma “brasa”!

Nota extra: as pedras de isqueiro que a senhora me recomendou funcionam como se espera que façam. Mas assim que encontrar da minha marca preferida, compro-as. Com outra marca, sinto-o como que meio corrompido. Manias minhas!


Texto e imagem: by me

sábado, 17 de janeiro de 2009

Indicadores


Muitos e variados são os indicadores de qualidade de vida. Ou dos efeitos da crise que todos dizem que anda por aí.
Por mim, tenho os meus próprios indicadores. Que não passam por taxas de juro nem comunicados de directores de bancos.
Tem aumentado assustadoramente a quantidade de gente que, tendo um aspecto normal no que toca a vestuário, pedem cigarros a desconhecidos. Nas estações de caminho-de-ferro, nas paragens de autocarro, na rua a troco de nenhum motivo. Só não acontece nos cafés porque aí não se pode fumar.
Como se diria em tempos de antanho, “não está a dar nem para o tabaco”, apesar do que dele se diz!


Texto e imagem: by me

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Moedas


Não nos enganemos! Homem que é homem joga às moedas!
Aquele punho fechado, no extremo do antebraço semierguido, qual falo tímido, e ocultando as moedas em jogo, é uma afirmação de virilidade indubitável.
Este jogo, aparentemente infantil, tem diversos significados. Entre eles, destaca-se o ritual iniciático, já que só homens feitos o jogam e têm que pertencer à irmandade ou ao grupo social em causa. Ninguém, mas ninguém mesmo, joga às moedas com um desconhecido!
Mas o uso mais habitual é a solução da terrível disputa sobre quem paga e quem bebe à borla a bica e bagaço ou a caneca da ordem.
À primeira vezada identifica-se a vítima pagante. Depois, um por um os homens vão ficando de parte até ao confronto final, onde se verá qual daqueles dois últimos é o verdadeiro macho!

Existem diversas abordagens neste jogo complexo: Os olhares ameaçadores, inquiridores ou antecipadores do paladar de uma bebida com “sabor a penas”.
As estratégias variam, desde o bluf mais simples às “bocas por fora”, passando pela aparente irregularidade na quantidade de moedas levadas a jogo e à exibição antecipada das moedas, numa afirmação explícita de “Não tenho medo de ti nem de ninguém!”
Termina esta terrível contenda com gargalhadas, palmadas nas costas e copos despejados de um trago. Comportamentos tipicamente machos, portanto.

Não querendo ser arrastado na lama e ficar com a eterna fama de “mariquinhas”, alinho neste jogo quando surge.
A minha estratégia talvez seja subversiva ou dissimulada, mas é eficaz em 60 a 70% dos casos.
Ao apresentar a mão fechada com as moedas de zero a três, concentro-me na outra mão, onde tenho as remanescentes.
A sua quantidade, o espaço que ocupam na mão, tento mesmo saber qual a cara e qual a coroa de cada uma. Esvazio a minha mente de qualquer outro assunto que não seja o que está na minha mão esquerda, discretamente colocada nas costas ou enfiada no bolso das calças.
As mais das vezes, desde que os adversários não sejam mais que dois, consigo que façam as suas contas e palpites considerando as que estão nesta mão esquerda e não na direita, que é a que está em jogo.
Adivinhem quem costuma tomar o café à borla!

Não acredita que funcione? Vamos ver então!
Pronto? Sou o primeiro a pedir! Três moedas!...


Texto e imagem: by me

Águas passadas


No site do Instituto de Meteorologia pode ler-se, com link de chamada na página de entrada, o “Balanço climatológico preliminar do ano 2008”.
Porque é pequeno, transcrevo-o na integra:

No ano de 2008, em Portugal Continental, a média das temperaturas média, máxima e mínima do ar foi inferior ao valor médio de 1971-2000. Durante o ano apenas nos meses de Janeiro, Fevereiro, Abril e Junho os valores da temperatura média foram superiores aos respectivos valores normais, nos restantes meses foi inferior. Referência para as anomalias positivas da temperatura máxima e mínima nos meses de Janeiro e Fevereiro e para a anomalia negativa da temperatura mínima no mês de Novembro.
Os valores da quantidade precipitação foram inferiores ao valor da normal 1971-2000 classificando-se como um ano muito seco a seco. Apenas nos meses de Abril e Maio os valores de precipitação foram superiores aos valores médios; nos restantes meses foram inferiores em particular em Outubro, Novembro e Dezembro. O ano de 2008 registou o 8º valor mais baixo do total de precipitação anual desde 1931 (2005 é o ano mais seco).
O ano termina em situação de seca, em 31 de Dezembro de 2008, o índice de seca apresenta: seca fraca 68% do território, seca moderada 31% e seca severa 1%.

Surpreendidos? Espero que não muito, já que o que ele nos conta fomos nós constatando ao longo do ano: choveu pouco!
Mas teremos algum motivo para estar surpreendidos: Os media de nada falaram, em nada o citaram, dele não fizeram reportagem, referencia ou o que quer que fosse.
Indo mais longe, um jornalista influente, sabendo do seu conteúdo, quis ir trabalha-lo. Mas em constatando que tinha já mais de uma semana de publicado, entendeu que era coisa velha e desinteressou-se.
Mas será que o que lá consta não é importante, seja qual for a sua idade? O facto de se referir que o país se encontra em situação de seca (fraca, moderada e severa) não é relevante?
É que, entre outros aspectos, se pode ver (e vir a ser confirmado pelo balanço definitivo a publicar) que as barragens se encontram com níveis bem mais baixos que o habitual nesta época do ano. E as nascentes que, em terras serranas ou não, corriam abundante e livremente, estão agora tímidas e bem mais difíceis de encontrar. O que é sintomático da quantidade de água que se encontra no subsolo. Aquela mesma água que usamos nas torneiras para beber e cozinhar. Aquela mesma água que faz falta para que os vegetais cresçam e, deles, os animais se alimentem. Nós nos alimentemos! Aquela mesma água que faz falta em toda a cadeia alimentar!
Um assunto destes, com uma semana de existência, é velho. As suas repercussões serão constatadas bem lá mais para o verão. Quando for público e notório que as colheitas não foram tão abundantes quanto se desejava e os preços o mostrarem. Quando o coberto vegetal natural não for suficientemente verde para suster os incêndios estivais. Quando, pela falta desse mesmo coberto natural, o que existir for levado pelo fogo e a terra fértil da superfície arrastada por ventos e eventuais enxurradas para os leitos dos rios, deixando por menos boa aquela que já foi cultivável.

Nessa altura, e por falta de outros motivos, virão a lume noticioso estas e outras questões. Reportadas por jornalistas, mostradas por imagens, comentadas por especialistas. E se dirá que o planeta está a aquecer, pôr-se-ão as culpas nos gases de efeito de estufa e se recomendará que se economize a água nas torneiras e regas.
A mesma água que, faltando então, escasseia já por termos tido um ano de seca. E sobre o que se fecharam os olhos jornalísticos porque, com uma semana de vida, o balanço já é coisa velha!


Texto e imagem: by me

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Número!


Possuo um número de identidade nacional;
Tenho um número de identificação fiscal;
Estou registado com um número de segurança social;
Estou lançado nos cadernos eleitorais com um número de eleitor;
Tenho uma conta bancária com um número;
Para esta existe um número interbancário;
Uso um cartão Multibanco com um número;
Na empresa onde trabalho tenho um número de funcionário;
Estou associado a um sindicato, onde possuo um número;
O meu telemóvel tem um número;
Tenho um número de telefone fixo;
Moro numa porta com um número;

……………..

Não sou mais um número na sociedade! Sou muitos números!
Em tudo o que faço, em tudo o que sou, a cada passo que dou, há um número que me identifica, no meio de entre muitos outros.

Mas ainda ninguém me atribuiu um número de afectos, não sei qual o número da minha felicidade, qual a quantificação da minha alma!
Sorte a minha!


Texto e imagem: by me

Prazeres de impulso


“E se, de repente, alguém lhe oferecer flores, isso é Impulse!”
Recordam-se desta frase publicitária? Pois hoje reescrevi-a ou, se preferirem, recriei-a!
Nada de flores que, ainda que contendo uma carga romântica, não passam de cadáveres. E oferecer cadáveres, por bonitos e aromáticos que possam ser, não me parece que seja do que haja de mais bonito ou simpático.
Também não se tratou de um impulso romântico, ainda que a quem se destinou a oferta repentina se tratasse de uma mocinha. Ou senhora, não o sei ao certo.
Mas eu conto:

No comércio aqui do bairro e que frequento não sou pessoa desconhecida. Não apenas pelo aspecto - invulgar, eu sei – mas também por algumas saídas ou atitudes não muito comuns. Sobre plásticos e a questão da reutilização ou reciclagem e sobre possuir ou não cartão de cliente. Esta última tem deixado muitas funcionárias de caixa embasbacadas. Que todo o mundo procura como obter descontos, enquanto eu recuso pertencer a mais uma base de dados. E vou-o argumentando, meio a brincar, meio a sério.
Hoje, no supermercado, ouvi a pergunta do costume, automática e obrigatória que é: “Tem cartão tal?” E, perante a minha contra pergunta se seria obrigatório e a natural resposta que não, acrescento que não quero ser mais um nas bases de dados que, num futuro talvez não tão distante, me imponham este ou aquele tipo de consumo.
Qual a minha surpresa, e sorriso já agora, quando quem ía registando as minhas compras me disse também com um sorriso que se recordava de eu já lho ter dito. Enquanto se faziam pagamentos e trocos, perguntei-lhe como complemento se conhecia a obra “1984” de Georges Orwell.
Perante a negação sugeri-lhe que a lesse, à venda em qualquer livraria de mediana qualidade. E a resposta deixou-me triste. “Procuro na Internet, que não tenho muito paciência para ler.”
Ainda lhe perguntei se gostava de ver filmes, pensando eu em piratear a versão que aqui tenho (legalíssima, diga-se de passagem, que é filme que assim quero, todo por inteiro). Em resposta oiço que também não havia paciência para estar sentada, quieta, a ver um filme.
Ainda lhe disse que não acreditava que encontrasse uma versão escrita em português na web, mas que talvez, com sorte, em inglês.
E a conversa ficou por aqui, que as compras estavam feitas e pagas e havia mais clientes na fila. Mas não sem que, antes e num velho bilhete de autocarro, lhe tivesse pedido o seu e-mail.

Enquanto caminhava em direcção a casa, o plano foi-se concretizando! Em lá chegando, meti mãos à obra!
Como suspeitava, não encontrei nenhuma versão portuguesa na web. Mas acabei por dar com o DVD, algures numa prateleira entre muitos. Que o meu PC me disse levar umas boas duas horas a trata-lo convenientemente. Mas o impulso não tinha ficado por aqui. Nem o plano.
Nova pesquisa na web e dei com o número de telefone da livraria local, E, sim senhor, tinham o pretendido e que mo guardariam. Lá fui e, meia hora depois, regressava com a obra, impressa em português, para ser lida e degustada. E estava de novo na fila da mesma caixa, com uma garrafa de vinho na mão. É sempre algo que vale a pena comprar, mesmo que não seja de consumo imediato ou a prazo previsível. Nunca dura muito.
Não aceitou o livro, que as caixas dos supermercados não podem aceitar presentes ou equivalentes enquanto no posto de trabalho, mas lá o fui deixar na recepção em seu nome.
Espero que tenha a curiosidade de o ler e a coragem de o levar até ao fim. Tal como espero que não entenda este impulso como uma “estratégia de engate”.

Mas este prazer de dar um livro, o livro certo, a uma quase estranha que nem sei se tornarei a ver (os empregos como caixa de supermercado são o que se sabe)… Bem, é um prazer novo e delicioso.
Mas também fico à espera de ter novos e verdadeiros impulsos semelhantes. Que isto da cultura não se vende nem se compra: partilha-se e usufrui-se. Tanto mais se houver uma mensagem inclusa para além da estética implícita e explícita na obra.
Recomenda-se o acto! Que é bem melhor que um cadáver!


Texto: by me
Imagem: frame do inicio do filme citado

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Tempo rigoroso - 4


Hoje perdi uma hora!
Não se foi ao sair da cama, se ao ler as notícias na net ou a tomar café com bolo do outro lado da rua.
A verdade é que, quando dei por mim, tinha perdido uma hora.
Bem que a procurei por entre as cobertas da cama, no fundo da chávena na cozinha e até no ralo da banheira.
Mas não encontrei a hora perdida!

Não é que seja muito importante. Atrás de uma vem outra hora, e outra ainda e ainda mais outra, e todos os dias têm muitas horas para usar. O que é frequente é desperdiçar horas em coisas inúteis, ou fúteis ou forçadas.

Mas, se por acaso virem por aí uma hora sem dono e sem uso, avisem-me que a vou buscar.
É que, sabem, gosto de cada hora do dia que vivo. Mesmo das menos boas!


Texto e imagem: by me

Não em meu nome! - Not in my name!


Esta é uma fotografia do quarteto magnífico que se reuniu nos Açores para assumir publicamente a decisão de invadir o Iraque.
Da esquerda para a direita, para quem não os conhecer, são: Durão Barroso, Tony Blair, George W. Bush e José Aznar. À época, eram os responsáveis políticos máximos dos respectivos países.
A invasão do Iraque aconteceu pouco depois (e ainda dura), apesar dos argumentos apresentados para essa intervenção bélica se terem provado mais que falsos. Falseados por conveniências de vária ordem, nem todas ainda completamente esclarecidas.
O que já está perfeitamente esclarecido, mas ainda não terminado, é a quantidade de mortos civis nessa guerra injustificada: cifram-se em números de seis algarismos, ainda que as autoridades militares lhes chamassem – e chamam - “efeitos colaterais”!
Destes quatro magníficos, a vida política seguiu o seu rumo. Aznar foi afastado da ribalta, tal como Blair, algum tempo depois. Barroso trocou a governação do seu país, para que tinha sido mandatado pelo parlamento, pela governação da Europa. Bush, está a dias de ser substituído.
Nenhum dos quatro mostrou algum tipo de arrependimento pela decisão publicitada por esta altura e que já fez jorrar mais sangue que tinta que alguma vez correrá sobre eles. Nem os respectivos povos, Portugal incluído, apresentou algum tipo de pesar por essas mortes.
Mas a vida segue e a memória é curta. Pelos menos as dos que não viram morrer ou sangrar os seus parentes e amigos. Tal como daqueles que não esquecerão, passados que forem algumas dezenas de anos, que o museu de História de Bagdad foi saqueado e que as instalações militares dos invasores (que ainda por lá continuam) destruíram vestígios únicos da civilização.
E, com o passar dos tempos, os nomes destes quatro magníficos ir-se-iam desvanecendo, substituídos por outros que os mesmos ou outros interesses fizessem ascender ao proscénio da farsa a que chamamos mundo político.
A não ser uma pequena coisinha de nada, publicada hoje num jornal português, suponho que fazendo eco de murmúrios e atirar esterco à parede a que se dá o nome de interesses internacionais.
Refere o DN que, na sequência de um para breve novo referendo na Irlanda sobre o Tratado de Lisboa (como diz um companheiro: “Isto é uma democracia mas têm que votar onde eu mando!”) se irá criar a figura de um presidente permanente da União Europeia. E imagine-se qual o nome que anda nas bocas do submundo político: Tony Blair.
Exactamente aquele que primeiro apoiou Bush nesta guerra injustificada (haverá alguma que o seja?), baseada em argumentos falsos.
Não bastava este senhor ter estado à frente de um país que defende que “Europa sim, mas não tanto” (Shengen, Euro, etc.). Não bastava ter estado à frente de um país cuja posição internacional pouco mais é que um “Yes master” em relação aos EUA. Não bastava ser um dos rostos de uma declaração de guerra e invasão de um país soberano. Querem coloca-lo à frente de toda a União Europeia!
Consigo imaginar os sentimentos de quem viu e vê os seus parentes morrerem ou serem estropiados, as suas casas e bens serem destruídos, ao saberem o senhor Tony Blair a chefiar a Europa. Não creio que esses sentimentos, bem como os dos que lhes são vizinhos em espaço ou conceitos, sejam de molde a apaziguar ânimos e fazerem substituir o som das balas e mísseis por fábricas e risos.
Não em meu nome! Nem este senhor nem nenhum outro que tenha na sua consciência, se a tiver, sangue de inocentes a escorrer!
Não em meu nome!




Texto: by me
Imagem: algures na Web

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Vejam bem!


Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra

Quando um homem
Se põe
A pensar

Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento
Na areia

Dorme à noite
Ao relento
Do mar

E se houver
Uma praça
De gente
Madura

E uma estátua
De febre
A arder

Anda alguém
Pela noite
De breu
À procura

E não há
Quem lhe queira
Valer

Vejam bem
Daquele homem
A fraca
Figura

Desbravando
Os caminhos
Do pão

E se houver
Uma praça
De gente
Madura
Ninguém vai
Levantá-lo
Do chão



Letra, música e voz: "Vejam Bem" by José Afonso
Imagem: by me

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tempo rigoroso - 3


Domingo, perto da uma da tarde.
Fazia frio, dissessem o que dissessem os meteorologistas. Apesar de terem previsto a aproximação de uma massa de ar polar, com os consequentes ventos, ares marítimos e húmidos, não veio, e fazia frio. Seco e frio.
E, mesmo que a pele não desse por isso, por sob as camadas de roupas preventivas, mesmo que os indicadores de temperatura não mostrassem números de um só digito e, mesmo esses, de valor absoluto desconfortavelmente baixos, bastaria vir até à rua para se ter certezas: fazia frio.
A esta hora, apesar de um céu desconfortavelmente azul, as ruas primavam pela ausência de vida! Dos cães, nem o som, dos pássaros nem a sombra. E, das pessoas, só um raro transeunte, tiritando em passo rápido.
O café da rua, a essa hora habitualmente meio cheio de gente em busca do pão para o almoço, que ao domingo se vai até mais tarde, mostrava mesas e balcão desconsoladamente vazios, que o ameno do interior era um fraco paliativo para o que se esperava no exterior. A menos que…
A menos que se tivesse o desassombro de parar a olhar o que cercava. Constatar o estranho silêncio suburbano, a quietude das folhas nos galhos e das roupas nas cordas. E, sobretudo, sentir o conforto do sol de Inverno a aquecer dermes e ossos.
E, entre uma mão-cheia de fotografias e perspectivas variadas (como se mostra o frio com um sol radioso?), foram uns quatro ou cinco cigarros, fumados com calma e prazer, de pé que a pedra da entrada gelava os fundilhos.
Com o interior forrado com a cafeína da manhã e o corpo confortado pelo solzinho simpático, regressei a casa com a alma quentinha, cheia de coisa alguma que não fosse a satisfação daqueles minutos. Que a vizinhança, por medo e frio, me deixou gozar em pleno.



Texto e imagem: by me

Assassinos em série


Landru, o famoso criminoso francês do inicio do séc. XX, era um homem pequenino, careca, longa barba, sobrancelhas muito grossas e uma assinalável falta de elegância corporal, ainda que cavalheiro no trato. Ficou conhecido por barba azul, o que diz muito sobre a sua aparência. Apesar disso, conseguiu envolver-se romanticamente com mais de trezentas damas, tendo extorquido dinheiro contado. Heranças e variados bens à maioria delas. No delicado exercício, acabou também por matar dez mulheres, um rapazinho e dois cães, entrando para a lista do mais famosos assassinos em série da história. Em consequência, o Estado cortou-lhe a cabeça em 1922.
Landru constitui um paradigma de pobres coitados, indivíduos de fraca moral e muita capacidade de iniciativa, que se empenham, quase sempre na solidão, a cumprir aquilo que todos os governos praticam desde os imemoriais tempos. Ou seja, matar gente. Apesar do esforço, os mais bem sucedidos como o colombiano Pedro Lopez, conhecido pelo monstro dos andes, fulminou cerca de trezentas pessoas, enquanto o famoso canibal Andrei Chikatilo andou pelas cinquenta. Ora basta pensar que uma única bomba em Hiroshima deu cabo de 130.000 almas de uma só vez. Em Nagazaki foram 70.000.
A contabilidade da mortandade no séc. XX é aliás bastante elucidativa. Entre guerras, genocídios, tiranias, fome e doenças causadas directamente pelos conflitos bélicos fala-se em 200 milhões. Assassínios em série tanto perpetrados por loucos ditadores, como por serenos democratas. Tanto por desvairados déspotas, como por cumpridores funcionários públicos. Praticamente ninguém escapa. Basta recordar a freira belga implicada no extermínio de Tutsis no genocídio do Ruanda, que regou mulheres e crianças com gasolina antes de lhes pegar fogo.
Mesmo pequenos e aparentemente pacíficos países como o nosso não deixaram de dar o seu contributo. Nas guerras coloniais contamos com mais de 60.000 mortos em Moçambique e entre 75.000 e 120.000 para Angola, sendo que destes números cerca de 5% são portugueses, 15% são guerrilheiros e 80% civis, o que é bastante significativo. A frugalidade da nossa tropa, pois a guerra civil angolana que se seguiu eliminou quase um milhão em menos tempo, não deveria contudo satisfazer ninguém.
Chegados aqui, qualquer pessoa de bom senso, e já agora também com um pouco de humanidade, esperaria que o séc. XXi nos trouxesse uma alteração radical neste estado de coisas. Ao contrário do que por aí se diz, está demonstrado que o recurso à guerra nunca é a derradeira solução, mas o primeiro dos problemas. Não só porque se perdem vidas e energias que deveriam ser consumidas noutras actividades mais produtivas e benéficas, mas acima de tudo porque o argumento bélico representa sempre uma regressão civilizacional. Num momento em que se pensava que iríamos ao repúdio pela violência guerreira e se tenta construir um tribunal internacional para julgar os verdadeiros e directos pelos massacres e genocídios, eis que a linguagem bélica ressurge em força na sua medonha trivialidade. Não só pela boca de loucos, tiranos e ditadores, mas também por alguns democratas eleitos pelo povo e responsáveis perante constituições e parlamentos. O mais chocante da situação actual é pois confirmar que os assassinos em série não andam só a monte, imersos nas suas paranóias perversas, mas estão também à frente de muitos dos nossos governos democráticos.


Texto: by Leonel Moura, Março 2003
Imagem: by me

sábado, 10 de janeiro de 2009

Graffiti


Imagem: by me

Graffiti: not at all, but i agree



Caution – achtung – attention - cuidado


Volta e meia faz-me sair do sério!
Temos nós uma língua tão rica, bonita, multicultural e antiga e temos que recorrer a expressões estrangeiras, usar material importado e falar outros idiomas para nos fazermos entender.
Este tipo de avisos, colocados no chão em lojas e locais onde existe água (por acidente ou em resultado de limpezas), deixa a expressão portuguesa para ultimíssimo plano! Qualquer um dos outros idiomas – inglês, alemão, francês – pelo simples facto de estarem noutra cor ou escritos na diagonal, chamam muito mais a atenção que o clássico “cuidado” luso.
Quase que poderia afirmar que quem os manda colocar assim receia mais os eventuais processos por indemnização que um qualquer forasteiro possa levantar, com mais poder argumentativo que nós mesmos, que os danos que possa causar à maioria dos clientes, por sinal, portugueses.
Se há coisas em que, com a globalização, ficámos todos a ganhar, noutras, como é o caso das vertentes culturais e linguísticas, vamos perdendo todos os dias um pedaço mais. E, se não tivermos cuidado, até à extinção total!


Texto e imagem: by me




sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Tempo rigoroso - 2


Quando, nos livros sagrados, se lê que deus criou o mundo e o homem e ao sétimo dia descansou, pela certa que não se referem, em termos temporais, a um quarto do ciclo lunar.
Igualmente, quando um qualquer serviço de atendimento telefónico nos diz, com voz maviosa, que é só um minuto, é quase certo que serão mais de sessenta segundos de espera.
O conceito de tempo e as afirmações peremptórias a seu respeito são sempre tão falíveis e inexactas quanto a natureza humana. Que tudo quer dominar mas que, no que respeita ao tempo, pouco mais pode fazer que constatar a sua existência a passagem. E nunca dominá-lo!
Assim, o responsável pela loja a que se refere este aviso pode ser considerado dos mais conscientes e honestos que conheço (e eu não o conheço, para ser verdadeiro).
Quando afixou o aviso, em princípios de Junho do ano passado, sabia que iria ser por algum tempo, não sabendo, com rigor, quanto. E foi isso que quis que o mundo soubesse.
Passados que são mais de seis meses sobre a data de afixação, continua a ser verdade: está fechado por algum tempo. E se esse algum se refere ao tempo de espera de um call center ou à criação de um qualquer universo, logo se verá.
Se estivermos por cá parra o constatar; se o prédio ainda existir; se chegar de facto a abrir.
Algum tempo até lá. Uma exactidão a toda a prova!


Texto e imagem: by me

A crise toca a todos


Este texto, lido faz dois dias nas noticias do telemóvel e repescado hoje depois de uma busca exaustiva, deixa-me a pensar.
Por um lado, não sei se o classificar como coisa boa e colocá-lo em “pedaços de que gosto”, se o devo classificar como coisa má e inseri-lo em ”o que mais gosto em televisão são os pássaros nas antenas”.
Por outro lado, consigo imaginar o que a ele se poderá seguir:
Mafiosos e corruptores a pedirem linhas de crédito, pois têm problemas de tesouraria para exercerem o seu ofício;
Traficantes de droga a solicitarem subsídios a fundo perdido que, com menos poder de compra, os toxicodependentes diminuem a satisfação do seu vício, correndo-se o risco de aumentar o desemprego por entre as fileiras dos traficantes de rua;
Políticos, no poder ou candidatos a tal, a pedirem adiamentos nos prazos de cumprimento de promessas que sabem não irem cumprir, que, com a crise na construção civil e obras públicas, circulam menos luvas e recompensas.
Como diria um jornalista ou cronista português, já falecido: “E esta, hein!”


Crise: "Reis da pornografia" querem apoio financeiro do Congresso para reanimar apetite sexual dos americanos
Los Angeles, 07 Jan (Lusa) - Dois dos reis da indústria pornografia norte-americana, incluindo o fundador da revista Hustler Larry Flynt, pediram hoje um apoio de cinco mil milhões de dólares para a indústria.
Larry Flynt, fundador da revista Hustler, juntou-se a Joe Francis, 'pai' da série de filmes "Girls Gone Wild", para escreverem ao Congresso norte-americano a pedirem um plano de resgate similar ao desejado pelas três maiores empresas da indústria automóvel dos Estados Unidos.
Segundo estes dois empresários, a justificação deste pedido está no facto de a pornografia representar um volume de negócios anual de 13 mil milhões de dólares (cerca de 9,5 mil milhões de euros) nos Estados Unidos
"O Congresso parece querer ajudar as nossas empresas mais importantes e nós acreditamos que merecemos a mesma atenção", afirmou Joe Francis, recentemente preso durante quase um ano devido a uma acusação de prostituição.
Face à actual crise económica, "as pessoas estão demasiado deprimidas para serem sexualmente activas", acrescenta Larry Flynt.
"É muito mau para a saúde do país. Os americanos podem ficar sem carros mas não sem sexo", comentou, apelando ao Congresso para "reanimar o apetite sexual dos americanos".
Para os dois empresários da indústria pornográfica, apesar da indústria não correr o risco de falir, não há razão para correr riscos.



Imagem: by me

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Tempo rigoroso


O meu bairro tem uma estação de caminho de ferro. Esta tem três linhas, um ascendente, uma descendente e uma outra, a do meio, multi-usos.
O acesso aos comboios que nela param faz-se por duas plataformas. Por cima destas, para além dos quadros sinópticos, por plataforma, dois relógios de duplo mostrador. Um total, portanto, de oito indicadores de passagem de tempo. Que nos dizem, se formos fazendo as contas, quanto tempo falta para a chegada da composição que esperamos, a seguinte. E origem de apostas, para os mais irónicos, se haverá coincidência ou não dos três pontos do espaço-tempo: a hora prevista e anunciada, a hora real e a presença do comboio parado para receber e deixar passageiros.
Mas estas apostas dependem, como tudo na vida, da relatividade dos factores considerados. No caso, da exactidão dos relógios exibidos pela CP, ou REFER se preferirem.
É que, nesta estação suburbana, cada um dos mostradores tem personalidade própria, adequada aos tempos de competitividade que vivemos. E cada um mostra um tempo diferente dos restantes sete. As variações vão de uns pouco segundos a uns espantosos minuto e meio.
Oito relógios iguais, do mesmo fabricante, recebendo a energia da mesma fonte, com indicações diferentes.
É uma demonstração prática de uma das leis de Murphy que, de cor, diz o seguinte: “Dois aparelhos de medida iguais, em idênticas condições, mostram resultados diferentes.”
Consigo imaginar os engenheiros de tráfego, questionados sobre a chegada da composição seguinte, responderem:
“Daqui a pouco!”


Texto e imagem: by me




quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Diferenças?


Esta é uma imagem feita por Horst Faas, aquando da guerra civil no Paquistão Ocidental, em 1971. Conquistadores de uma cidade executarem a fio de baioneta prisioneiros de guerra. Atroz!
E qual a diferença entre o que esta imagem nos mostra e o que acontece agora mesmo na Faixa de Gaza? Talvez não muita, se não considerarmos as diferenças dos números.
Deixo-vos um texto, assinado por Fernando Nobre, da AMI, no seu blog:



Grito e choro por Gaza e por Israel
Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.
O que está a
acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes ("terroristas") do movimento Hamas.
Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:
- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento "terrorista" Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..
- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamisaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas "terrorista" que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?
- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).
- Estranha guerra esta em que o "agressor", os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os "agredidos". Nunca antes visto nos anais militares!
- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos "heróis" que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!
- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!
- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!
- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!
- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!
Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!
É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.
É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.